Dólar encerra quinta em forte alta, impulsionado por incertezas fiscais e por decisão de juros do Fed
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 6,268 (+2,8%)
= Dollar Index (DXY): 107,94 pontos (+0,9%)
Em sessão marcada por força global do dólar, a moeda norte-americana renovou sua máxima nominal histórica, alcançando R$ 6,268 e registrando sua maior alta diária frente ao real em mais de dois anos. Investidores reagiram à decisão de política monetária do Federal Reserve, que promoveu um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros, e sinalizou maior cautela em futuras deliberações, reduzindo as expectativas de continuidade do afrouxamento monetário país. No cenário doméstico, a percepção de riscos fiscais seguiu pressionando o real, refletindo sobretudo as incertezas em torno da tramitação do pacote de ajuste fiscal do governo no Congresso.
Variações | No dia: +2,78% | Na semana: +3,95% | No mês: +4,44% | No ano: +29,19% | Em 12 meses: +27,83%
Pânico fiscal A percepção generalizada de elevado risco fiscal continua sendo o principal fator a contribuir com a depreciação da moeda brasileira. Sem uma solução clara à vista, como medidas críveis de ajuste das contas públicas que garantam o cumprimento da meta de déficit zero em 2025 e sua sustentabilidade no longo prazo, permanece amplo o espaço para especulação no mercado de câmbio, favorecendo movimentos bruscos e a trajetória consistente de alta das cotações. A aprovação do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2025 em sessão conjunta do Congresso Nacional hoje (18), que estabeleceu a banda de tolerância de 0,25% do PIB para a meta fiscal e retirou o dispositivo que permitia o bloqueio de emendas parlamentares impositivas, foi recebida com desconfiança pelos investidores. Na prática, fica aberta a possibilidade de um resultado deficitário de R$ 30,97 bilhões no próximo ano, o que pode ser explorado pelo governo para manter postura expansionista da política fiscal, enterrando de vez o alvo original do arcabouço fiscal de um superávit de 0,5% do PIB em 2025. A desidratação da proposta de ajuste do Benefício de Prestação Continuada (BPC), após o acordo de líderes partidários da Câmara para rejeitar o endurecimento das regras para seu pagamento nesta quarta-feira, também alimentou os receios do mercado ao prejudicar o pacote do governo em seus efeitos para promover o equilíbrio das contas públicas.
Fed sinaliza cortes mais lentos No cenário externo, as negociações foram marcadas por um expressivo avanço do dólar frente às principais moedas globais, movimento impulsionado pela reunião de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC). O colegiado decidiu por um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros, que passou a vigorar na faixa de 4,25% a 4,50% ao ano. Embora, em teoria, a redução da taxa tenda a desvalorizar a moeda ao diminuir o diferencial de juros e desestimular investimentos em ativos americanos, a postura cautelosa transmitida no comunicado oficial e as declarações do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, contribuíram para a valorização global do dólar. No documento, o comitê sinalizou sua intenção de desacelerar o ritmo do afrouxamento monetário iniciado em setembro, justificando a medida com base na avaliação de que, desde então, "a atividade econômica continuou a se expandir em ritmo sólido," enquanto "a taxa de desemprego permanece baixa" e "a inflação continua relativamente elevada". Durante a coletiva de imprensa, ao ser questionado sobre a justificativa para o novo corte na taxa, Powell reconheceu que "hoje foi uma decisão mais difícil," explicando que a escolha foi considerada "a melhor forma de atender aos dois objetivos: emprego e inflação". Ele destacou ainda que, "para futuros cortes, o Fed continuará monitorando os dados econômicos." Assim, embora o FOMC tenha reduzido os juros nesta reunião, a percepção dos investidores de que o banco central americano deve adotar um ritmo mais moderado e gradual de cortes nas próximas reuniões foi reforçada. Essa expectativa tende a impulsionar os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e sustentar o fortalecimento do dólar.
EUA | Histórico e expectativa para a taxa de juros (% a.a.)
Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX. *Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros com referência a 182/12/2024.
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