Dólar perde força após atingir máxima histórica e fecha praticamente estável após intervenção do BC
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 6,098 (+0,1%)
= Dollar Index (DXY): 107,00 pontos (0,0%)
Na sessão, o dólar negociado no mercado interbancário apresentou forte volatilidade, alcançando seu maior valor nominal histórico ao atingir a máxima intradiária de R$ 6,20, para em seguida recuar e encerrar as operações praticamente estável, cotado a R$ 6,098. O avanço recente no par real/dólar reflete, sobretudo, a crescente apreensão entre os investidores quanto à condução da política fiscal. Como consequência do pessimismo com o equilíbrio das contas públicas, a política monetária mais restritiva adotada pelo Banco Central tem exercido efeito limitado na ancoragem das expectativas inflacionárias dos agentes, o que justifica a ausência de pressões baixistas sobre a taxa de câmbio após a divulgação da ata mais firme da última reunião do Copom nesta manhã. Ao longo da sessão, o BC ainda realizou duas novas intervenções no mercado cambial, que ajudaram a atenuar a trajetória do dólar.
Variações | No dia: +0,10% | Na semana: +1,14% | No mês: +1,62% | No ano: +25,69% | Em 12 meses: +24,37%
Futuro do pacote fiscal O anúncio pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) de que pautará nesta terça-feira o PLP 68/2024, que trata da regulamentação da reforma tributária, e um dos projetos de corte de gastos proposto pela equipe econômica do governo, ajudou a consolidar o recuo da taxa de câmbio na sessão de hoje. “Nós vamos votar a tributária, vamos votar a lei que trata de multinacionais, o projeto de turismo e o PLP 210 [do pacote fiscal]”, afirmou. O deputado, no entanto, não assegurou a aprovação do pacote, em vista da insatisfação de parlamentares com alguns pontos, como o corte no reajuste anual do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FDCF) e a destinação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (Fundeb). O futuro do pacote fiscal, assim como da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA) – necessária à execução do Orçamento de 2025 –, também está vinculado à liberação de mais recursos por meio de emendas parlamentares. As votações da LDO e da LOA devem ocorrer na quinta-feira (19) em sessão conjunta do Congresso.
Novas intervenções cambiais do BC Durante a sessão, o BC ainda realizou duas novas intervenções no mercado cambial, injetando um total de 3,3 bilhões de dólares no mercado à vista. No início do pregão, o Banco Central anunciou o primeiro leilão, de cerca de US$ 1,2 bilhão. Apesar da intervenção inicial, pouco efeito foi sentido nas cotações do dólar, que alcançaram sua máxima nominal histórica, o que teria inclinado o Banco Central a realizar um segundo leilão de mesmo formato, dessa vez em montante de aproximadamente US$ 2 bilhões. A realização dos leilões consolida o quarto pregão consecutivo de intervenções no câmbio, que ocorrem e meio à crescente desvalorização do real no mercado interbancário. O BC costuma realizar intervenções em finais de ano, em particular em dezembro, por conta de uma habitual elevação nas remessas de lucros e juros ao exterior.
Dados econômicos nos EUA Nos Estados Unidos, dados mais robustos para as vendas no varejo em novembro reforçaram a percepção de resiliência da atividade econômica, enquanto investidores aguardam com expectativa a decisão de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) de amanhã. Autoridades do Federal Reserve iniciaram hoje sua reunião de dois dias, para a qual o mercado antecipa um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, para o intervalo entre 4,25% e 4,50% ao ano. No entanto, sinais de demanda interna mais vigorosa, somados a leituras de inflação mais elevadas nos últimos meses, podem levar o Fed a adotar uma postura mais cautelosa, possivelmente suspendendo novos cortes já a partir da reunião de janeiro. Em novembro, as vendas no varejo avançaram 0,7%, superando a mediana das projeções de 0,6% e após uma revisão para cima do indicador de outubro, de 0,3% para 0,5%. Esses resultados sugerem um aquecimento da demanda interna, o que pode influenciar as futuras decisões da autoridade monetária norte-americana. Em contrapartida, também divulgado hoje, dados de atividade industrial para o mesmo período vieram abaixo do esperado. Em novembro, a produção industrial do país recuou 0,1%, ante estimativa de avanço de 0,3% na comparação mês a mês.
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