Câmbio encerra segunda em forte alta, repercutindo riscos fiscais e ignorando ação do BC
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 6,092 (+1,0%)
▲ Dollar Index (DXY): 106,9 pontos (+0,0%)
A elevada percepção de riscos fiscais continuou a pressionar a moeda brasileira nesta segunda-feira (16), apesar da postura mais restritiva adotada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na última semana, e das intervenções do Banco Central no mercado de câmbio. Pela manhã, as ações do BC – que somaram US$ 4,6 bilhões em vendas à vista e operações com compromisso de recompra – chegaram a interromper a trajetória acentuada de alta das cotações, devolvendo-as ao patamar de R$ 6,03, mas o alívio foi apenas pontual, sendo revertido ao longo do dia. No encerramento do pregão, o par real/dólar era cotado a R$ 6,092, registrando variação diária de +1,04%.
Variações | No dia: +1,04% | Na semana: +1,04% | No mês: +1,51% | No ano: +25,57% | Em 12 meses: +23,37%
Tramitação do pacote fiscal O mercado de câmbio voltou a refletir a deterioração na percepção de riscos fiscais por parte dos investidores, que acompanham atentamente as atualizações sobre a tramitação do pacote de cortes fiscais proposto pelo governo federal no Congresso. Conforme reportado pela imprensa, o presidente da Câmara, Arthur Lira, teria agendado, ao longo do dia de hoje, encontros com líderes partidários, buscando garantir que as bancadas possam sugerir ajustes até a terça-feira (17), permitindo que a votação ocorra o mais rápido possível. Apesar da perspectiva de maior agilidade no processo, há receio de que as discussões resultem em modificações significativas na versão original, o que poderia levar à aprovação de um projeto mais “desidratado” do que o inicialmente previsto. Nesse contexto, em reunião realizada nesta segunda-feira com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que atuará para impedir o enfraquecimento das medidas durante a análise legislativa. O pacote fiscal, visa reduzir despesas públicas, e segundo estimativas do governo federal, pode gerar uma economia de R$ 70 bilhões em um intervalo de dois anos.
Falas de Lula sobre o BC Declarações do presidente Lula no final de semana, sobre a condução da política monetária do Banco Central, intensificaram a percepção de risco entre agentes de mercado. Em entrevista concedida ontem, o chefe do Executivo reiterou críticas à orientação mais restritiva da autoridade monetária, afirmando que “a única coisa errada no país é o juro acima de 12%” e enfatizando que “ninguém tem mais responsabilidade fiscal” do que ele". O desalinhamento entre o Banco Central e o governo federal tem, dessa forma, ampliado a preocupação dos investidores, contribuindo para um aumento dos prêmios de risco dos ativos domésticos e pressionando a cotação do real.
Previsão de déficit em 2025 De acordo com as projeções do Tesouro Nacional divulgadas nesta segunda-feira, o Resultado Primário do Governo Central deve encerrar em déficit de 0,4% do PIB em 2025, exigindo esforço adicional de arrecadação para o atingimento da meta estabelecida pela equipe econômica. Para se alcançar o centro da meta, de déficit zero, seria necessária uma ampliação de receitas de R$ 17,9 bilhões (0,1% do PIB). Entre as principais medidas de compensação previstas pelo governo estão o projeto de lei que prevê aumento da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) para Juros sobre Capital Próprio (JCP), além da reversão gradual das medidas de desoneração da folha de pagamento. A proposta de elevação da CSLL e do IRRF, apresentada no final de agosto, previa ampliar a arrecadação em R$ 21 bilhões, com efeito perene para os anos seguintes, mas ainda não tramitou e não deve ser apreciada pelo Congresso, o que exigirá medidas alternativas do governo que não dependam de aprovação do Legislativo para que as contas fechem equilibradas no próximo ano. O cenário projetado pelo Tesouro também é mais otimista que a mediana dos economistas consultados pelo Banco Central, considerando uma taxa de crescimento do PIB de 2,5% e a Selic em 10,7% a.a. Segundo o Boletim Focus mais recente, as apostas do mercado encontram-se, respectivamente, em 2,0% e 14,0%.
Trump menciona taxação de produtos brasileiros Cabe destacar, ainda, a primeira menção do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, à possibilidade de impor aumentos tarifários sobre produtos brasileiros após sua posse na Casa Branca. Desde sua vitória nas eleições presidenciais, em novembro, Trump tem sinalizado a intenção de elevar as tarifas de importação, em graus variados, para diferentes países. Ao mencionar o Brasil, afirmou que o país “taxa muito” os produtos norte-americanos, sugerindo “reciprocidade” com potenciais medidas de aumento tarifário contra bens brasileiros.
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