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Fechamento de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio encerra quarta em elevação,
cotado a R$ 5,146
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Dólar refletiu dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos
A taxa de câmbio alternou perdas e ganhos nesta quarta-feira, encerrando a sessão negociada a R$ 5,146, variação de +0,2% ante à véspera. Já o dollar index tocou a marca de 104,5 pontos durante a manhã, seu maior valor em duas décadas, e recuou para encerrar o pregão cotado a 104,0 pontos, leve alta de 0,1% em relação ao fechamento de terça-feira. O mercado de divisas repercutiu a divulgação dos dados de inflação para o Brasil e os Estados Unidos, que se mantiveram em aceleração mais uma vez e sinalizaram que o desafio para seus bancos centrais permanece complexo. O ambiente de negócios foi de marcado pessimismo e pouco apetite por riscos, em função de receios de uma estagflação, isto é, que a economia global experimente uma desaceleração econômica ao mesmo tempo em que os níveis de preço se mantenham elevados. Vale destacar, ainda, que o presidente da República, Jair Bolsonaro, surpreendeu analistas e exonerou Bento de Albuquerque como o ministro de Minas e Energia em meio a uma sequência de críticas contra os aumentos dos preços de combustíveis da Petrobras, indicando em seu lugar Adolfo Saschida, chefe da assessoria especial de Assunto Estratégicos do Ministério da Economia.
Variações | No dia: +0,22% | Na semana: +1,42% | No mês: +4,09% | No ano: -7,68% | Em 12 meses: -3,01% |

No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril registrou avanço de 1,06%, maior aumento para um mês de abril desde 1996 (1,26%). Já o acumulado em 12 meses foi de 12,13%, oitavo mês seguido de alta em dois dígitos e maior taxa em 12 meses desde outubro de 2003 (13,98%). Tal como em meses anteriores, os maiores impactos vieram de alimentação e bebidas (0,43 p.p.) e de transportes (0,42 p.p.). Juntos, os dois grupos foram responsáveis por cerca de 80% do IPCA de abril. De acordo com André Almeida, analista da pesquisa, houve alta em diversos componentes importantes na cesta do consumidor, como o leite longa vida, a batata-inglesa, o tomate, o óleo de soja, o pão francês e as carnes. Em transportes, a alta foi puxada, novamente, por combustíveis, com alta em todos os componentes, isto é, em gasolina (+2,48%), etanol (+8,44%), óleo diesel (+4,74%) e gás natural veicular (+0,24%).

