Câmbio termina a terça em baixa, na maior sequência de quedas desde a criação do real
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,7715 (-0,8%)
▼ Dollar Index (DXY): ~108,0 pontos (-0,9%)
O mercado de divisas repercutiu as perdas amplas da moeda americana após a suspensão de tarifas de importação dos EUA sobre México e Canadá e a divulgação de dados mais fracos que o esperado para o mercado de trabalho nos Estados Unidos.
Variações | No dia: -0,76% | Na semana: -1,10% | No mês: -1,10% | No ano: -6,58% | Em 12 meses: +15,85% |
Real se fortalece pela 12ª vez Após passar a manhã alternando entre perdas e ganhos, a taxa de câmbio do real apresentou firme tendência de baixa durante a tarde, encerrando um pregão abaixo de R$ 5,80 pela primeira vez desde 20 de novembro e recuando pela 12ª sessão consecutiva, a maior sequência de valorização do real desde a sua criação, em julho de 1994. O movimento veio em linha com o recuo quase generalizado da moeda americana após dados mais brandos para o mercado de trabalho dos EUA e recuo dos EUA em relação a tarifas de importação sobre México e Canadá.
Suspensão das tarifas sobre México e EUA Parte do impulso para o enfraquecimento do dólar foi resultado de uma leitura de que os EUA estão menos agressivos que o esperado na imposição de barreiras comerciais sobre outras economias, dando a impressão que são apenas ferramentas de negociação para outras prioridades e que não serão necessariamente instauradas. Desde que Donald Trump assumiu a presidência americana, o país anunciou a imposição de tarifas sobre Colômbia, Canadá, México e China, porém apenas as medidas contra produtos chineses entraram em vigor. A percepção de uma postura mais maleável de Trump quanto às tarifas diminuiu parcialmente os receios de uma “guerra comercial” dos EUA contra seus parceiros comerciais e prejudicou o desempenho do dólar frente a maior parte das moedas.
JOLTS O enfraquecimento do dólar na sessão se aprofundou após a divulgação dos números da pesquisa de abertura de vagas e turnovers ("JOLTS") dos EUA de dezembro. O levantamento apontou para uma redução do número de vagas abertas de 8,15 milhões em novembro para 7,6 milhões em dezembro, a maior queda em 14 meses. Embora o volume de vagas abertas tenha diminuído em relação ao mês anterior, destaca-se que o relatório indicou estabilidade no ritmo de admissões e de demissões, com 29 mil desligamentos a menos e 89 mil contratações a mais em comparação ao mês anterior. Nesse sentido, os resultados sugerem que, apesar da redução nas novas vagas criadas, o mercado de trabalho norte-americano não mostrou uma desaceleração abrupta, delineando um possível cenário de “pouso suave” para a economia. O "JOLTS" é o primeiro de três importantes indicadores sobre o mercado de trabalho a serem divulgados nesta semana, seguido pelo Relatório de Emprego do Setor Privado de dezembro (da ADP), na quarta-feira (05), e pelo Relatório de Situação de Emprego de janeiro (conhecido como “payroll”), na sexta-feira (07). Em especial, o “payroll” deve receber maior atenção por se tratar do primeiro indicador significativo de atividade econômica do país referente ao mês de janeiro. Por ora, contudo, a divulgação do JOLTS reforçou a percepção de que o mercado de trabalho pode continuar a desacelerar gradualmente nos próximos meses, o que aumenta a possibilidade de o Federal Reserve dispor de maior espaço para cortes de juros no futuro e, dessa forma, contribuiu para o enfraquecimento do dólar.
Razão entre vagas em aberto e desempregados nos EUA
Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.
Ata do Copom Por fim, vale destacar que o Comitê de Política Monetária (Copom) apontou na ata da sua última decisão que o cenário de inflação de curto prazo “segue adverso” e que suas projeções em seu cenário de referência (tido como mais provável) mostram que a meta contínua de inflação será descumprida em junho deste ano. Adicionalmente, o Comitê alertou que “ganharam maior probabilidade” as chances de ocorrer riscos extremos no cenário externo, tanto positivos como negativos, e que há “sinais incipientes” de que a economia brasileira possa estar se desacelerando, porém que “é necessária cautela e parcimônia na análise recente de dados de atividade”. A posição mais moderada do Comitê em sua ata reforça a expectativa de que o BC manterá um ritmo forte de altas para a taxa básica de juros (Selic), o que favorece na atração de investimentos estrangeiros e pode ter contribuído para o fortalecimento do real.
Mercado de moedas





