Câmbio fecha a quinta em queda, refletindo recuo global do dólar e otimismo com aprovação de cortes de gastos
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 6,009 (-0,6%)
▼ Dollar Index (DXY): 105,7 pontos (-0,6%)
O mercado de divisas repercutiu o enfraquecimento amplo da moeda americana, bem como um otimismo de investidores com a tramitação do pacote fiscal do governo no Congresso Nacional.
Variações | No dia: -0,63% | Na semana: +0,13% | No mês: +0,13% | No ano: +23,85% | Em 12 meses: +22,00% |
Espera pelo “payroll” O dólar negociado no mercado interbancário apresentou tendência de queda nesta quinta-feira, em linha com mais uma sessão de recuo global da moeda americana. Esse movimento parece ter decorrido, em parte, de uma postura de antecipação à divulgação do relatório de emprego (“payroll”) de novembro nos Estados Unidos, prevista para amanhã. A publicação dos dados semanais de pedidos de auxílio-desemprego durante a sessão possivelmente contribuiu para esse cenário, reforçando a cautela dos agentes em relação ao mercado de trabalho norte-americano. Embora o número de novos pedidos tenha superado ligeiramente as projeções – 224 mil solicitações, ante uma expectativa mediana de 215 mil – o resultado elevou temores de que o mercado de trabalho esteja se enfraquecendo, visto que os números de benefícios contínuos têm sugerido um ritmo mais lento de contratações, indicando que indivíduos recentemente demitidos permanecem por períodos mais longos recebendo o auxílio-desemprego em comparação ao início do ano. Em outras palavras, embora as solicitações se mantenham baixas segundo padrões de longo prazo, elas ainda são suficientemente elevadas para alimentar receios de alta da taxa de desemprego, sobretudo em um contexto de contratações mais modestas. Investidores, nesse sentido, aguardam com expectativa a divulgação do "payroll" amanhã, que deve dar mais dicas com relação ao mercado de trabalho no país. O indicador deve ser um indicador importante para embasar a decisão de juros do Federal Reserve no próximo dia 18 de setembro.
Tramitação do pacote fiscal Contribuiu para o fortalecimento do real, também, um maior otimismo de investidores com uma rápida aprovação do pacote fiscal do governo no Congresso Nacional. Ontem, a Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência para duas propostas que integram o pacote, medida que deve acelerar o processo de aprovação. As propostas incluem o pente-fino no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e no Bolsa Família. Além disso, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou ontem que vai apensar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do corte de gastos a outra já existente para “acelerar” sua tramitação pela Casa. A PEC propõe mudanças nas regras de correção do salário-mínimo e novas ferramentas de gatilhos fiscais, como a proibição de concessão, ampliação ou prorrogação de incentivos ou benefícios tributários em caso de déficit. Com a sua apensação, a proposta pode ser votada diretamente no Plenário, sem a necessidade de passar pelas comissões da Câmara. A perspectiva de uma aprovação mais ágil dessas medidas tende a aliviar as preocupações com os riscos fiscais, ao reforçar o alinhamento de diferentes esferas do governo em torno da estabilização das contas públicas.
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