Câmbio encerra quarta em forte alta, cotado a R$ 5,557
Dólar refletiu força global da moeda americana, Caged e falas de Campos Neto
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,557 (+1,0%)
▲ Dollar Index (DXY): 101,1 pontos (+0,6%)
O mercado de divisas repercutiu o fortalecimento amplo da moeda americana em um movimento de correção técnica após o dollar index ter atingido, ontem, o menor valor em mais de um ano. No Brasil, investidores reagiram à publicação dos números do Caged em julho, falas mais firmes do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e a indicação do diretor de Política Monetária da instituição, Gabriel Galípolo, para comandar a instituição a partir do próximo ano.
Variações | No dia: +0,98% | Na semana: +1,41% | No mês: -1,76% | No ano: +14,53% | Em 12 meses: +13,97%
Recuperação global do dólar O dólar negociado no mercado interbancário apresentou forte tendência de elevação na sessão desta quarta-feira, em linha com o fortalecimento generalizado da moeda americana no exterior. Em um dia de poucos itens na agenda externa, o movimento pareceu ser impulsionado por uma correção técnica, após o dollar index, que pondera o valor da moeda americana por uma cesta de moedas de economias avançadas, atingir o menor valor desde 20 de julho de 2023 no pregão de ontem. Adicionalmente, investidores se mantiveram em compasso de espera pela divulgação dos resultados trimestrais da empresa Nvidia, publicado após o encerramento das negociações, e pelo Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) de julho, que será informado na sexta-feira.
Campos Neto, Galípolo e Caged No Brasil, os investidores repercutiram novas falas do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em busca de sinais para a direção da política monetária no país. Em seu discurso, o economista reforçou o alinhamento dos membros do Comitê de Política Monetária (Copom) em buscar a meta de inflação e comentou sobre as tendências inflacionárias globais, destacando os potenciais riscos enfrentados pelo Brasil. Ao comentar a divulgação do IPCA-15 de agosto, de ontem, avaliou o dado como "um pouco melhor", mas ressaltou que "não nos dá conforto". O presidente do BC ainda adicionou que o processo de desinflação no Brasil arrefeceu, gerando "grande desconforto" para o Banco Central. O dirigente ainda abordou o tópico fiscal, explicando ser indispensável o equilíbrio nas contas públicas para que haja uma queda de juros de maneira sustentável. Apesar de todos os riscos levantados, Campos Neto reforçou que “o Banco Central vai fazer o que precisa para levar a inflação para a meta”. No que se refere à próxima decisão de juros pelo Copom, no dia 18 de setembro, afirmou que o BC ainda não tem certeza sobre os dados atuais, sem dar mais pistas. Além disso, o dirigente enfatizou que a “mão de obra continua bastante apertada, com alguns sinais incipientes, mas mais claros, de que pode ter uma transmissão para serviços de forma mais prolongada”. Nesse SENTIDO, a divulgação do Caged de julho, que relatou a criação de 188.021 vagas formais de trabalho no mês, ilustra a resiliência do mercado de trabalho no país, o que representa um risco potencial de pressão inflacionária. Por fim, perto do encerramento das negociações, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou a indicação do diretor de política monetária do BC, Gabriel Galípolo, à presidência da autarquia a partir de 2025, o que parece ter impulsionado um pouco mais a tendência de enfraquecimento do real na sessão.
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