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Câmbio deve refletir decisão do Copom

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Durante o dia, o vice-presidente do Fed, Richard Clarida, afirmou durante evento virtual nesta tarde que enxerga condições para um anúncio de uma redução no ritmo de compras do programa de ativos do Fed ainda este ano “se [seu] cenário básico se materializar”. De acordo com o representante da autoridade monetária, a economia dos Estados Unidos está progredindo satisfatoriamente para atingir suas metas de pleno emprego e de inflação moderada até o fim de 2022. Caso essas metas sejam atingidas, afirmou, ele acredita que seria “totalmente consistente” o “início da normalização da política [monetária]”, isto é o início da elevação das taxas de juros em fins de 2022 ou início de 2023. Clarida declarou, ainda, que acredita que a atual aceleração do nível de preços, substancialmente acima da meta de longo prazo de 2% do banco central estadunidense, se deve a fatores passageiros, mas concedeu que há riscos altistas em sua previsão. O vice-presidente do Fed relatou que o emprego está se recuperando mais lentamente do que o desejado, visto que a reabertura da economia ocorre de forma menos veloz que o seu fechamento. Por fim, observou que a rápida disseminação da variante Delta do coronavírus é um risco baixista em suas estimativas, mas acrescentou que, caso confirmadas, as projeções atuais para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA neste ano "estabeleceriam o retorno mais rápido após uma recessão" em 50 anos. Tais declarações do representante da autoridade monetária geraram a percepção de que o banco central americano possa reduzir suas medidas de estímulo monetário antes que o anteriormente antecipado, o que, por sua vez, favorece um fortalecimento do dólar perante outras divisas ao elevar a perspectiva de rentabilidade na principal moeda do mercado financeiro.
No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro afirmou em entrevista que o governo busca elevar o valor médio dos benefícios do Bolsa Família para o próximo ano através de Medida Provisória (MP), passando de cerca de R$ 190 para “no mínimo a [R$] 300, podendo chegar a [R$] 400”. Contudo, o presidente reconheceu que não há previsão de recursos para tal reajuste até o momento, mas que segue procurando soluções. “Eu tenho buscado com a equipe econômica, dentro da responsabilidade. O ideal seria 400 reais o novo valor”. Segundo o Ministério da Economia, a intenção inicial era de que o novo valor do benefício fosse de R$ 250, porém Bolsonaro passou a exigir R$ 300 há algumas semanas. A solução encontrada seria uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para modificar o pagamento de precatórios. Nessa proposta, dívidas de até 60 salários-mínimos seriam pagas integralmente à vista, enquanto precatórios acima dos R$ 66 milhões seriam escalonados em uma entrada de 15% e nove parcelas sequenciais. Além disso, seria estabelecido um fundo com ativos da União e receitas de dividendos, concessões, privatizações e leilões do pré-sal para quitar esses volumes parcelados fora do teto de gastos. De acordo com reportagem do jornal Valor Econômico, tanto a MP do Bolsa Família como a PEC dos precatórios se encontram prontas para ser encaminhadas ao Congresso Nacional.
A percepção de risco fiscal se elevou após falas recentes do Ministro da Economia de que os precatórios para 2022 seriam um “meteoro” para o qual o governo não possui capacidade de pagamento e de que “havia fumaça no ar” quanto a propostas de viabilizar o reajuste do Bolsa Família através de despesas extraordinárias (que não são contabilizadas dentro do teto de gastos do governo). Uma maior percepção de risco, como um todo, aumenta a incerteza do ambiente de negócios e pode resultar na exigência de maiores prêmios de risco por parte dos investidores. Como consequência, a atratividade da moeda brasileira pode ser negativamente afetada.
Após o fechamento do mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) se congrega para sua quinta reunião anual de decisão de política monetária, e muito se discute sobre quais serão as deliberações adotadas pelo Copom. Na semana anterior, o FOMC não alterou os instrumentos de estímulo à economia estadunidense e adotou um discurso comprometido com a recuperação do nível de atividade e do mercado de trabalho. Nesta conjuntura de maior crescimento, preços mais elevados e bancos centrais das economias avançadas mantendo o nível de estímulos monetários e fiscais, os analistas esperam que o Banco Central brasileiro adotará um discurso firme no combate às taxas de inflação mais elevadas registradas recentemente no país, e que o Copom poderá subir a taxa básica de juros (Selic) em um ponto percentual na reunião da próxima semana, ao invés do 0,75 ponto percentual que havia indicado em seu último comunicado. As instituições financeiras pesquisadas no boletim Focus aguardam um aumento de 2,75 pontos percentuais na Selic para as próximas quatro reuniões do Comitê de Política Monetária, distribuídos na adição de 1 ponto percentual na reunião de agosto, 0,75 ponto percentual na reunião de setembro e 0,50 ponto percentual nas reuniões de outubro e dezembro. Uma perspectiva do BC atuando de forma mais contracionista aumenta a perspectiva do diferencial de juros em relação a outras economias, elevando a rentabilidade dos investimentos no Brasil e influenciando a entrada de divisas, o que, por sua vez, contribui com a tendência de valorização do real.
No exterior, a divisa americana ganhou força com os comentários de Clarida e o dollar index encerrou o dia cotado a 92,3 pontos, variação diária de 0,2%. As divisas de diversos pares do real, como o peso chileno, o peso mexicano, a lira turca, o rand sul-africano e o rublo russo, recuaram ante a divisa americana, e o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan encerrou a sessão com perda de 0,2%.
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