Câmbio fecha a quinta em alta, refletindo decepção com pacote fiscal
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,991 (+1,3%)
= Dollar Index (DXY): 106,1 pontos (0,0%)
O mercado de divisas estendeu o movimento de estresse local por conta da decepção de investidores com o pacote de ajuste fiscal presentado pelo governo, resultando em forte alta na exigência de prêmios de riscos e levando a taxa de câmbio a renovar seu pior fechamento nominal da história.
Variações | No dia: +1,30% | Na semana: +3,04% | No mês: +3,62% | No ano: +23,49% | Em 12 meses: +22,94% |
Decepção com pacote fiscal Em dia de feriado nos EUA, o dólar negociado no mercado interbancário apresentou forte tendência de alta pela segunda sessão consecutiva e ultrapassou a barreira de R$ 6,00, fechando logo abaixo desse patamar, o maior fechamento nominal da sua história. A acentuada desvalorização da moeda brasileira reflete a profunda deterioração das percepções de riscos fiscais por parte dos agentes de mercado em função da quebra de expectativas em relação aos impactos das medidas econômicas de ajuste das contas públicas prometidas pelo governo federal.
A espera por esse anúncio, que se estendeu por cerca de cinco semanas desde a primeira menção, vinha desgastando a confiança dos investidores, sobretudo diante da incerteza quanto à amplitude dos cortes e às pastas do governo que seriam afetadas. Nesse ambiente de credibilidade já abalada e forte desconfiança, a inesperada inclusão da isenção do Imposto de Renda para pessoas físicas que recebem salários de até R$ 5 mil pelo Palácio do Planalto reforçou o pessimismo dos agentes do mercado financeiro. Em detalhamento das medidas, a equipe econômica do governo federal ressaltou que a adição dessa medida terá impacto fiscal neutro, uma vez que se propõe a compensar as perdas de receita com o aumento da carga tributária sobre os chamados "super-ricos", que recebem mais de R$ 50 mil mensais. No que se refere ao tamanho do pacote de cortes, até então desconhecido pelo mercado, o Executivo estima que as medidas terão um impacto de R$ 71,9 bilhões em 2025 e 2026 e de R$ 327 bilhões entre 2025 e 2030.
Embora o ministro da Fazenda tenha reforçado nesta manhã que as propostas contribuirão para o equilíbrio das contas do governo e para a estabilização do nível de endividamento público, a inclusão de uma medida que provocará significativa perda de receita reforçou as leituras entre investidores de que o Palácio do Planalto demonstra pouca urgência, pouca importância e pouca vontade política para a necessidade de ajustes estruturais dos gastos públicos. Nesse sentido, é um agravante que o pacote deve chegar ao Congresso Nacional faltando um menos de um mês para o início do recesso parlamentar e com uma agenda carregada de votações para o período, o que torna pouco provável a sua aprovação ainda em 2024.
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