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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
O dólar negociado no mercado interbancário vivenciou mais uma sessão de forte volatilidade nesta quinta-feira, após devolver os ganhos de quarta, disparar 11 centavos e fechar acima de R$5,00. Nos quatro pregões desta semana, as cotações de fechamento oscilaram em uma média superior a dez centavos cada. O dia foi marcado por uma forte aversão aos riscos e por receios de estagflação, deflagrados após a decisão de política monetária do Banco Central da Inglaterra desta manhã. Nela BoE elevou pela quarta reunião consecutiva sua taxa de juros em 0,25 p.p., agora em 1,0% ao ano, em uma decisão dividida em 6 votos a 3. Os três votos contrários desejavam um reajuste de 0,50 p.p. a fim de evitar que a inflação do país, que já se aproxima dos dois dígitos, se torne disseminada. O dissenso surpreendeu analistas de mercado. Em comunicado e entrevista após a decisão, o governador da autarquia, Andrew Bailey, afirmou que o banco central enfrenta uma “passagem estreita” para operar uma política monetária contracionista a fim de reduzir as pressões inflacionárias sem provocar uma recessão na atividade econômica. O BoE manteve a previsão de expansão do Produto Interno Bruto em 2022 em 3,75%, porém reviu a estimativa de 2023 para uma contração de 0,25%. Além disso, o banco central inglês elevou a previsão da inflação em fins de 2022 para 10%, e para 6,6% em 2023.
Estas expectativas alarmaram o mercado financeiro, que receiam a possibilidade de uma estagflação na Inglaterra – e, também, na Europa e nos Estados Unidos. Dentre as razões para as estimativas negativas, estão a continuidade da guerra russo-ucraniana e os impactos das políticas de tolerância zero contra a Covid-19 na China nas cadeias de suprimento globais. Mais cedo, A S&P Global & Caixin já haviam divulgado que o Índice Gerente de Compras (PMI) de serviços do mês para a China despencou de 42,0 pontos em março para 36,2 pontos em abril, a segunda menor marca histórica para o indicador, superando apenas fevereiro de 2020. Leituras abaixo de 50 pontos indicam retração de atividade, portanto o desempenho do PMI mostra uma forte contração por conta das dezenas de confinamentos totais ou parciais em vigor neste momento na China.
Tal cenário, logo pela manhã, promoveu uma reavaliação dos riscos por partes dos investidores, que modificaram as posições de suas carteiras apostando em inflação e juros mais elevados e em crescimento econômico menor. O Dollar Index, que pondera a cotação da divisa americana perante seis moedas de economias avançadas, atingiu 103,94 pontos, a maior marca desde dezembro de 2002, até recuar e fechar o dia em 103,6 pontos. A moeda americana continua exercendo liderança isolada dentre aquelas consideradas portos-seguros em momentos de incerteza, se fortalecendo diante do euro, do iene e do franco suíço.
No Brasil, o movimento de enfraquecimento do real foi complementado pela decisão de ontem do Comitê de Política Monetária (Copom), que subiu a taxa básica de juros (Selic) de 11,75% para 12,75% ao ano, seu décimo reajuste consecutivo. Diante de um cenário internacional mais desafiador, que incluem as medidas de tolerância zero contra a Covid-19 na China, a continuidade da guerra russo-ucraniana e a “reprecificação da política monetária nos países avançados”, o Banco Central decidiu que “é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista”. Além disso, o Comitê mencionou que a incerteza sobre o arcabouço fiscal do Brasil também pode pressionar para cima os riscos inflacionários. Dessa fora, o Copom “nota que a elevada incerteza da atual conjuntura, além do estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos ainda por serem observados, demandam cautela adicional em sua atuação”. O BC indicou, também, que “antevê como provável uma extensão do ciclo com um ajuste de menor magnitude” para a próxima reunião – no singular –, sinalizando mais um aumento para a Selic, pelo menos. E, como é de praxe, a autarquia assegurou que seus próximos passos podem ser revistos caso a conjuntura se altere até a próxima decisão.
No cenário externo, em mais um dia de extrema volatilidade, o dollar index tornou a se fortalecer e fechou o pregão cotado a 103,6 pontos, ganho de 1,0% em relação ao término de quarta-feira. Moedas pares do real, como o peso chileno, o peso colombiano, o peso mexicano, a lira turca, o rand sul-africano e a rúpia indiana se desvalorizaram perante a moeda americana, e o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan terminou a sessão cotado a 52,278 pontos, variação de -0,7% ante à véspera.
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