Câmbio fecha a quarta em forte baixa, refletindo recuo em parte das tarifas comerciais dos EUA
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,756 (-2,7%)
▼ Dollar Index (DXY): ~104,3 pontos (-1,2%)
Após dois dias sem pregões em decorrência do feriado de Carnaval, a primeira sessão da semana no mercado de câmbio brasileiro refletiu o enfraquecimento global do dólar, influenciado por sinais de maior moderação da equipe econômica do presidente norte-americano, Donald Trump, no que se refere à sua política tarifária. Os investidores também devem ter observado as divulgações de indicadores sobre a atividade econômica dos Estados Unidos, enquanto avaliam quais devem ser os próximos passos para a condução de política monetária do Federal Reserve.
Variações | No dia: -2,71% | Na semana: -2,71% | No mês: -2,71% | No ano: -6,83% | Em 12 meses: +16,15%
Movimento de enfraquecimento global do dólar A taxa de câmbio do real encerrou a sessão desta quarta-feira em forte baixa, cotada a R$ 5,756, em sintonia com o movimento global de expressiva desvalorização do dólar. Ao longo do dia, o Dollar Index (DXY), que mede a variação da moeda norte-americana frente a uma cesta de moedas fortes, recuou 1,2%. Embora o recuo tenha sido generalizado, o real apresentou o melhor desempenho entre as divisas mais líquidas, repercutindo todo o recente enfraquecimento do dólar após o mercado doméstico permanecer fechado durante o feriado de Carnaval. Desde a última sexta-feira (28), o DXY acumula queda de aproximadamente 3%.
Política tarifária dos EUA O principal fator responsável pela desvalorização global da moeda norte-americana está associado aos novos desdobramentos da política comercial dos Estados Unidos, sobretudo após a imposição, na última terça-feira (04), de tarifas de 25% sobre as importações provenientes de Canadá e México, além de uma tarifa adicional de 10% sobre produtos chineses, totalizando agora 20% (mais informações na matéria especial da StoneX). Em um primeiro momento, a expectativa de adoção dessas barreiras tarifárias, especialmente por terem sido acompanhadas de anúncios de retaliação por parte dos países afetados, tende a elevar a aversão global ao risco e, por consequência, deveria ter como efeito mais provável a elevação do dólar em escala internacional. No entanto, novos sinais de que a equipe econômica do presidente americano, Donald Trump, possa adotar postura mais moderada do que a prometida contribuíram para reverter esse quadro na sessão de hoje. Em especial, o destaque deve ter sido a declaração do Secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, que afirmou ontem (04) que autoridades norte-americanas mantiveram contato com Canadá e México “durante todo o dia” e ainda podem chegar a uma solução parcial com esses países. Lutnick observou: “Acredito que haverá algum avanço. Isso não eliminará as tarifas, mas pode modificá-las de alguma forma”. Essa sinalização, por sua vez, parece ter amenizado as tensões nos mercados internacionais, enfraquecendo o dólar globalmente.
Dados econômicos nos EUA Além disso, os investidores devem ter observado indicadores econômicos dos Estados Unidos, particularmente ao Relatório de emprego do setor privado de fevereiro (ADP) e ao Índice Gerente de Compras (PMI) de serviços de fevereiro, divulgado pelo ISM. O relatório da ADP surpreendeu negativamente ao mostrar a criação de apenas 77 mil vagas de emprego em fevereiro, ante expectativa mediana de 141 mil. Em contrapartida, o PMI de serviços superou a projeção de 52,5 pontos, atingindo 53,5 pontos (valores acima de 50 sinalizam expansão), revertendo uma leitura mais fraca observada em janeiro. Embora o desempenho do setor de serviços tenha sido positivo, o dado de emprego mais fraco sugere a possibilidade de maior flexibilização da política monetária pelo Federal Reserve, o que tende a reduzir a atratividade dos títulos norte-americanos e, portanto, reforçar o movimento de desvalorização global do dólar.