IPCA acumulado em 12 meses e meta de inflação no Brasil (%)
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Fontes: Banco Central do Brasil e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Elaboração: StoneX.
A inflação continua bastante disseminada na economia brasileira. O índice de difusão do IPCA (isto é, a proporção de itens com aumento dentre os 377 que compõem o IPCA) avançou de 76,13% em março para 78,2%, seu maior patamar desde janeiro de 2003, quando foi de 85,9%. Oito dos nove subgrupos pesquisados pelo IBGE tiveram elevação nos preços no período – apenas habitação apresentou variação negativa em abril (-1,14%), devido à queda nos preços da energia elétrica (-6,27%). Almeida explicou que, em 16 de abril, houve mudança na bandeira tarifária para a eletricidade, saindo da bandeira Escassez Hídrica (que acrescenta R$ 14,20 a cada 100kWh consumido) para a bandeira verde, em que não há tarifa extra na conta de luz. A bandeira Escassez Hídrica foi criada em agosto do ano passado e estava em vigor desde setembro de 2021.
Variação do IPCA de abril por grupos (%)
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Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Elaboração: StoneX.
A leitura de abril do IPCA não parece sugerir que a aceleração de preços no Brasil esteja próxima de uma reversão, ou mesmo de um arrefecimento. Em sua última ata, o Comitê de Política Monetária (Copom) sugeriu que defasagens temporais nos efeitos da política monetária poderiam explicar o fato de “não se observa[r] grande parte do efeito contracionista esperado bem como seu impacto sobre a inflação corrente”. Contudo, o próprio Comitê admite que muitas pressões inflacionárias ainda persistem atualmente e, presume-se, estão fora do escopo de atuação do Copom, como os desequilíbrios nas cadeias globais de produção, os choques de oferta relacionados à guerra russo-ucraniana, as consequências das políticas de tolerância zero contra a Covid-19 na China e o aperto significativo das condições financeiras pelos Estados Unidos. Além disso, os atritos entre as Instituições brasileiras – Congresso, Executivo, Judiciário, Forças Armadas –, bem como as diversas ampliações de gastos e isenções tributárias pelo governo Bolsonaro ampliam o risco fiscal e político no país, que, por sua vez, pode agravar o problema inflacionário caso estimulem uma desvalorização cambial.
No cenário externo, o ambiente de pessimismo impulsionou dollar index a tocar a marca de 104,5 pontos durante a manhã, seu maior valor em duas décadas, porém este recuou durante a tarde para encerrar o pregão cotado a 104,0 pontos, leve alta de 0,1% em relação ao fechamento de terça-feira. Moedas pares do real, como o peso chileno, o peso colombiano, o peso mexicano, a lira turca, o rand sul-africano, a rúpia indiana e o rublo russo não tiveram direção definidad, e o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan terminou a sessão cotado a 51,675 pontos, variação marginal de -0,04% ante à véspera.
A moeda americana também repercutiu ao longo do dia a reação dos mercados à divulgação de dados acima do esperado para o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) nos Estados Unidos. De acordo com o Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS), em abril, o CPI registrou variação mensal de +0,3%, desacelerando em relação à alta de 1,2% observada em março, mas superando a mediana das estimativas, que sugeriam um aumento de 0,2%. Com o resultado do mês, o indicador passou a acumular alta anual de 8,3%, recuando da máxima em cerca de quatro décadas atingida em março (8,5%), porém ainda bastante elevado e além do projetado (8,1%).
De modo geral, as expectativas dos analistas apontavam para uma desaceleração mais clara da inflação a partir de maio, à medida que os números mais fracos observados no início da pandemia deixam de integrar o cálculo do comparativo anual, e conforme o padrão de consumo dos americanos se reaproxima de algo mais próximo da cesta de bens e serviços usada como referência para o indicador. A procura reprimida por serviços, em especial de turismo, alimentação fora de casa e entretenimento, tem retornado a patamares considerados como “normais” desde o relaxamento das medidas de distanciamento social adotadas devido à Covid-19 e, com isso, a demanda concentrada em bens e serviços essenciais tende a se moderar.
Alimentos (+0,9%), habitação (+0,5%), passagens aéreas (+18,6%) e novos veículos (+1,1%) estiveram entre os itens com as principais altas de abril. Combustíveis, que impulsionaram fortemente a inflação nos Estados Unidos em março, recuaram de maneira considerável em abril (-6,1%), sendo sua primeira contração mensal em cerca de um ano. Excluindo-se alimentos e energia, o núcleo do CPI também surpreendeu ao avançar 0,6% no último mês, acelerando-se em relação à alta de março (0,4%) e apresentando variação mais expressiva que a estimada pelos analistas (+0,3%). 
O encarecimento dos serviços teve contribuição importante para esse movimento da inflação subjacente, e pode contribuir para uma persistência do nível de preços acima da meta do Federal Reserve de 2% a.a. Essa constatação, em um contexto marcado pelas indicações de que o Federal Reserve não considera a possibilidade de um ajuste robusto da política monetária, e de um contexto de trajetória firme de crescimento da média de salários no mercado de trabalho americano, reforçam essa perspectiva.
Do outro lado do Atlântico, é digno de nota que a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, deu sinais concretos nesta quarta-feira de que a autoridade monetária deve reforçar suas ações para controlar a inflação acelerada no bloco econômico e lançar mão de um aumento da taxa de juros em julho. Em evento na Eslovênia nesta manhã, a presidente declarou que o programa de compra de ativos “deve se encerrar no início do terceiro trimestre”, e que o BCE promoverá na sequência um aumento da taxa básica de juros, “o que pode significar um período de apenas algumas semanas de diferença”. Esta deverá ser a primeira elevação da taxa básica de juros na zona do euro em mais de 10 anos, em um momento em que o bloco registrou uma inflação acumulada de 7,5% em 12 meses em abril, significativamente acima da meta de 2,0% no ano perseguida pela autoridade monetária. O agravamento da crise inflacionária e de suprimentos global desde o início da guerra russo-ucraniana tem peso especial para a União Europeia, principal parceira comercial dos países para uma série de série de commodities energéticas e alimentícias.
Os indicativos do caráter duradouro das pressões inflacionárias na região, ao passo que a guerra dá indícios de que deve se estender ainda por um longo período, tendem a levar o BCE a seguir estratégia semelhante de seus pares nos Estados Unidos e na Inglaterra, elevando de maneira consecutiva a taxa de juros ao longo do segundo semestre na tentativa de controlar a elevação de preços. Vale lembrar que na última semana, o Banco Central da Inglaterra (BoE) aumentou sua taxa de juros do país em 0,25 p.p. pela quarta decisão consecutiva, indo a 1,0% ao ano, e revisou suas perspectivas econômicas para 2022 e 2023. As projeções do BoE de 6,6% para a inflação na Inglaterra em 2023, patamar ainda historicamente elevado para o país, e de contração de 0,25% do PIB, aqueceram os debates sobre os possíveis efeitos prolongados da inflação global, assim como sobre a possibilidade de um cenário de estagflação na economia europeia como um todo.
  • Moedas

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