Câmbio encerra a quarta em forte baixa, cotado a R$ 5,677
Dólar reflete possível ajuste de posições dos investidores
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,677 (-1,2%)
▲ Dollar Index (DXY): 105,1 pontos (+1,6%)
O mercado de divisas repercutiu a vitória de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos e as projeções de maioria do partido Republicano tanto para a Câmara quanto para o Senado do país. No Brasil, o real surpreendeu com o melhor desempenho do pregão, em um possível ajuste de posições dos investidores globais.
Variações | No dia: -1,21% | Na semana: -3,28% | No mês: -1,80% | No ano: +17,02% | Em 12 meses: +16,17% |
Vitória de Trump impulsiona o dólar Após abrir a sessão em alta, o dólar negociado no mercado interbancário surpreendeu e inverteu seu sentido para baixa consistente, conferindo ao real o melhor desempenho do dia entre as moedas mais líquidas. No exterior, o movimento foi de fortalecimento amplo da moeda americana, refletindo a vitória expressiva de Donald Trump à presidência dos EUA e a projeção de maioria para o partido Republicano tanto no Senado quanto para a Câmara do país. Com o início das apurações na madrugada, o dólar, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e os futuros das bolsas em Nova Iorque iniciaram uma forte trajetória de alta, reagindo particularmente às promessas feitas pelo presidente durante a campanha de cortes de impostos e imposição de tarifas mais severas sobre importações. O Dollar Index (DXY), indicador que mede a força global do dólar frente a seus principais pares, registrou seu maior avanço diário (1,6%) desde setembro de 2022. Diante da força global do dólar e do reflexo do chamado “Trump trade”, prejudicou-se o desempenho de ativos arriscados, como commodities e moedas de economias emergentes.
Real surpreende e valoriza Se o movimento do pregão para a maior parte das moedas foi como o esperado – um enfraquecimento perante o dólar –, o real contrariou a expectativa e foi apenas uma das quatro moedas mais líquidas a se valorizar, anotando o melhor desempenho da sessão. Não está claro o motivo da excepcionalidade do real, que anotou quedas consistentes logo após abrir as operações em alta. Alguns analistas atribuem o movimento a uma realização de lucros após a desvalorização de mais de 6% observada em outubro, o que também ocorreu na segunda e na terça-feira. Outros mencionam a disparada de ordens automáticas (“stop orders”) após a taxa de câmbio romper algumas barreiras. Há, também, comentários de que a moeda brasileira teria sido usada como “hedge” (proteção) por investidores globais, que assumiram posições vendidas em real nas últimas semanas para proteger seus portfólios em caso de vitória de Donald Trump. Com a vitória se concretizando, teria havido um desmonte dessas posições, favorecendo a moeda brasileira.
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