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Fechamento de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio termina a segunda em alta,
cotado a R$ 4,796
 
Leonel Oliveira Mattos
Leonardo Rossetti
Vitor Andrioli
Dólar repercute noticiário político no Brasil
e receios com estagflação no exterior
Depois de uma abertura negativa, a taxa de câmbio se elevou nesta segunda-feira (03), encerrando a sessão negociada a R$ 4,796, alta de 0,4% em relação ao fechamento de sexta-feira. Já o dollar index terminou o pregão cotado a 102,4 pontos, variação de +0,2% ante à véspera. O mercado de divisas repercutiu um dia de cautela moderada dos investidores internacionais e de constantes ruídos fiscais e políticos vindos de Brasília. A instabilidade do humor no ambiente internacional segue ligada às perspectivas da política monetária nas economias centrais, sobretudo quanto à possibilidade de uma recessão econômica nos próximos 18 meses. No Brasil, destacaram-se novos ataques do presidente da República, Jair Bolsonaro, ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Edson Fachin, o anúncio do governo de que direcionou para outros fins a verba bloqueada no início do ano para reajuste de servidores públicos e a aprovação do aporte de Furnas por debenturistas da empresa.
Variações | No dia: +0,38% | Na semana: +0,38% | No mês: +0,88% | No ano: -13,95% | Em 12 meses: -4,81% |

O dólar negociado no mercado interbancário subiu nesta segunda, porém sem romper a barreira psicológica de R$ 4,80. Apensar de boas notícias quanto ao cenário da Covid-19 na China, a política monetária permaneceu no centro das atenções dos investidores, com decisão do Banco Central Europeu, nesta semana, e dos Bancos Centrais do Brasil, Estados Unidos e Inglaterra, na semana que vem. Em meio a uma escalada global da inflação, as autoridades monetárias estão adotando rígidos apertos monetários a fim de buscar uma reestabilização dos preços em suas economias. A combinação de preços em aceleração e aumento veloz de juros traz preocupações sobre a possibilidade de uma recessão econômica, especialmente nas economias avançadas. Contudo, os indicadores de atividade econômica, até o momento, têm apresentado vigor e resiliência, ajudando a dissipar estes receios para o imediato curto prazo.

Localmente, os ruídos fiscais e políticos estiveram em foco. Ontem, a Associação dos Empregados de Furnas (Asef) obteve decisão liminar no TJRJ para suspender assembleia de debenturistas de Furnas, que estava programada para hoje para avaliar um aporte de R$ 681 milhões da companhia na Madeira Energia, controladora da hidrelétrica Santo Antônio, em Rondônia. A Asef alegava que, entre outros pontos, a convocação da assembleia não respeitou o período de antecedência mínima de oito dias e que houve desrespeito às regras de Compliance da empresa, pois o contrato das debêntures não permitia que Furnas realizasse o aporte antes da deliberação pela assembleia de debenturistas. Porém a Advocacia-Geral da União recorreu hoje e foi prontamente atendida pelo presidente do TJRJ, sob o argumento de que a suspensão da assembleia de debenturistas inviabilizaria o processo de desestatização da Eletrobras, “causando gravíssima lesão à ordem e à economia públicas”. Após a assembleia, os debenturistas aprovaram o aporte.

É importante observar, também, que o Ministério da Economia reduziu o bloqueio de recursos do Orçamento necessário para o atingimento do limite constitucional de gastos ao direcionar os R$ 1,72 bilhão que foram contingenciados, no início do ano, para o reajustes dos servidores da segurança federal. Na prática, não há mais no Orçamento de 2022 nenhuma verba direcionada a reajustes salariais. A medida ocorre no mesmo dia em que o presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal), Fábio Faiad, disse à imprensa que que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, o haveria comunicado que nenhum servidor receberá aumento neste ano. Desde novembro do ano passado, o presidente oscila entre promessas de um reajuste linear a todo funcionalismo federal, a somente os servidores da segurança federal, ou a ninguém. Por lei, junho é o último mês para o governo decidir, tramitar e aprovar eventual aumento de salários. É proibido que reajustes sejam concedidos nos seis meses finais de mandato.

Por fim, o presidente da República também emitiu declarações que repercutiram ao longo do dia. Primeiramente, sobre o tema de combustíveis, que espera que o ministro da Economia, Paulo Guedes, apresente uma solução para o tema “no tocante a impostos” nesta semana. “espero que nos próximos dias resolva a questão dos combustíveis no tocante a impostos pelo Brasil. Ele já se mostrou favorável a isso, tem trabalhado para isso e espero que nos próximos dias, nessa semana mesmo, tenhamos uma boa notícia sobre preço dos combustíveis no Brasil”. Na mesma entrevista, Bolsonaro tornou a atacar nominalmente o ministro do Superior Tribunal Federal e presidente do TSE, Edson Fachin. “Não podemos esquecer que foi o Fachin o relator do processo que retirou o Lula da cadeia, e agora está à frente do TSE. Ou seja, um tremendo desgaste para retirar Lula da cadeia, está à frente do TSE e tudo faz para que não haja transparência, obviamente, no meu entender, para eleger o Lula de forma não aceitável”.

No cenário externo, o dollar index terminou o pregão cotado a 102,4 pontos, variação de +0,2% ante à véspera. Moedas pares do real, como o peso chileno, o peso colombiano, o peso mexicano e a lira turca também se desvalorizaram perante a moeda americana, e o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan terminou a sessão cotado a 52,863 pontos, recuo de 0,4% frente ao término de sexta.

  • Moedas

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