Câmbio fecha a quinta em alta, refletindo fluxos de saída e receios fiscais
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 6,013 (+0,9%)
▲ Dollar Index (DXY): 106,9 pontos (+0,2%)
O mercado de divisas repercutiu um ambiente de pessimismo de investidores em relação à política fiscal brasileira e o desmonte de posições no mercado de juros após o Comitê de Política Monetária (Copom) indicar um rígido ciclo de aperto monetário.
Variações | No dia: +0,90% | Na semana: -1,05% | No mês: +0,19% | No ano: +23,93% | Em 12 meses: +21,03% |
Copom mais firme O dólar negociado no mercado interbancário começou o dia em forte tendência de queda, caindo até uma mínima intradiária de R$ 5,8670 (-1,5%), porém logo começou a apagar suas perdas e escalou até uma máxima de R$ 6,0489 (+1,5%) antes de recuar a R$ 6,013. O movimento inicial foi impulsionado pela decisão mais firme do Comitê de Política Monetária, que optou de forma unânime por elevar a taxa básica de juros (Selic) para 12,25% a.a. Além do aumento de 1 ponto percentual na decisão de ontem, o Comitê indicou mais duas elevações de mesma magnitude nas próximas reuniões. Em seu comunicado, o Copom explica que a realização de apertos sequenciais e mais intensos de juros se justificam pela piora do cenário futuro de inflação, que está menos incerto e mais adverso do que nas última reuniões. Com isso, elevou-se as expectativas de rentabilidade de títulos domésticos e se favoreceu a entrada de investimentos estrangeiros, contribuindo para a valorização do real.
Reversão da queda inicial O movimento de forte alta que se seguiu não possui explicação clara. Uma das possibilidades é que investidores antecipavam a chances de uma alta mais rígida para a taxa Selic, porém não aguardavam por uma sinalização mais firme para as próximas duas decisões, o que levou investidores estrangeiros a desfazerem posições aplicadas em juros, ou seja, de apostas na queda das taxas ao longo da curva, elevando a demanda por dólares. Além disso, a queda brusca da taxa de câmbio pode ter estimulado a demanda por dólares de agentes que precisarão da divisa em breve. Adicionalmente, alguns analistas mencionam o pessimismo dos investidores em relação à possibilidade de equilíbrio das contas públicas em meio a dificuldades de avançar medidas do pacotes fiscal no Congresso.
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