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Fechamento de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio termina segunda em elevação,
cotado a R$ 5,155
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Aversão global a riscos pressiona terceira alta consecutiva do dólar
A taxa de câmbio subiu pelo terceiro dia consecutivo e encerrou a sessão desta segunda-feira (09) negociada a R$ 5,155, alta de 1,6% em relação ao encerramento de sexta-feira. Já o dollar index atingiu o patamar de 104,2 pontos pela primeira vez em duas décadas, alternou perdas e ganhos e fechou o pregão cotado a 103,7 pontos, praticamente estável ante à véspera. O mercado de divisas repercutiu mais um dia de pessimismo externo pronunciado, com investidores evitando ativos mais arriscados, como ações, commodities e ativos de economias emergentes, e buscando a segurança de títulos denominados em dólar. Contribuiu para o ambiente de pouco apetite por riscos as expectativas de elevação de juros nos Estados Unidos e receios sobre a situação de Covid-19 na China impulsionando a valorização do dólar no mercado internacional. No Brasil, foram destaques o forte reajuste do preço do diesel pela Petrobras depois de 56 dias e os crescentes atritos institucionais entre o Ministério da Defesa e o Tribunal Superior Eleitoral às vésperas da eleição.
Variações | No dia: +1,62% | Na semana: +1,62% | No mês: +4,29% | No ano: -7,50% | Em 12 meses: -1,48% |

O dólar negociado no mercado interbancário operou em forte alta pela terceira sessão consecutiva e terminou o dia em seu maior valor desde 15 de março, cotado em R$ 5,155, avanço de 1,6% em relação ao término de sexta-feira. O movimento da taxa de câmbio brasileira esteve em linha com o exterior, em que o Dollar Index atingiu uma máxima não observada em duas décadas. A moeda americana se destaca como porto seguro em um cenário turbulento e oferece segurança aos investidores que buscam se proteger de riscos, além de se destacar nas perspectivas de rendimentos financeiros, em função do ciclo atual de aperto monetário sendo realizado pelo Federal Reserve.

O noticiário sobre a Covid-19 na China também contribuiu para reforçar o ambiente de aversão global ao risco e a pressionar as cotações da moeda brasileira neste início de semana. Uma análise feita pelo banco Nomura em 03 de maio estimou que 43 cidades chinesas se encontram em confinamento parcial ou total, afetando um total de 327 milhões de pessoas. As autoridades de Xangai, principal centro financeiro do país e residência de cerca de 25 milhões de pessoas, estenderam até o final de maio as medidas de confinamento impostas sobre a cidade a fim de zerar o número de novos casos da doença, o que estenderá o tempo total de isolamento para dois meses. As restrições à mobilidade e o encaminhamento compulsório de pessoas que possam ter tido contato com casos confirmados da doença a centros de quarentena têm pesado de maneira considerável sobre a atividade econômica e consumo das famílias do país neste primeiro semestre. A capital, Pequim, também tem mantido parcialmente seus cidadãos em confinamento, suspendendo os serviços de alimentação, academias e entretenimento, assim como rotas de ônibus e parte da malha metroviária.

Em comunicado nesta segunda-feira, o Banco Central chinês (PBoC) anunciou que manterá medidas de garantia da liquidez nos mercados, intensificará o apoio à demanda habitacional e que atuará para elevar a confiança dos agentes econômicos. Os comentários, apresentados no relatório de implementação da política monetária no primeiro trimestre, se enquadram em um contexto de desaceleração da economia do país sob os impactos da política de tolerância zero contra o coronavírus, incertezas associadas à invasão da Rússia à Ucrânia e de aperto nas condições financeiras nas economias avançadas.

A demanda externa por produtos chineses também perdeu fôlego em abril, segundo dados divulgados mais cedo pelo departamento aduaneiro do país. O crescimento das exportações do país retraiu-se para o menor nível em cerca de dois anos, para um avanço de 3,9% no comparativo com o mesmo mês de 2021. O desaquecimento das exportações foi expressivo, em vista do crescimento de 14,7% verificado em março. As importações, por sua vez, refletem a demanda doméstica constrangida pelos “lockdowns” em importantes regiões chinesas. Em abril, o fluxo de entrada de mercadorias vindas do exterior se manteve estável no comparativo anual, superando as expectativas dos analistas que projetavam uma contração de 3,0%, mas mantendo o desempenho contido verificado em março (-0,1%).

No Brasil, o destaque ficou com o anúncio de reajuste do diesel pela Petrobras, que aumentou em 8,9% (R$ 0,4056 por litro) o preço do derivado nas refinarias depois de 56 dias sem alta. A empresa pratica uma paridade com os preços internacionais e necessitou realinhar os valores em função da elevação dos preços do petróleo e da desvalorização cambial nesse período. “Esta decisão observou tanto o desalinhamento nos preços quanto a elevada volatilidade no mercado”, disse a companhia. Mesmo com esse reajuste, o preço do combustível internamente continua defasado com os valores praticados no exterior.

Por fim, é digno de nota que o Ministério da Defesa e o Tribunal Superior Eleitoral trocaram publicamente ofícios sobre o processo eleitoral brasileiro, de forma bastante atípica para um pleito. Nos últimos oito meses, as Forças Armadas enviaram 88 questionamentos ao TSE sobre supostos riscos, vulnerabilidades e fragilidades do processo eleitoral brasileiro, o que alguns analistas acreditam que tem por objetivo legitimar desconfianças sobre as eleições nacionais e sobre a própria corte. Em todos os casos, a Justiça Eleitoral afirma que os questionamentos se baseiam em premissas equivocadas, nega de forma assertiva os questionamentos ou afirma que as sugestões já estão em prática.

  • Moedas

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