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Fechamento de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio encerra a quarta em redução,
cotado a R$ 4,902
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Dólar despenca após coletiva de imprensa do Federal Reserve
Após passar quase todo o dia em elevação, a taxa de câmbio apresentou forte queda no fim desta quarta-feira (03), encerrando a sessão negociada a R$ 4,902, recuo de 1,3% em relação ao fechamento de ontem. Já o dollar index também despencou e terminou o pregão cotado a 102,5 pontos, variação de -0,9% ante à véspera. O mercado de divisas repercutiu a decisão de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed), que reajustou em 0,50 ponto percentual a taxa de juros de referência (federal funds rate), elevando-a para a faixa entre 0,75% a.a. e 1,00% a.a. Além disso, o banco central americano irá reduzir a quantidade de ativos em seu balanço patrimonial a partir de 01 de junho. Ambas as decisões vieram em linha com as estimativas de analistas de mercado, que as previam em quase uníssono. Contudo, declarações do presidente do Fed, Jerome Powell, de que o FOMC não está “ativamente considerando” um possível reajuste de 0,75 p.p. à taxa de juros estadunidense provocaram uma injeção de apetite por riscos e fortes movimentações nos mercados financeiros globais. É importante ressaltar que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil também deve divulgar sua decisão para a taxa básica de juros (Selic) ainda hoje, às 18h30min. Por fim, é digno de nota que a União Europeia deve propor um bloqueio total à importação de petróleo russo para o bloco, com aplicação em etapas.
Variações | No dia: -1,26% | Na semana: -0,84% | No mês: -0,84% | No ano: -12,05% | Em 12 meses: -8,63% |

O dólar negociado no mercado interbancário apresentou uma inversão de sentido no trecho final do pregão desta quarta-feira, acompanhando os amplos e abruptos movimentos pelos mercados financeiros após o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, reduzir as esperanças de aumentos mais agressivos nas taxas de juros americanas nas próximas decisões do FOMC. A taxa de câmbio despencou quase 15 centavos em menos de 30 minutos, em meio a um choque nos mercados financeiros que viu bolsas de ações disparando, mercados de juros despencando e a divisa americana desvalorizando frente a diversas moedas.

Em uma decisão em linha com as estimativas de mercado, o FOMC reajustou em 0,50 ponto percentual a taxa de juros de referência (federal funds rate) pela primeira vez desde maio de 2000, elevando-a do intervalo entre 0,25% e 0,75% paras a faixa entre 0,75% a.a. e 1,00% a.a. Em um apelo direto ao povo americano, Powell reconheceu que a inflação está muito elevada, que apresenta um impacto profundamente negativo na vida do americano e assegurou que o banco central estadunidense está priorizando o combate à aceleração de preços. Além da alta de juros, o Comitê anunciou que deve iniciar sua redução em seu balanço patrimonial, primeiramente a um ritmo de US$ 47,5 bilhões pelos meses de julho, julho e agosto, e depois a um ritmo de US$ 95 bilhões, a partir do mês de setembro.

Na coletiva de imprensa após a decisão, o presidente da autarquia afirmou que a trajetória provável para as próximas decisões de política monetária devem ser mais dois reajustes de 0,50 ponto percentual, dependendo dos dados e informações mais recentes disponíveis. Questionado diretamente sobre a possibilidade de um aumento de 0,75 p.p., Powell declarou que tal reajuste “não é algo que o Comitê está considerando ativamente neste momento”. Tal comentário dissipou as expectativas de um movimento ainda mais agressivo por parte do Federal Reserve e provocou fortes oscilações pelos mercados financeiros, conforme mencionado acima.

É importante destacar, ainda, que a União Europeia propôs para votação hoje uma expansão das sanções à Rússia que incluem a proibição da importação de petróleo russo por todos os seus países membros. Seriam vetadas as importações de óleo bruto em até seis meses e de derivados em até um ano, seja por comércio marítimo ou por oleodutos. Além disso, navios de bandeira europeia seriam vetados de transportar petróleo russo para qualquer parte do planeta. Em adição às interdições ao petróleo, a proposta em debate amplia a exclusão de bancos russos com acesso ao sistema internacional de pagamentos SWIFT, adicionando mais três bancos – dentre eles o Sberbank, maior banco do país – aos sete já banidos. Para efetivação, as medidas necessitam do apoio de todos os 27 países membros do bloco econômico.

Vale mencionar, também, que Pequim interrompeu o funcionamento de 60 estações de metrô e 158 rotas de ônibus em mais um passo na aparentemente vã tentativa de conter o espraiamento da variante ômicron do coronavírus pela sua capital sem se utilizar de um rigoroso confinamento tal qual o realizado atualmente em Xangai há mais de um mês. 12 dos 16 distritos da capital chinesa estão com restrições de mobilidade e passarão por mais uma rodada de testagem em massa – a quarta em duas semanas. Escolas, restaurantes, academias e empresas do setor de lazer, estão fechados, e o teletrabalho está sendo estimulado a seus habitantes. Ainda assim, diariamente, dúzias de novos casos são identificados.

Por fim, após o fechamento do pregão, o Copom subiu a taxa básica de juros (Selic) de 11,75% para 12,75% ao ano, em outro movimento largamente antecipado. Diante de um cenário internacional mais desafiador, que incluem as medidas de tolerância zero contra a Covid-19 na China, a continuidade da guerra russo-ucraniana e a “reprecificação da política monetária nos países avançados”, o Banco Central decidiu que “é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista”. Segundo explicou, em comunicado, o Comitê “nota que a elevada incerteza da atual conjuntura, além do estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos ainda por serem observados, demandam cautela adicional em sua atuação”. Por fim, o BC indicou que “antevê como provável uma extensão do ciclo com um ajuste de menor magnitude” para a próxima reunião, sinalizando, no mínimo, mais um aumento para a Selic.

No cenário externo, o dollar index despencou e terminou o pregão cotado a 102,5 pontos, variação de -0,9% ante à véspera. Moedas pares do real, como o peso chileno, o peso mexicano, a lira turca, o rand sul-africano, a rúpia indiana e o rublo russo se valorizaram perante a moeda americana, e o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan terminou a sessão cotado a 52,875 pontos, alta de 1,0% em relação ao encerramento de terça-feira.

  • Moedas

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