Durante audiência ao Congresso dos EUA no dia de hoje, o presidente do Fed reassegurou que qualquer movimento para reavaliar os instrumentos de política monetária, como a política de compra mensal de ativos ou as taxas de juros, ainda está distante. Powell esclareceu que o banco central continuará a oferecer “poderoso apoio” à economia estadunidense “até que a recuperação econômica esteja completa”, afirmando aos congressistas que, embora o nível de atividade econômica esteja progredindo, um avanço substantivo ainda não foi atingido e, em função disso, os estímulos econômicos devem se manter inalterados.
O representante da autoridade monetária admitiu que os índices de inflação aumentaram significativamente e que provavelmente se manterão em patamares elevados pelos próximos meses. Contudo, em sua opinião, as raízes de tal elevação de preços são temporárias e serão aplacadas à medida que os setores produtivos retornem à normalidade. “A forte demanda em setores que tiveram a produção limitada por gargalos produtivos ou outras restrições de oferta resultou em um aumento especialmente rápido dos preços para alguns bens e serviços, situação que deve ser parcialmente revertida na medida em que se dissipem os efeitos desses gargalos”, declarou Powell.
Da mesma forma, o presidente do Fed observou que ainda há um “longo caminho” a ser percorrido no mercado de trabalho americano, principalmente para pessoas não-brancas. Em sua avaliação, a situação do emprego deve melhorar progressivamente nos próximos meses conforme as restrições impostas pelo combate à pandemia de Covid-19 sejam reduzidas.
Mais cedo, o Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) divulgou o índice de preços para o produtor (PPI) com uma aceleração de 1,0% em relação ao mês de maio, acima da mediana das expectativas dos analistas, que era de 0,6%. O índice já havia registrado aumento de 0,8% em maio e 0,6% em abril, e, acumulado em 12 meses, assinala alta de 7,3%, maior registro desde o início da série histórica, em novembro de 2010. Em função da ocorrência de gargalos produtivos, de preços mais elevados das commodities, de custos dos salários maiores e de estoques reduzidos, os níveis de preços ao produtor têm superado as expectativas nos últimos meses. Tais pressões sobre os produtores podem significar custos mais elevados para bens de consumo, o que resultaria, por sua vez, em perda de poder de compra das famílias no futuro.
Ainda nesta manhã, durante evento virtual, Paulo Guedes afirmou que a proposta de reforma tributária do governo tem diretrizes muito claras e que vai arrecadar mais sobre dividendos pagos aos investidores, ao mesmo tempo em que reduzirá o Imposto de Renda (IR) para os trabalhadores assalariados. Guedes afirmou que não quer tributar empresas, mas sim os seus proprietários ricos, e garantiu que o pacote de mudanças discutidas no Congresso não aumentará a carga de impostos.
O ministro concedeu que, caso aprovadas, essas medidas provavelmente resultarão em perdas de receitas, o que seria compensado pelo próprio crescimento econômico. Segundo ele, as reduções de arrecadação fiscal estão estimadas em R$100 bilhões, divididas em R$ 20 bilhões oriundos do reajuste da tabela do IR sobre pessoas físicas, R$ 40 bilhões provenientes da diminuição da alíquota do IR para pessoas jurídicas e R$40 bilhões da revisão de subsídios setoriais. Por outro lado, os impostos sobre dividendos devem trazer uma receita estimada de R$60 bilhões.
A postura expansionista de Powell mesmo diante de dados mais elevados de inflação refletiu no valor da divisa americana nos mercados internacionais. O dólar registrou recuo de 0,4% ante uma cesta de divisas de economias avançadas, com o dollar index encerrando o dia cotado a 92,4 pontos. A divisa americana também se desvalorizou ante a diversos pares do real, como o peso chileno, o peso colombiano, o peso mexicano, a lira turca, o rand sul-africano e o rublo russo, contribuindo para uma expansão do Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan, que encerrou o dia com variação de +0,6%.