Câmbio fecha a segunda em alta, cotado a R$ 5,535
Dólar refletiu preocupações com cenário fiscal brasileiro
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,535 (+0,3%)
▲ Dollar Index (DXY): 100,9 pontos (+0,1%)
O mercado de divisas repercutiu a piora na avaliação de riscos fiscais para ativos brasileiros entre investidores, movimento que se suavizou ao longo do dia em meio a comentários da equipe econômica do governo federal garantindo o cumprimento da meta fiscal.
Variações | No dia: +0,26% | Na semana: +0,26% | No mês: -1,79% | No ano: +14,09% | Em 12 meses: +12,21% |
Revisão das contas públicas frustra investidores O dólar negociado no mercado interbancário abriu as operações desta segunda-feira em alta firme, quase encostando em R$ 5,60, porém foi gradativamente devolvendo seus ganhos até encerrar o dia em alta suave. O movimento inicial foi impulsionado por uma piora na percepção de riscos fiscais no Brasil após a divulgação, na noite de sexta, do Relatório de Receitas e Despesas Primárias do quarto bimestre pelo governo federal, que surpreendeu ao reduzir o contingenciamento das despesas do Orçamento de 2024 de R$ 15 bilhões para R$ 13,3 bilhões –a maior parte dos analistas antecipava uma elevação do bloqueio do Orçamento. De acordo com os Ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento, os ganhos de arrecadação superam o ritmo de crescimento de despesas obrigatórias e permitiram a liberação adicional de recursos sem comprometer o cumprimento da meta fiscal do ano. Entretanto, na visão de analistas, o desempenho do quarto bimestre se deu por fatores temporários e não deve se sustentar ao longo do ano, o que pode exigir um bloqueio maior por parte do Executivo no próximo relatório, em novembro. Dessa forma, ao optar por uma projeção mais otimista para as contas públicas e que corre riscos de não se realizar, reforçou-se uma percepção de resistência pelo Palácio do Planalto em ajustar o nível de despesas federais e resultou em uma maior exigência de prêmios de riscos por investidores.
Equipe econômica assegura cumprimento das metas Entretanto, essa piora da percepção de riscos fiscais foi sendo suavizada ao longo do dia após comentários de autoridades da equipe econômica do Executivo defendendo a revisão realizada, o que ajudou na recuperação parcial do real. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que as despesas federais seguem dentro das regras do arcabouço fiscal e garantiu que o Executivo vai cumprir a meta para as contas públicas deste ano. Já o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, declarou que há incômodo na equipe econômica do governo em relação a uma "irracionalidade" na percepção de agentes econômicos sobre a gestão fiscal, ao afirmar que investidores desprezam o crescimento das receitas públicas e que os temores de novas alterações nas metas estipuladas pelo arcabouço fiscal são infundados. “[Uma mudança] não está na mesa. (...) Não seria nem viável uma alteração de meta após o último bimestral, ou muito próximo disso”, disse o secretário. Segundo Dario, o governo fez ajustes em suas projeções de maneira conservadora e as contas de 2024 serão fechadas “sem nenhum tipo de criatividade ou artifício”.
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