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Fechamento de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Em sessão volátil, câmbio fecha a terça
em leve alta, cotado a R$ 4,813
 
Leonel Oliveira Mattos
Leonardo Rossetti
Vitor Andrioli
Dólar reflete cautela nos mercados externos
e intervenção do governo na Petrobras
O par real/dólar não apresentou direção definida e alternou perdas e ganhos ao longo desta terça-feira (24), encerrando a sessão negociado a R$ 4,813, variação de +0,1% ante à véspera. Já o dollar index prolongou sua tendência de enfraquecimento do pregão anterior e terminou o dia cotado a 101,8 pontos, queda de 0,3% em relação ao fechamento de segunda. O mercado de divisas repercutiu mais um dia de baixa confiança e aversão ao risco de investidores internacionais, após dados de atividade econômica para os Estados Unidos evidenciarem uma queda moderada em maio. Além disso, comentários pela presidenta do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, reforçando que as taxas de juros no bloco estarão “em território positivo” até setembro impulsionaram ativos europeus e contribuíram para o enfraquecimento do dólar. No Brasil, analistas acompanharam notícias sobre mais uma troca de comando do Palácio do Planalto na Petrobras na tentativa de interferir na estratégia de preços de combustíveis da companhia e a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de maio com alta de 12,20% no acumulado em 12 meses, mantendo-se em aceleração.
Variações | No dia: +0,11% | Na semana: -1,20% | No mês: -2,64% | No ano: -13,64% | Em 12 meses: -9,84% |

O dólar negociado no mercado interbancário oscilou entre altas e baixas ao longo do pregão desta terça até encerrar o dia apenas com modesta variação positiva, negociado a R$ 4,813, ganho de 0,1% em relação ao fechamento de ontem. O real se manteve mais atrelado aos movimentos externos que, por sua vez, reagiram a receios de que a probabilidade de uma estagnação econômica é cada vez mais provável. Hoje, a publicação dos Índices Gerente de Compras (PMI) preliminares dos Estados Unidos para o mês de maio sugeriram uma desaceleração moderada. O PMI consolidado preliminar se reduziu de 56,0 pontos em abril para 53,8 pontos em maio, consequência da alta inflação, que impacta a demanda dos consumidores, e dos gargalos logísticos causados pela Covid-19 na China, que reduz a disponibilidade de produtos e encarece fretes. Amanhã, o Federal Reserve divulgará a ata da decisão de política monetária ocorrida no começo do mês deve ressaltar a prioridade na busca da estabilização de preços, mesmo que isso diminua o ritmo da expansão econômica do país.

No Brasil, contribuiu para a oscilação da taxa de câmbio a nova intervenção do presidente Bolsonaro na Petrobras ao trocar o presidente da empresa, José Mauro Coelho, apenas 40 dias após o executivo ter tomado posse no cargo. A estatal é alvo constante de críticas por parte do presidente da República em função da sua política de paridade de preços com o exterior, que acompanha a cotação internacional do petróleo e a taxa de câmbio. Nos últimos dois anos, e em especial após a guerra entre Rússia e Ucrânia, os preços internacionais do óleo bruto dispararam, forçando um reajuste significativo de combustíveis no Brasil. A inflação, em geral, e os combustíveis, em particular, são fontes de insatisfação popular com o atual governo, de forma que Bolsonaro intervém constantemente para influenciar e coagir a Petrobras a mudar sua política de preços de combustíveis – somente neste ano, o Planalto já trocou duas vezes a presidência executiva da empresa, uma vez a presidência do conselho de administradores e uma vez o ministro de Minas e Energia, responsável pela estatal.

As constantes intervenções de Bolsonaro em empresas estatais podem elevar a percepção de risco político associado ao Brasil, elevando a exigência de prêmio de risco por parte dos investidores, o que, por sua vez, poderia reduzir o fluxo de capital estrangeiro ao país e enfraquecer o real.

Por fim, vale destacar que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação, se acelerou em 0,59% no mês de maio, ligeiramente acima das expectativas de analistas, cuja mediana apontava para crescimento de 0,45%. Dessa forma, o indicador acumula crescimento de 12,20% em 12 meses, acima dos 12,03% anotados em abril. Isto representa mais de três vezes a meta oficial de inflação do Banco Central, que é 3,5%. Além disso, o índice de difusão (quantas mercadorias da cesta total apresentaram aumento de preço) se manteve elevado, em 74,9%. O item com maior impacto na leitura deste mês foi produtos farmacêuticos, após a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos aprovar reajuste de 5,24% a 10,89%. Por outro lado, energia elétrica registrou deflação de 14,09% após a mudança da bandeira tarifária de Escassez Hídrica para verde, em 16 de abril.

Variação do IPCA-15 no mês de maio por grupos (em %)
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Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Elaboração: StoneX.

No cenário externo, o dollar index prolongou sua tendência de enfraquecimento do pregão anterior e terminou o dia cotado a 101,8 pontos, queda de 0,3% em relação ao fechamento de segunda. Moedas pares do real, como o peso colombiano, o peso mexicano, o rand sul-africano, a rúpia indiana e o rublo se valorizaram perante a moeda americana, e o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan terminou a sessão cotado a 53,142 pontos, variação de -0,3% ante à véspera.

  • Moedas

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