Câmbio termina a terça estável, cotado a R$ 5,774
Dólar reflete “Trump Trade” e expectativa por ajuste fiscal no Brasil
= Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,774 (0,0%)
▲ Dollar Index (DXY): 105,9 pontos (+0,4%)
O mercado de divisas repercutiu a continuidade dos ajustes globais à eleição de Donald Trump para presidência nos EUA, assim como a expectativa pelas medidas de corte de gastos do governo brasileiro.
Variações | No dia: +0,58% | Na semana: +0,58% | No mês: -0,18% | No ano: +18,95% | Em 12 meses: +17,44% |
Extensão do “Trump Trade” O dólar negociado no mercado interbancário alternou entre perdas e ganhos ao longo da sessão desta terça-feira até encerrar o dia praticamente estável ante à véspera. A estabilidade conferiu ao real um dos melhores desempenhos globais da sessão, em oposição à tendência de fortalecimento amplo da moeda americana – o Dollar Index, que pondera o valor da moeda americana frente a uma cesta de divisas de economias avançadas, ultrapassou durante a tarde a barreira de 106 pontos, maior valor desde 02 de julho deste ano. Investidores continuam prolongando o movimento de ajuste de posições de suas carteiras aos possíveis efeitos de medidas do novo governo Trump. Por exemplo, a elevação de tarifas de importação e a restrição à entrada de imigrantes podem apresentar impactos inflacionários ao elevar os custos de produtos importados e ao restringir a oferta de mão de obra em um mercado de trabalho aquecido e com baixo desemprego. Adicionalmente, a redução de impostos corporativos pode melhorar a lucratividade de empresas americanas e estimular o investimento e o crescimento do país, ao mesmo tempo em que deve ampliar o já elevado déficit fiscal. A possibilidade de pressões inflacionárias e a aceleração do endividamento público reduzem as apostas de investidores para cortes de juros pelo Federal Reserve, o que impulsiona os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e beneficia o desempenho do dólar. Da mesma maneira, a perspectiva de maior rentabilidade para as empresas favorece a atração de capitais externos para as bolsas de valores do país e também contribuem para o fortalecimento global do dólar.
Perspectiva de altas para a Selic Contribuiu para a sustentação do valor do real, também, a publicação da ata da última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que alertou que uma piora adicional das expectativas inflacionárias “pode levar a um prolongamento do ciclo de aperto de política monetária”. O Copom também destacou que o cenário de curto prazo para a inflação se mostra mais desafiador e que “tem se observado uma interrupção no processo desinflacionário”. Por fim, o Comitê enfatizou que uma política fiscal “crível”, com regras “previsíveis e transparências em seus resultados” e que estabilize a dívida pública “são importantes elementos para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de riscos dos ativos financeiros”. A perspectiva de um ciclo de altas firmes para a taxa básica de juros (Selic), melhora a expectativa para o diferencial de juros brasileiro e contribui na atração de investimentos externos, fortalecendo o real.
Expectativa pelo corte de gastos Por fim, vale ressaltar que investidores permanecem à espera pela divulgação das medidas de ajuste fiscal do governo federal pela terceira semana consecutiva, com expectativas de que esse anúncio ocorra ainda esta semana. Ontem, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, evitou apontar uma data para o anúncio, negou que o pacote tenha sofrido uma desidratação nas discussões com as outras pastas e afirmou que os “detalhes” que ainda estavam pendentes na semana passada estavam superados. Adicionalmente, Haddad declarou que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, solicitou a inclusão de mais um ministério nas medidas de cortes de gastos, o que isto deve ser concluído até quarta-feira, e que o presidente apresentaria hoje o pacote para os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), respectivamente. Alguns analistas presumem que investidores podem estar evitando se posicionar contra o real por conta da proximidade da divulgação dessas medidas, que tem potencial de favorecer um fortalecimento do real.
Mercado de moedas




