Câmbio encerra a quarta em queda, refletindo alívio no prêmio de risco
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,959 (-1,5%)
▲ Dollar Index (DXY): 106,7 pontos (+0,3%)
O mercado de divisas repercutiu um recuo na exigência de prêmios de risco para ativos brasileiros, enquanto investidores aguardam pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) e por maiores informações sobre o estado de saúde do presidente Lula.
Variações | No dia: -1,47% | Na semana: -1,94% | No mês: -0,70% | No ano: +22,83% | Em 12 meses: +20,73% |
Alívio nos prêmios de risco Após alternar entre perdas e ganhos ao longo da manhã, o dólar negociado no mercado interbancário passou a apresentar forte tendência de baixa no período da tarde, encerrando abaixo do patamar de R$ 6,00 pela primeira vez desde 29 de novembro. Parte desse movimento é reflexo de um ambiente de negócios internacional com maior apetite por riscos, em que várias moedas de países emergentes se fortaleceram frente à divisa americana. Contudo, o real apresentou o melhor desempenho entre as moedas mais líquidas, o que também aponta para fatores domésticos favoráveis. Ao longo da tarde, já havia uma redução na exigência de prêmios de riscos por investidores, que mostravam otimismo em relação à possibilidade de uma aprovação rápida do pacote de cortes de gastos do governo no Congresso.
Saúde de Lula Esse movimento se aprofundou de maneira brusca às 16h30min, horário em que foi divulgado que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, passará por novo procedimento cirúrgico na manhã desta quinta. A reação intensa e imediata deixa claro que a notícia favoreceu o desempenho do real, o que significa que investidores receberam positivamente o anúncio. Embora não seja claro os motivos dessa reação, uma hipótese é que um possível agravamento da saúde do presidente diminui as chances de Lula tentar a reeleição, o que aumentaria a probabilidade de uma mudança nos rumos das contas públicas. De toda forma, a saúde de um chefe de Estado tradicionalmente apresenta potencial de ampliação da volatilidade de ativos de um país em função das interações entre cenário político e cenário econômico.
CPI mais alto O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) americano de novembro apresentou a maior alta mensal em sete meses, crescendo em 0,3% após quatro meses consecutivos de avanço de 0,2%. Já o núcleo do indicador, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia, aumentou em 0,3% pelo quarto mês seguido, o que mantém o avanço anual em 3,3%. Embora esses números estejam em linha com a mediana das estimativas, eles sugerem que a inflação americana estacionou em um patamar distante da meta buscada pelo Federal Reserve (Fed), de 2% anuais. Isto, por sua vez, reforça a percepção de que os riscos inflacionários estão maiores do que o Fed antecipou ao começar seu ciclo de cortes de juros, em setembro, e que provavelmente será preciso manter um nível de aperto monetário mais rígido e mais longo para garantir a estabilização de preços no país. Além disso, os dados mais recentes para os EUA apontam, de maneira geral, para uma economia mais aquecida, o que reforça a leitura de que o Fed deve ser mais gradual em seu ciclo de cortes de juros. A maioria das apostas para a reunião de 18 de dezembro ainda antecipa um corte de 0,25 ponto percentual. Contudo, diante da economia em expansão, da inflação acima da meta e da incerteza associada às medidas econômicas do novo governo de Donald Trump, o panorama para novas reduções em 2025 permanece incerto.
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