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Dólar recua com expectativas por avanços no Oriente Médio, mas cenário eleitoral limita queda

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
O par real/dólar recuou durante todo o dia e devolveu quase toda a alta de ontem nesta terça-feira (03), encerrando a sessão negociado a R$ 4,965, variação de -2,1% ante à véspera. Já o dollar index também se desvalorizou e terminou o pregão cotado a 103,4 pontos, recuo de 0,3% em relação ao fechamento de segunda-feira. O mercado de divisas repercutiu a oferta de US$ 1,0 bilhão pelo Banco Central (BC) no mercado futuro de divisas logo no início do pregão, o que ajudou a definir a trajetória de fortalecimento do real desde o começo do dia. Além disso, a divisa brasileira acompanhou o movimento global de ganhos frente à moeda americana em uma sessão de realização de lucros às vésperas das decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos a serem anunciadas amanhã. Há quase consenso de que o Federal Reserve deverá aumentar suas taxas de juros em 0,50 ponto percentual pela primeira vez em 22 anos e indicar que deve permanecer agressivo em seu aperto monetário ao longo de 2022 a fim de conter a aceleração de preços no país. No Brasil, as apostas majoritárias apontam para uma alta de um ponto percentual, de 11,75% para 12,75% ao ano, na taxa básica de juros (Selic), porém a maior dúvida é sobre a sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre um possível reajuste na reunião de junho. É digno de nota, também, que o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), se reuniu nesta terça com o presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, para debater a crise entre os Poderes da República.
O dólar negociado no mercado interbancário caiu 2,1% nesta terça após ter subido 2,6% na véspera, em oscilações de amplitude incomuns para o mercado de câmbio. Hoje, a cotação da taxa de câmbio despencou em 11 centavos e caiu abaixo do patamar psicológico de R$ 5,00 um dia antes das decisões dos comitês de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, a saber, Comitê de Política Monetária (Copom), aqui, e Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), lá. Tanto o Brasil como os EUA enfrentam aceleração em seus índices inflacionários, cujo impulso principal é resultado dos aumentos dos preços internacionais de commodities alimentícias, metálicas e energéticas decorrentes da guerra russo-ucraniana. Contudo, cada banco central se encontra em um estágio distinto de enfrentamento à aceleração de preços. De um lado, o Copom vem elevando sua taxa básica de juros (Selic) desde março de 2021, quando se encontrava em 2,00% ao ano, e o presidente do Banco Central já sinalizou que pretende encerrar logo o ciclo de contração monetária – a mediana das apostas aponta para o nível de 13,25% a.a. em junho. Por outro, o FOMC iniciou sua trajetória de reajustes de juros na última reunião, e há uma expectativa majoritária de que o Federal Reserve deve ser incomumente agressivo em seu aperto monetário em 2022. Ao passo que a taxa referencial de juros americana se encontrava entre 0,00% e 0,25% ao ano em janeiro, a mediana das estimativas aposta para um intervalo entre 3,00 e 3,25% em dezembro.
Além disso, o fortalecimento do real repercutiu o anúncio antecipado de um leilão extraordinário pelo Banco Central no mercado futuro de câmbio. Ontem, às 18h00min, a autarquia informou que compraria até US$ 1,0 bilhão de dólares (20 mil contratos) entre as 09h30min e 09h40min de hoje em novos contratos de swap cambial com vencimentos para 01 de dezembro de 2022 ou 03 de abril de 2023, aumentando a liquidez para as operações de venda da moeda americana. A taxa de câmbio já “precificou” essa informação desde o começo do pregão, e a queda durante esses dez minutos de intervenção efetiva foi de apenas um centavo (de aproximadamente R$ 5,04 para aproximadamente R$ 5,03). A autarquia já havia feito outras duas intervenções recentemente, uma em 22 de abril e outra em 26 de abril.
Vale ressaltar, ainda, que o presidente do Senado e o presidente do STF se reuniram na tarde de hoje para discutir a crise entre os Poderes da República. Em entrevista a repórteres após o encontro, Rodrigo Pacheco falou da necessidade de manter o diálogo com o objetivo de “preservação da democracia” e o “respeito” entre os poderes. “Não podemos permitir que o acirramento eleitoral interfira na boa relação que deve existir entre Poder Judiciário, Poder Executivo e Poder Legislativo (...) Considero que os chefes de poderes têm obrigação de conversar entre si para deter a escalada de uma crise”, declarou Pacheco. As tensões entre os poderes se elevaram após o presidente da República, Jair Bolsonaro, afrontar a Suprema Corte com um indulto ao deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) apenas um dia após sua condenação pelo colegiado do STF, retomar seus ataques ao processo eleitoral, tornar a solicitar a mediação de militares na contagem de votos no pleito de outubro e convocar e comparecer em atos contra a suprema corte do país, neste domingo.
Por fim, é digno de nota que a as restrições à circulação na capital chinesa estão aumentando à medida que o governo tenta evitar que Pequim passe por um confinamento tão rígido e traumático quanto Xangai. 12 dos 16 distritos da capital irão testar novamente todos os seus moradores e locais públicos permanecerão fechados por mais uma semana. Em Xangai, após alguns distritos não apresentarem novos casos do coronavírus, foram autorizados a retomar parcialmente algumas atividades ao ar livre, no primeiro sinal de relaxamento em cinco semanas. Contudo, a maior parte da cidade permanece em rígido isolamento.
No cenário externo, o dollar index se desvalorizou e terminou o pregão cotado a 103,4 pontos, recuo de 0,3% em relação ao fechamento de segunda-feira. Moedas pares do real, como o peso chileno, o peso mexicano, a lira turca, o rand sul-africano e o rublo russo se valorizaram perante a moeda americana, e o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan terminou a sessão cotado a 52,239 pontos, variação de +0,3% ante à véspera.
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