O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos se elevou em 0,9% no mês de maio, após avançar 0,6% no mês anterior, informou o Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) nesta terça-feira. Este é o maior ganho mensal desde junho de 2008. Em 12 meses, o índice acumula acréscimo de 5,4%, maior registro também em 13 anos. Excluindo-se os componentes voláteis de alimentos e energia, o chamado núcleo do índice, o aumento na passagem de maio para junho foi de igual valor, 0,9%. Já no acumulado em 12 meses, o núcleo do índice cresceu 4,5%, maior valor desde novembro de 1991. Tais valores superaram a mediana das expectativas dos analistas, que aguardavam uma aceleração de 0,5% para o índice geral de preços e de 0,4% para o núcleo do índice.
Contribuíram para esta elevação do nível de preços os segmentos de veículos usados, veículos novos, passagens aéreas e vestuário. O avanço da imunização contra a Covid-19, o relaxamento das medidas de restrição ao funcionamento da economia e os estímulos fiscais e monetários estão estimulando a demanda, ao passo que a cadeia de suprimentos está enfrentando gargalos produtivos, resultando em pressão no nível de preços.
Mais cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) para o mês de maio, que revelam que o setor apresentou crescimento de 1,2% na passagem de abril para maio, ficando ligeiramente (+0,2%) acima do patamar pré-pandemia. No comparativo com maio de 2020, o aumento no volume de serviços prestados é de 23,0%. Com a redução do número de novos casos de Covid-19 e, consequentemente, das medidas restritivas para o seu combate, o setor volta a apresentar sinais de aquecimento em seus componentes, ainda que de forma desigual.
De acordo com Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa, apenas dois segmentos não recuperaram o nível de atividade anterior ao da pandemia: serviços prestados às famílias (continua 29,1% abaixo); e serviços profissionais, administrativos e complementares (estando 2,7% abaixo). Contudo, ambos apresentaram crescimento na pesquisa de maio, de 17,9% e 1,0%, respectivamente. Por outro lado, o segmento de armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio, que se expandiu em 3,6% em maio, atingiu o índice mais alto na série histórica da PMS.
Ainda nesta terça, o relator do projeto de reforma do Imposto de Renda, deputado Celso Sabino (PSDB-PA), apresentou seu parecer em que prevê uma redução na tributação das empresas, mas mantém a taxação em 20% da renda de dividendos. Segundo Sabino, o parecer inclui “aperfeiçoamentos” após ampla discussão que incluiu a equipe econômica e a Receita Federal, e prometeu se esforçar para aprovar a proposta ainda este ano para que as mudanças tenham validade para 2022, conforme prevê a legislação tributária. De acordo com a proposta, empresas com lucro de 20 mil reais terão a tributação reduzida de 15% para 2,5% até 2023, ao passo que a tributação para as empresas com lucro acima de 20 mil reais passará de 25% para 12,5%.
"A gente está colocando na menor faixa da OCDE, que é 20% (tributação sobre dividendos), e estamos com isso reduzindo a alíquota do imposto de renda de pessoa jurídica de 15% para 2,5%", afirmou o relator, em entrevista coletiva após o encontro. Sabino afirmou que pretende protocolar suas alterações até sexta-feira (16) e acredita que o texto está pronto para discussão.
A surpresa com os dados acima do previsto para a inflação ao consumidor serviu de combustível para o rali da moeda americana nos mercados internacionais nesta terça-feira. Ante uma cesta de divisas de economias avançadas, o dólar acumulou alta de 0,6% - a mais expressiva desde meados de junho, quando houve a divulgação das projeções dos membros do FOMC e de sua última decisão de política monetária. Com o impulso, o dollar index encerrou o dia cotado a 92,8 pontos, seu fechamento mais elevado desde o início de abril. A divisa americana também se valorizou ante a diversos pares do real, como o peso chileno, o peso mexicano e o rand sul-africano, contribuindo para a queda do Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan, que encerrou o dia com variação de -0,4%.
O movimento global da moeda americana repercutiu, em grande medida, a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, que foram propelidos pela aceleração do CPI de junho e pela perspectiva de taxas de juros mais elevadas no futuro. A forte variação do índice de preços favorece as apostas de que o Fed possa antecipar a transição para uma política monetária menos expansionista do que a atual, ou seja, podendo revisar seu programa de compra de ativos e a meta para a taxa de juros antes do que o esperado.