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Fechamento de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar encerra terça em nova alta,
cotado a R$ 4,99
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Câmbio reflete forte aversão aos riscos tanto externa como internamente

O par real/dólar emendou sua terceira alta consecutiva nesta terça-feira (26) e encerrou a sessão negociado a R$ 4,990, variação de +2,3% ante à véspera e de +8,0% nos últimos três dias. Já o dollar index se mantém em forte rali e terminou o pregão cotado a 102,4 pontos, ganho de 0,6% em relação ao fechamento de ontem e o maior valor para o DXY desde 19 de março de 2020. O mercado de divisas repercutiu mais um pregão de forte pessimismo devido às perspectivas de redução do crescimento econômico global, que, por sua vez, refletem as expectativas de uma contração monetária intensa e veloz pelo Federal Reserve e o recrudescimento das medidas de isolamento na China para contenção da variante ômicron do coronavírus. A contínua desvalorização do real frente ao dólar motivou o Banco Central a realizar um leilão extraordinário de swap cambial tradicional em um total de US$ 500 milhões (10 mil contratos), porém tal medida não foi capaz de alterar a trajetória do câmbio ao longo do dia.

O dólar negociado no mercado interbancário emendou seu terceiro pregão seguido de alta ao encerrar esta terça-feira (26) cotado a R$ 4,990, avanço de +2,3% no dia e de +8,0% no acumulado em três dias. A rápida escalada do câmbio forçou o BC a intervir novamente, desta vez no mercado futuro de câmbio, atenuando momentaneamente a cotação, mas que logo retornou a beirar os R$ 5,00.

O principal determinante do enfraquecimento do real perante o dólar é a própria apreciação da moeda americana internacionalmente. O Dollar Index, que pondera a cotação da divisa americana diante de seis moedas avançadas, está em um rali quase ininterrupto nos últimos vinte dias, acumulando uma valorização de 4,6% no período e atingindo seu maior patamar em mais de dois anos. Dentre as razões que impulsionam os ganhos do dólar, é importante destacar a rápida mudança de postura do Federal Reserve (Fed) nos últimos meses, sinalizando a propensão a adotar um rápido e contundente processo de aperto monetário a fim de conter a aceleração de preços disseminada e prolongada nos Estados Unidos. De acordo com a ferramenta CME FedWatch, o mercado de juros aposta em uma sequência de seis aumentos consecutivos na taxa primária de juros no país, o que já é incomum, com o predomínio de apostas indicando um reajuste de 0,50 p.p. em maio, seguido por um de 0,75 p.p. em junho, e por outro de 0,50 p.p. em julho. Isso seria ainda mais raro, visto que o último acréscimo de 0,50 p.p. pelo Fed foi em 2002 e o último de 0,75 p.p., em 1994. A elevação das taxas de juros nos Estados Unidos torna os títulos denominados em dólar mais atraentes, vistos que rendem mais juros na principal moeda do sistema financeiro internacional, e redireciona os fluxos de investimentos de economias mais frágeis para os EUA.

Contribui para o ambiente de pessimismo, também, a disseminação da variante ômicron do coronavírus pela China mesmo diante do recrudescimento das medidas de isolamento pelas autoridades do país. Hoje, o governo central decidiu testar praticamente toda a cidade de Pequim a fim de debelar na fase inicial um surto na cidade. 75% dos bairros serão obrigados a participar da testagem em massa obrigatória, e eles cobrem 20 dos 22 milhões de habitantes da capital. Enquanto isso, o confinamento em Xangai prossegue em sua quinta semana, com relatos de carência de alimentos e outros suprimentos básicos em função de manter a logística e as atividades essenciais da cidade em funcionamento durante um “lockdown” tão longo. O governo chinês está mantendo as apostas em sua política de “Covid zero” mesmo frente uma variante altamente contagiosa e acumulando custos econômicos, humanos, sociais e políticos cada vez mais elevados para benefícios cada vez menores. Agentes dos mercados financeiros se preocupam com os impactos dessa postura rígida nas cadeias produtivas e de suprimentos globais, bem como na desaceleração econômica da maior nação industrial do planeta.

Por fim, os ruídos causados por mais uma crise institucional no Brasil entre os Poderes da República também afastam investidores da moeda brasileira. Hoje, a ministra Rosa Weber, do STF, deu prazo de dez dias para que a Presidência da República se manifeste sobre as ações de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) ingressadas por quatro partidos de oposição (Rede Sustentabilidade, PDT, Cidadania e PSOL) na suprema corte. O prazo dilatado para resposta força um adiamento do julgamento pelo STF e é uma forma de permitir o apaziguamento da crise. Em sua decisão, a ministra ainda determinou que as quatro ações sejam julgadas diretamente no plenário da corte por ter “relevância e especial significado para a ordem social e a segurança jurídica”. Em outra decisão, desta vez sobre o descumprimento a medidas cautelares, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que a defesa de Daniel Silveira se pronuncie em 48 horas sobre o decreto do presidente bem como sobre o descumprimento do uso de tornozeleira eletrônica e da proibição de conceder entrevistas. Em seu despacho, Moraes reafirmou que o indulto presidencial extingue apenas a pena (prisão em regime fechado), mas não os efeitos secundários da condenação, como a perda dos direitos políticos.

Na quinta-feira, um dia após o STF condenar, por dez votos a um, Silveira pelos crimes de coação no curso do processo e atentado ao Estado Democrático de Direito, o líder do Executivo decretou perdão ao parlamentar por meio de uma “graça constitucional” – medida inédita para a Constituição de 1988 e forma de indulto sem utilização desde dezembro de 1945. O deputado havia sido condenado a regime fechado, multa de R$ 200 mil, perda do mandato e dos direitos políticos. Em suas ADPF, em suma, os partidos alegam o desvio de finalidade do uso do perdão presidencial, além da violação dos princípios da impessoalidade e moralidade, ao afirmar que a graça concedida a Silveira não visa ao interesse público, mas ao interesse pessoal do presidente em proteger um aliado.

No cenário externo, a forte aversão aos riscos impulsionou mais uma vez o dollar index, que terminou o pregão cotado a 102,4 pontos, ganho de 0,6% em relação ao fechamento de ontem e o maior valor para o DXY desde 19 de março de 2020. Moedas pares do real, como o peso colombiano, o peso mexicano, a lira turca, o rand sul-africano e o rublo russo se desvalorizaram perante a divisa americana, e o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan terminou a sessão cotado a 51,964 pontos, variação de -0,8% ante à véspera.

  • Moedas

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