Câmbio encerra a quarta em alta, cotado a R$ 5,792
Dólar reflete “Trump Trade”, intervenção do BC e expectativa por ajuste fiscal
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,792 (+0,3%)
▲ Dollar Index (DXY): 106,5 pontos (+0,4%)
O mercado de divisas repercutiu a mais um dia de ajustes globais à eleição de Donald Trump para presidência nos EUA, assim como à intervenção do Banco Central do Brasil no mercado cambial e à expectativa pelas medidas de corte de gastos do governo brasileiro.
Variações | No dia: +0,32% | Na semana: +0,94% | No mês: +0,18% | No ano: +19,38% | Em 12 meses: +18,01% |
CPI de outubro Em dia de ampla volatilidade, o dólar negociado no mercado interbancário flutuou entre uma margem de quase dez centavos até encerrar o dia em leve alta e em linha com o movimento externo de fortalecimento da moeda americana, impulsionado, por sua vez, pela percepção de que o Federal Reserve fará um ciclo de corte de juros menor e mais lento que o antecipado. Na última semana, a vitória expressiva de Donald Trump para a presidência dos EUA levou a um intenso e prolongado ajuste de posições de investidores aos efeitos de possíveis medidas do novo governo. Em particular, a possibilidade de pressões inflacionárias reduz as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve, o que impulsiona os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e beneficia o desempenho do dólar. Essa tendência se intensificou na sessão de hoje após a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de outubro dos EUA, que mostrou alta mensal de 0,2% no índice cheio e de 0,3% em seu núcleo, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia. Essa leitura reforçou um receio de que a estabilização de preços esteja desacelerando no país, o que pode resultar em menos cortes de juros pelo Federal Reserve a fim de assegurar o retorno da inflação à sua meta de 2% anuais. Com isso, o Dollar Index, que pondera o valor da moeda americana frente a uma cesta de divisas de economias avançadas, ultrapassou durante a tarde a barreira de 106,5 pontos, seu maior valor desde novembro de 2023.
Intervenção do BC O enfraquecimento do real ocorreu mesmo após o Banco Central do Brasil realizar dois leilões de linha no mercado cambial, em um total de US$ 2 bilhões cada. A autoridade monetária realizou operações de venda com compromisso de recompra (isto é, a realização de leilões simultâneos de venda de dólares à vista com leilões de compra futura de dólares), um com prazo de recompra em 02 de abril de 2025 e outro em 02 de julho de 2025. Esses leilões foram inicialmente programados para as 10h30min, porém foram adiados devido a “problemas operacionais” para as 12h15min e 12h35min. A autarquia sempre afirma que só atua no mercado de divisas quando há fala de liquidez em alguma das pontas das negociações, e não procura se orientar pelo valor da taxa de câmbio. Neste caso, o leilão busca ampliar a venda de moeda americana, o que implica que a liquidez de mercado estava reduzida em apostas a favor do real. Adicionalmente, é importante mencionar que o BC costuma atuar com maior frequência nos últimos meses dos anos, em particular dezembro, por conta de uma habitual elevação nas remessas de lucros e juros aos exterior.
Expectativa pelo corte de gastos Contribuiu para o enfraquecimento do real, também, a elevada expectativa de investidores pela divulgação das medidas de ajuste fiscal do governo federal, que seguem indefinidas pela terceira semana consecutiva. Com viagem do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para o Rio de Janeiro amanhã para participar da cúpula do G20, a percepção de que esse anúncio não ocorreria nesta semana piorou o humor de investidores. Contudo, declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de que o impacto fiscal do pacote de medidas será “expressivo” e focará a “dinâmica dos gastos” para “reforça[r] o compromisso de manter as regras fiscais estabelecidas” ajudou a aliviar parcialmente o estresse e reduzir a exigência de prêmios de risco, diminuindo as perdas do real.
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