Câmbio termina a quarta estável, cotado a R$ 5,764
Dólar reflete expectativa com contenção de gastos no Brasil e dados econômicos americanos
= Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,764 (0,0%)
▼ Dollar Index (DXY): 104,1 pontos (-0,2%)
Em dia de agenda cheia, o mercado de divisas repercutiu o anúncio do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre a convergência entre a Fazenda e a Casa Civil para a formulação de medidas de controle das contas públicas. No exterior, novos indicadores econômicos reforçaram a percepção de resiliência da economia americana.
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Economia americana aquecida O dólar negociado no mercado interbancário abriu o pregão desta quarta-feira em forte alta, quase rompendo a barreira dos R$ 5,80, em linha com o movimento externo de fortalecimento da moeda americana após a divulgação de dados econômicos aquecidos para os EUA. O instituto ADP estimou uma criação de 233 mil empregos privados no mês de outubro, bastante superior à projeção mediana de 115 mil, o que sugere que o mercado de trabalho americano permaneceu vigoroso e resiliente nesse mês e aumenta as expectativas para o dado oficial de empregos urbanos, o “payroll, que será divulgado na sexta-feira. Adicionalmente, a primeira prévia para o Produto Interno Bruto (PIB) estadunidense mostrou expansão anualizada de 2,8%, ligeiramente abaixo da estimativa mediana de 3,0%, porém com uma alta anualizada do consumo pessoal bem superior ao esperado, de 3,7%. Os dados econômicos mais fortes para o país reforçaram uma percepção de resiliência e robustez da economia americana e que, desta forma, não haveria urgência para que o Federal Reserve reduza seu nível de juros, o que contribui para a rentabilidade dos títulos denominados em dólar e favorece o fortalecimento da moeda americana.
Incerteza eleitoral nos EUA Outro fator importante para a diminuição das apostas de investidores para cortes de juros pelo Federal Reserve das últimas semanas é a incerteza sobre o resultado da eleição presidencial nos EUA, de 05 de novembro, cuja disputa permanece muito acirrada e imprevisível. Sete estados americanos que podem ser decisivos mostram uma diferença nas intenções de voto entre Donald Trump e Kamala Harris menor que dois pontos percentuais, e em quatro deles a diferença é menor que um ponto percentual. Este cenário deve se manter inalterado até o final do pleito, o que eleva a incerteza sobre a evolução das políticas econômicas estadunidenses e estimula a busca de ativos de segurança, que são menos voláteis e mais líquidos, como a moeda americana.
Falas de Haddad reduzem percepção de riscos fiscais Contudo, o real devolveu gradativamente suas perdas em meio ao noticiário político vindo de Brasília. Em fala rápida a jornalistas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que houve um entendimento entre o Ministério da Fazenda e o Ministério da Casa Civil a respeito de medidas para cortes de despesas públicas, as quais ainda precisam de aval jurídico e continuam sem prazo para divulgação. Haddad afirmou que “a dinâmica das despesas obrigatórias tem que caber dentro do arcabouço. A ideia é fazer com que as partes não comprometam o todo, e o arcabouço tenha sustentabilidade de médio e longo prazo, que é a dúvida do mercado”, fortalecendo sua sustentabilidade. Ainda que existam poucos detalhes a respeito dessas medidas, investidores interpretaram a convergência entre Casa Civil e Fazenda como uma evolução, o que contribuiu para promover um alívio na exigência de prêmios de riscos de ativos brasileiros e recuperou o desempenho do real.
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