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Fechamento de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio termina a segunda em leve baixa,
cotado a R$ 5,051
 
Leonel Oliveira Mattos
Leonardo Rossetti
Vitor Andrioli
Dólar flutuou de acordo com o humor internacional instável
A taxa de câmbio oscilou ao longo de toda a segunda-feira (16), alternando perdas e ganhos, encerrando a sessão negociada a R$ 5,051, ligeira queda de -0,1% em relação ao fechamento de sexta-feira. Já o dollar index terminou o pregão cotado a 104,2 pontos, variação de -0,3% ante à véspera. O mercado de divisas abriu o dia cauteloso e mais pessimista em função da divulgação de dados econômicos de abril que revelaram um profundo impacto das políticas de tolerância zero contra a Covid-19 na economia chinesa, porém recuperou gradativamente seu apetite por riscos ao longo do dia, o que se refletiu, principalmente, no desempenho dos índices acionários e nos preços de commodities. No Brasil, declarações cuidadosas do diretor de política monetária do Banco Central (BC), Bruno Serra Fernandes, sobre a trajetória do ciclo de alta de juros contribuíram para moderar o otimismo dos investidores.
Variações | No dia: -0,14% | Na semana: -0,14% | No mês: +2,17% | No ano: -9,38% | Em 12 meses: -4,10% |

O dólar negociado no mercado interbancário oscilou ao longo de todo o pregão, mas dentro de uma amplitude estreita de seis centavos – a máxima intradiária foi de R$ 5,0951 e a mínima, de R$ 5,0310. O ambiente de negócios começou o dia pessimista e cauteloso após a China divulgar, logo cedo, dados que sugerem um forte arrefecimento de seu crescimento econômico. As vendas do varejo despencaram em abril 11,1% em relação ao ano anterior, contra uma estimativa mediana de analistas de -6,1%, e a atividade industrial se reduziu em 2,9% em relação ao ano anterior, frente a uma estimativa mediana de analistas de +0,4%. Desde finais de março, o país vem passando por uma sequência de confinamentos rígidos, totais ou parciais, em diversas cidades importantes, paralisando a produção e afetando negativamente o consumo da China e a confiança de seus habitantes. Uma análise feita pelo banco Nomura em 10 de maio estimou que 41 cidades chinesas se encontram em confinamento parcial ou total, afetando um total de 289 milhões de pessoas. Isso corresponde a, aproximadamente, 25% da população chinesa e 30% do Produto Interno Bruto chinês. Mesmo com custos econômicos cada vez maiores, não há indícios de que os dirigentes do Partido Comunista Chinês estejam dispostos a flexibilizar suas estratégias de enfrentamento ao coronavírus, buscando, ao contrário, estabelecer medidas de estímulo fiscal e monetário para suavizar seus impactos.

No Brasil, o diretor de política monetária do BC, Bruno Serra Fernandes, debateu as possíveis trajetórias para o ciclo de alta de juros pela autarquia frente à persistência inflacionária e reassegurou que os efeitos do aperto monetário começarão a atuar de forma mais intensa no segundo semestre. Em evento nesta manhã, Serra declarou que vê como “provável” – porém não como certeza – mais um reajuste da taxa básica de juros (Selic) em junho, mas que também é possível atuar contra o processo de aceleração de preços adiando o início dos cortes à taxa Selic no futuro. Reafirmando a argumentação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), Serra disse que “ainda não se observ[ou] grande parte do efeito contracionista esperado” dos aumentos de juros realizados até aqui e que, por isso, não se faz obrigatório novos reajustes para conter as taxas de inflação. O diretor foi cuidadoso ao enfatizar que o documento do Copom sinalizou uma “provável” extensão do ciclo de reajustes, enquanto os agentes de mercado entenderam como provável, apenas, a magnitude da alta. Serra também enfatizou a chamada “taxa de sacrifício”, ou o custo de desaceleração econômica que novos acréscimos de juros trariam para desinflacionar a economia. “Daqui para frente, há risco crescente de a política monetária fazer efeito e desacelerar a demanda”, declarou.

Por fim, é digno de nota a elevação das tensões geopolíticas com a entrada formal da Suécia e da Finlândia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a possibilidade de retaliações russas ao movimento. Embora sejam nações soberanas, a medida seguramente irritará Moscou e provocará uma redistribuição de bases, armamentos e tropas no extremo norte da Europa, tanto pelo lado russo quanto pelos países escandinavos. O temor é de que o Kremlin utilize o movimento como pretexto, também, para uma retaliação econômica, tal como uma redução no suprimento de gás natural aos países europeus, altamente dependentes da importação do insumo russo. Por enquanto, o Kremlin lançou declarações de insatisfações, afirmando, através de seu vice-ministro das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov, que a expansão da Otan desejada pelos Estados Unidos é “agressiva”, piorará a já difícil situação da segurança global e que “a expansão da infraestrutura militar para este território certamente provocará nossa resposta”.

No cenário externo, a recuperação do apetite por riscos ao longo do pregão diminuiu o dollar index, que terminou o pregão cotado a 104,2 pontos, variação de -0,3% ante à véspera. Moedas pares do real, como o peso chileno, o peso colombiano, o peso mexicano, o rand sul-africano e o rublo russo se valorizaram perante a moeda americana, e o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan terminou a sessão cotado a 51,742 pontos, avanço de 0,2% em relação ao término de sexta-feira.

  • Moedas

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