A autoridade monetária brasileira injetou nesta quinta meio bilhão de dólares em oferta líquida de contratos de swap cambial tradicional, na primeira operação do tipo desde março, conseguindo amenizar a pressão no mercado de câmbio depois de o dólar superar R$ 5,30 mais cedo. O lote total somava 10 mil contratos, com 3.500 datados para 3 de janeiro de 2022 e 6.500 para 2 de maio 2022. Ainda assim, a taxa de câmbio emendou seu oitavo aumento diário consecutivo, avançando seguidamente desde 29 de junho – a maior sequência de desvalorizações desde janeiro de 2014. No mês, a alta acumulada já é de 5,6%.
O swap é um derivativo que permite a troca de taxas ou de rentabilidade de ativos financeiros. No caso do swap cambial tradicional ofertado pelo BC, o título paga ao comprador a variação da taxa de câmbio acrescida de uma taxa de juros (chamado de cupom cambial). Em troca, o BC recebe a variação da taxa Selic. O objetivo do Banco Central ao recorrer a esse instrumento é influenciar o mercado de câmbio, proporcionando liquidez ao mercado e “hedge” (proteção contra variações bruscas na taxa de câmbio). A venda de contratos de swap cambial funciona, na prática, como uma disponibilização de dólares no mercado futuro.
O cenário doméstico é agravado pela turbulência política oriunda de Brasília, principalmente das denúncias e investigações a partir da CPI da Covid-19 do Senado. No dia de hoje, também, foi divulgada nova pesquisa Datafolha apontando que a rejeição ao governo Bolsonaro cresceu a 51%, maior patamar desde o início de seu governo.
A instabilidade no quadro político, como um todo, aumenta a incerteza do ambiente de negócios e pode resultar na exigência de maiores prêmios de risco por parte dos investidores. Como consequência, a atratividade da moeda brasileira pode ser afetada negativamente.
Dentre os indicadores divulgados nesta quinta, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o mês de junho foi de 0,53%, ante uma alta de 0,83% em maio. De janeiro a junho, o IPCA acumula elevação de 3,77% e, nos últimos 12 meses, de 8,35%, acima do limite máximo da meta definida pelo Banco Central para o ano de 2021, de 5,25%. Mais uma vez o mês teve como destaque os preços administrados, com o maior impacto individual proveniente da conta de luz, que registrou um aumento de 1,95% em junho, crescimento menor que em maio (5,37%). Tal desempenho deveu-se à adoção da bandeira tarifária vermelha patamar 2, que adicionou R$ 6,243 a cada 100 kWh consumidos no mês de junho, e acrescentará R$9,492 no mês de julho.
No cenário externo, pela manhã, o Banco Central Europeu (BCE) anunciou que adotará uma nova meta de inflação em suas diretrizes para a política monetária, passando de um objetivo de em atingir uma inflação “abaixo, mas perto de 2%”, para buscar uma inflação de médio prazo “simétrica” em 2%. Há quase uma década o BCE lança mão de diversas ferramentas para manter em vigor uma política monetária expansionista, mas enfrenta dificuldades em se aproximar da meta proposta de estabilidade de preços.
A alteração indica uma postura levemente mais acomodatícia, com a nova meta indicando que a autoridade monetária se comprometerá com a manutenção dos atuais níveis de estímulos econômicos, tolerando uma eventual aceleração da inflação por um período maior. Todavia, a presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou que esta não será uma meta de inflação média como a adotada pelo Federal Reserve, indicando que, apesar de admitir eventuais desvios para cima ou para baixo de 2%, uma inflação acima da meta não seria aceita por um longo período. O BCE também destacou não estar satisfeito com o cálculo atual de inflação, pois esta não considera grande parcela dos custos com habitação, e que passará a incorporar “custos de moradias ocupadas pelo proprietário para suplementar suas medidas de inflação mais amplas”.
Em meio a dados insatisfatórios para os pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, postura mais expansiva pela autoridade monetária europeia e temores de disseminação da variante delta da Covid-19, que poderia limitar as perspectivas de crescimento da economia global no segundo semestre, os agentes elevaram os investimentos na moeda europeia, que registrou valorização de 0,4% frente ao dólar na sessão. Neste contexto, o dollar index recuou de seu maior patamar em 3 meses para encerrar cotado a 92,4 pontos, queda de 0,2%. Por outro lado, o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan encerrou o dia praticamente estável.