
Fechamento de Câmbio
Real recua com queda dos preços do petróleo e temor de novas sanções americanas

- Moedas
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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
O dólar negociado no mercado interbancário oscilou entre altas e baixas ao longo do pregão desta terça até encerrar o dia apenas com modesta variação positiva, negociado a R$ 4,813, ganho de 0,1% em relação ao fechamento de ontem. O real se manteve mais atrelado aos movimentos externos que, por sua vez, reagiram a receios de que a probabilidade de uma estagnação econômica é cada vez mais provável. Hoje, a publicação dos Índices Gerente de Compras (PMI) preliminares dos Estados Unidos para o mês de maio sugeriram uma desaceleração moderada. O PMI consolidado preliminar se reduziu de 56,0 pontos em abril para 53,8 pontos em maio, consequência da alta inflação, que impacta a demanda dos consumidores, e dos gargalos logísticos causados pela Covid-19 na China, que reduz a disponibilidade de produtos e encarece fretes. Amanhã, o Federal Reserve divulgará a ata da decisão de política monetária ocorrida no começo do mês deve ressaltar a prioridade na busca da estabilização de preços, mesmo que isso diminua o ritmo da expansão econômica do país.
No Brasil, contribuiu para a oscilação da taxa de câmbio a nova intervenção do presidente Bolsonaro na Petrobras ao trocar o presidente da empresa, José Mauro Coelho, apenas 40 dias após o executivo ter tomado posse no cargo. A estatal é alvo constante de críticas por parte do presidente da República em função da sua política de paridade de preços com o exterior, que acompanha a cotação internacional do petróleo e a taxa de câmbio. Nos últimos dois anos, e em especial após a guerra entre Rússia e Ucrânia, os preços internacionais do óleo bruto dispararam, forçando um reajuste significativo de combustíveis no Brasil. A inflação, em geral, e os combustíveis, em particular, são fontes de insatisfação popular com o atual governo, de forma que Bolsonaro intervém constantemente para influenciar e coagir a Petrobras a mudar sua política de preços de combustíveis – somente neste ano, o Planalto já trocou duas vezes a presidência executiva da empresa, uma vez a presidência do conselho de administradores e uma vez o ministro de Minas e Energia, responsável pela estatal.
As constantes intervenções de Bolsonaro em empresas estatais podem elevar a percepção de risco político associado ao Brasil, elevando a exigência de prêmio de risco por parte dos investidores, o que, por sua vez, poderia reduzir o fluxo de capital estrangeiro ao país e enfraquecer o real.
Por fim, vale destacar que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação, se acelerou em 0,59% no mês de maio, ligeiramente acima das expectativas de analistas, cuja mediana apontava para crescimento de 0,45%. Dessa forma, o indicador acumula crescimento de 12,20% em 12 meses, acima dos 12,03% anotados em abril. Isto representa mais de três vezes a meta oficial de inflação do Banco Central, que é 3,5%. Além disso, o índice de difusão (quantas mercadorias da cesta total apresentaram aumento de preço) se manteve elevado, em 74,9%. O item com maior impacto na leitura deste mês foi produtos farmacêuticos, após a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos aprovar reajuste de 5,24% a 10,89%. Por outro lado, energia elétrica registrou deflação de 14,09% após a mudança da bandeira tarifária de Escassez Hídrica para verde, em 16 de abril.

No cenário externo, o dollar index prolongou sua tendência de enfraquecimento do pregão anterior e terminou o dia cotado a 101,8 pontos, queda de 0,3% em relação ao fechamento de segunda. Moedas pares do real, como o peso colombiano, o peso mexicano, o rand sul-africano, a rúpia indiana e o rublo se valorizaram perante a moeda americana, e o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan terminou a sessão cotado a 53,142 pontos, variação de -0,3% ante à véspera.
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