Câmbio fecha a quinta em alta, cotado a R$ 5,812
Dólar reflete avanço global da moeda americana e expectativa por corte de gastos
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,812 (+0,8%)
▲ Dollar Index (DXY): 107,00 pontos (+0,3%)
Em dia de maior aversão ao risco, o mercado de divisas refletiu a continuidade do movimento de fortalecimento global do dólar, enquanto investidores seguem aguardando pelo anúncio do pacote de medidas fiscais do governo federal.
Variações | No dia: +0,76% | Na semana: +0,44% | No mês: +0,52% | No ano: +19,79% | Em 12 meses: +18,64%
Avanço global do dólar O dólar negociado no mercado interbancário apresentou alta consistente durante a sessão desta quinta-feira, em linha com um movimento externo de maior aversão ao risco e busca por ativos mais seguros. No cenário externo, a piora na percepção de riscos dos investidores foi impulsionada por novos desdobramentos relacionados à guerra da Ucrânia, que reacenderam os temores de uma escalada no conflito. Na terça-feira (21), o governo ucraniano teria utilizado, pela primeira vez, mísseis balísticos contra alvos em território russo. O governo da Rússia havia anteriormente advertido, entretanto, que o uso de armamento ocidental para atingir territórios russos distantes da fronteira seria interpretado como uma escalada significativa no conflito, o que gera receios de que o país possa usar armamento nuclear como retaliação. Paralelamente à intensificação das tensões geopolíticas, o dólar refletiu também a ampliação do movimento chamado “Trump Trade”, isto é, o movimento de ajuste de posições das carteiras de investidores aos possíveis efeitos de medidas do novo governo Trump. Entre essas medidas, destacam-se a elevação de tarifas de importação e a restrição à entrada de imigrantes, que podem gerar pressões inflacionárias ao elevar os custos de produtos importados e ao restringir a oferta de mão de obra em um mercado de trabalho com elevado nível de participação e com baixa taxa de desemprego. Desde as eleições presidenciais, no dia 5 de novembro, o Dollar Index, que reflete o valor do dólar frente a seus principais pares, já avançou 3,4%.
Corte de gastos no Brasil Adicionalmente, investidores permaneceram à espera do anúncio do pacote de cortes de gastos do governo federal, cuja indefinição e demora nas últimas semanas tem estressado os investidores e intensificado a percepção de riscos associados a ativos brasileiros. Ainda nesta quinta-feira, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que a expectativa é de que os detalhes do plano sejam concluídos nesta semana. Contudo, a data de anúncio dependerá da aprovação final pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agentes do mercado financeiro acompanham esse encontro com expectativa, considerando que havia uma esperança de que o plano fosse divulgado logo após o feriado de ontem (20). O adiamento do anúncio para a semana a semana que vem significaria o prolongamento da espera para cinco semanas consecutivas, o que tem alimentado a percepção de falta de prioridade por parte do governo em relação ao controle de gastos. Além disso, o atraso gera preocupações adicionais sobre a viabilidade de tempo hábil para que a proposta seja aprovada pelo Legislativo ainda este ano. Caso tal prazo não seja cumprido, a medida poderá ser aprovada somente após o recesso do Congresso Nacional, em fevereiro de 2025.
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