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Fechamento de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar fecha o dia em alta, cotado a R$ 5,22
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Câmbio refletiu incertezas no cenário político e fiscal

O par real/dólar avançou nesta quarta-feira (11), encerrando a sessão cotado a R$ 5,220, aumento de 0,5% frente ao fechamento da véspera. A taxa de câmbio apresentou tendência de elevação em função da percepção de maiores riscos fiscais e políticos no país, provocados, respectivamente, pelos contínuos ataques do presidente Jair Bolsonaro ao Superior Tribunal Eleitoral e à integridade das eleições, por um lado, e pela presença de dispositivo na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos precatórios que altera a possibilidade do governo se endividar para cobrir despesas correntes – algo que demanda autorização do Congresso atualmente. É digno de nota, também, que as vendas do varejo brasileiro recuaram 1,7% em junho, desapontando as estimativas de analistas. No exterior, o destaque foram os números melhores do que o esperado para o índice de preços ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos, que avançou em 0,5% no mês de julho.

Dólar à vista - Intraday (10 minutos)
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

O mercado de divisas repercutiu uma percepção de riscos políticos e fiscais no país. Na noite de ontem, o plenário da Câmara rejeitou, por 229 votos a favor e 218 contra a PEC do comprovante impresso do Voto, que foi apreciada mesmo após a proposta já ter sido derrotada em comissão especial. A proposta precisava de, no mínimo, 308 votos para ser aprovada. Este tema é uma das bandeiras recentes do presidente Jair Bolsonaro, que realizou diversos ataques ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal por se oporem à matéria. Mesmo com a derrota, o presidente da República tornou a criticar seus adversários e a integridade das eleições no Brasil. “Hoje em dia sinalizamos uma eleição (...) onde não vai se confiar no resultado das apurações. (...) Não tem explicação o que estão fazendo. Querem na verdade levar, eleger, uma pessoa na fraude”, alegou.

Contribui para essa percepção notícias de diversos jornais, na noite de ontem, relatando que a PEC que prevê o parcelamento do pagamento dos precatórios continha, em seu texto, uma mudança à denominada “regra de ouro”, que não permite ao Executivo contrair dívidas para financiar despesas correntes. Atualmente, a Constituição prevê que as operações de crédito da União só podem superar as despesas de capital em um mesmo exercício se o governo obtiver autorização do Congresso, com a aprovação dos chamados créditos suplementares, o que demanda maioria absoluta de votos.

Pelo texto da proposta, na aprovação da Lei Orçamentária Anual, já se poderia estipular um valor de créditos suplementares “pré-aprovados”, que só seriam utilizados caso, ao longo do ano, as despesas correntes superassem as receitas. Tal mudança na regra de ouro não havia sido detalhada pelo Tesouro na coletiva de imprensa sobre a PEC, que acabou divulgando nota no fim da noite de terça, argumentando que o atraso para aprovação do orçamento pelo Congresso colocava “em risco” despesas com o departamento de pessoal e que tal mudança visava a “aprimorar e agilizar o procedimento atual”.

No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou pela manhã que as vendas no varejo recuaram em 1,7% na passagem de maio para junho, de acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços. O dado surpreendeu analistas, que esperavam crescimento de 0,7% no mês, visto que as vendas haviam se expandido em 2,7% em maio e 2,5% em abril. “Apesar dessa queda, o varejo ainda se encontra acima do patamar de fevereiro de 2020, ou seja, de antes da pandemia. Mas, na comparação com o patamar recorde da série, que é de outubro de 2020, o setor está 3,9% abaixo”, afirmou, em nota, o gerente da pesquisa, Cristiano Santos. Cinco das oito atividades investigadas pela pesquisa recuaram na passagem de maio para junho, e a queda mais intensa foi a do setor de tecidos, vestuário e calçados (-3,6%), categoria que permanece abaixo do patamar de fevereiro do ano passado.

No comparativo com o mesmo mês do ano anterior, as vendas no varejo registraram alta de 6,3% em junho, sendo o quarto mês consecutivo em retomada. Apesar de ter se atenuado, o ganho anual expressivo se dá, em grande medida, pela base de 2020 enfraquecida devido aos impactos da pandemia sobre o comércio. Entre os setores com maior crescimento anual nas vendas, destacam-se tecidos, vestuário e calçados (61,8%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (22,6%) e livros, jornais, revistas e papelaria (17,1%).

Em junho, o comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças e material de construção, registrou recuo mais expressivo, de 2,3% ante o mês precedente, anulando parte do crescimento de 3,2% registrado em maio. O resultado negativo mensal se deveu à contração de 0,2% da comercialização de veículos e peças, apesar da alta de 1,9% das vendas de material de construção. Em 12 meses, o volume de vendas do varejo ampliado cresceu 7,9% favorecido pelo ritmo de recuperação do setor automotivo, com alta de 8,3%.

Também mais cedo, o Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) divulgou que o índice de preços para o consumidor (CPI) para os Estados Unidos se acelerou em 0,5% no mês de julho, em linha com as projeções de mercado. No mês anterior, o índice já havia registrado um aumento de 0,9% e, em 12 meses, o CPI acumula alta de 5,4%. Por outro lado, o chamado “núcleo” da inflação, que exclui os componentes mais voláteis de alimentos e energia, aumentou 0,3% em julho, abaixo da mediana das expectativas dos analistas, que apontava para 0,4%. Em função da recuperação econômica após as medidas de contenção para a pandemia, os dados de inflação têm superado as expectativas nos últimos meses e há certa divergência quanto ao seu caráter mais inercial (ou, de outra forma, mais transitório).

Entre os itens com variação mais expressiva de preços em julho, merecem menção as altas dos preços dos combustíveis, como a gasolina (2,4%) e o gás natural encanado (2,2%), seguidas dos preços de veículos novos (+1,7%) e dos preços de carne, frango, peixe e ovos (+1,5%) e cereais e produtos de panificação (+1,2%).
Considerando-se a inflação subjacente, ao descontar os preços de alimentos e combustíveis, a alta 0,3% em julho correspondeu a uma desaceleração em relação aos últimos meses, sendo a variação mais comedida do núcleo do CPI em quatro meses. Após os avanços expressivos nos preços de veículos usados entre o primeiro e segundo trimestres deste ano, a categoria registrou alta de apenas 0,2% no mês passado, 10,3 p.p. abaixo da variação de junho.

Os dados do CPI divulgados nesta quarta-feira reforçaram a leitura de que a inflação nos Estados Unidos possa ter fundamentos mais temporários, o que pode se traduzir em uma menor disposição do Federal Reserve em alterar a postura da política monetária no sentido de retirar estímulos monetários.
No exterior, o dollar index repercutiu a perspectiva de manutenção do cenário de liquidez na economia americana. O valor da divisa estadunidense frente a uma cesta de moedas de economias avançadas terminou o dia cotado a 92,9 pontos, variação diária de -0,2%. Divisas pares do real, como o peso chileno, o peso colombiano, o rand sul-africano e o rublo russo se valorizaram perante o dólar, e o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan encerrou a sessão com ganho de 0,4%.

  • Moedas

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