Câmbio fecha a quinta em baixa, refletindo recuperação de emergentes e resultado fiscal de 2024
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,8538 (-0,2%)
▼ Dollar Index (DXY): ~107,8 pontos (-0,2%)
Em dia de ampla volatilidade, o mercado de divisas repercutiu a decisão da véspera do Comitê de Política Monetária (Copom), bem como as declarações ponderadas do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre o Banco Central e a divulgação de números fiscais de 2024 para o Brasil.
Variações | No dia: -0,25% | Na semana: -1,09% | No mês: -5,24% | No ano: -5,24% | Em 12 meses: +18,35%
Alta do dólar de manhã A taxa de câmbio do real reverteu a forte valorização observada na parte da manhã, quando atingiu a máxima intradiária de R$ 5,93, encerrando a sessão desta quinta-feira em queda, cotada a R$ 5,85. Nas primeiras negociações do dia, os investidores repercutiam a decisão de política monetária do Copom, divulgada ontem após o término das operações. Apesar de elevar a taxa básica de juros (Selic) em 1,0 ponto percentual, conforme sinalizado que faria em sua última reunião, e de indicar novamente que deve realizar ajuste de mesma proporção em março, o Banco Central adotou um tom mais moderado em seu comunicado. Tal postura, por sua vez, gerou incertezas quanto à condução futura da política monetária e à continuidade do ciclo de elevação dos juros. Em especial, a inclusão de um fator de risco baixista por conta de uma desaceleração econômica nacional chamou a atenção de investidores, que interpretaram a inclusão como uma postura mais conservadora do que o antecipado e como um possível indício de que a autoridade monetária deseja realizar um ciclo menos agressivo de altas para a Selic. Por conta dessa interpretação, a expectativa de aumento do diferencial de juros no curto prazo se reduziu, o que prejudica a atração de investimentos estrangeiros para o país e contribui para o enfraquecimento do real.
Recuperação do real à tarde A reversão da alta do dólar ao longo da sessão, por sua vez, parece ter sido parcialmente impulsionada pela continuidade do movimento de enfraquecimento global da moeda norte-americana, tendência observada desde a posse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 20 de janeiro. No Brasil, a recuperação do real também pode ser atribuída a declarações do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, com destaque para a reavaliação de seu posicionamento em relação ao Banco Central (BC). Em sua fala, o presidente enfatizou que a nova gestão da autoridade monetária, liderada por Gabriel Galípolo, não deve promover uma mudança abrupta na condução da política monetária, ao considerar que a elevação da taxa de juros anunciada na quarta-feira já havia sido sinalizada pelo presidente anterior da instituição. Essa postura mais moderada, especialmente no que se refere ao ritmo do aperto monetário conduzido pelo BC, reduziu as incertezas dos agentes de mercado e contribuiu para a compressão dos prêmios de risco do real. Adicionalmente, a dinâmica da taxa de câmbio pode ter sido influenciada pela divulgação do resultado consolidado do déficit primário do Governo Central, que atingiu R$ 11 bilhões em 2024, dentro da meta fiscal estabelecida. De acordo com o Tesouro Nacional, esse montante equivale a 0,09% do Produto Interno Bruto (PIB), situando-se abaixo do intervalo de tolerância de 0,25% do PIB, para cima ou para baixo. Essa divulgação, por sua vez, pode ter contribuído para a atenuação da percepção de risco em relação à política fiscal do país. No entanto, analistas destacam que o cálculo divulgado não inclui os gastos extraordinários relacionados à calamidade no estado do Rio Grande do Sul, os quais, se considerados, elevariam o déficit para 0,36% do PIB.
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