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Fechamento de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar fecha a quinta em alta, cotado a R$ 4,917
 
Leonel Oliveira Mattos
Leonardo Rossetti
Vitor Andrioli
Câmbio repercute expectativa de inflação nos Estados Unidos
e decisão de política monetária na Europa
O par real/dólar alternou perdas e ganhos ao longo desta quinta-feira (09), encerrando a sessão negociado a R$ 4,917, variação de +0,5% ante à véspera. Já o dollar index terminou o pregão cotado a 103,4 pontos, alta de 0,8% em relação ao fechamento de quarta-feira. O mercado de divisas repercutiu um ambiente de certa cautela tanto internamente como externamente. Lá fora, as expectativas para a publicação de amanhã do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de maio nos Estados Unidos e a decisão de hoje de política monetária do Banco Central Europeu foram impulsionaram a moeda americana diante de seus pares. No Brasil, em meio a preocupações com a situação fiscal do país, destacou-se a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) com alta de 0,47% em maio, menor crescimento mensal desde abril do ano passado. Com isso, indicador acumula aceleração de 11,73% em 12 meses.
Variações | No dia: +0,53% | Na semana: +2,91% | No mês: +3,42% | No ano: -11,79% | Em 12 meses: -2,97% |

 

O dólar negociado no mercado interbancário fechou o pregão de hoje em elevação após oscilar entre perdas e ganhos ao longo do dia. A volatilidade refletia a combinação de fatores de aversão ao risco e de otimismo presentes nas negociações, tanto domesticamente como no exterior. Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o IPCA de maio se acelerou em 0,47%, a menor alta mensal desde abril de 2021 e ligeiramente abaixo das expectativas de analistas, cuja mediana apontava para um crescimento de 0,60%. Dessa forma, o indicador acumula alta de 11,73% em 12 meses. O índice de difusão, isto é, a quantidade de itens com aumento de preço dentro do IPCA, também recuou, de 78,25% em abril para 72,41% em maio. Contribuiu para esse arrefecimento do IPCA a queda de energia elétrica (-7,95%), reflexo da mudança da bandeira tarifária, em abril, de escassez hídrica para verde, a desaceleração no segmento de alimentos e bebidas (+0,48%), em função da sazonalidade de alguns produtos de hortifruti, e a desaceleração do grupo de combustíveis (+1,00%). Em maio, os preços de gasolina (+0,92%) e gás de botijão (-1,02%) contiveram suas altas, enquanto etanol chegou a cair de preço (-0,43%) e o diesel (+3,72%) subiu. A forte pressão do governo federal sobre a Petrobras, com troca do ministro das Minas e Energia, presidente do Conselho e do presidente executivo, surtiu efeito e os preços de gasolina e gás de botijão não são reajustados há quase três meses. Já o óleo diesel foi reajustado em maio, porém seu peso é bastante pequeno no IPCA (menos de 5% comparado ao da gasolina).

variação dos grupos que compõem o ipca em maio de 2022
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Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Elaboração: StoneX.
medidas de inflação no brasil acumuladas em 12 meses
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Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Elaboração: StoneX.

No exterior, O Banco Central Europeu decidiu encerrar uma longa política de estímulos monetários aos países da União Europeia e anunciar que deve aumentar sua taxa básica de juros nas próximas duas reuniões, em uma mudança de postura considerável para a autoridade. Com a inflação ao consumidor em patamares recordes – 8,1% no acumulado em 12 meses –, o BCE agora busca conter a aceleração de preços no bloco antes que ela se torne excessivamente disseminada e persistente. De acordo com a presidenta da instituição, Christine Lagarde, o reajuste em julho será de 0,25 p.p. e o de setembro pode ser de 0,25 p.p. ou de 0,50 p.p., a depender dos indicadores divulgados até a data da reunião. O último aumento de juros realizado pelo BCE foi em julho de 2011, e o último aumento de 0,50 p.p. foi em junho de 2000.

Por fim, é importante destacar que o senador Fernando Bezerra concluiu, na manhã desta quinta-feira, a leitura de seu parecer do Projeto de Lei Complementar 18/22, que torna os combustíveis, energia elétrica, gás natural, comunicações e transporte coletivo bens e serviços essenciais e indispensáveis, impondo uma alíquota máxima de ICMS sobre tais produtos de 17%. O projeto, idealizado pelo Palácio do Planalto, tem por objetivo reduzir o valor dos combustíveis, principalmente, melhorar as leituras do IPCA e recuperar a popularidade da candidatura à reeleição de Jair Bolsonaro, porém traz um alto custo. Pelos cálculos do relator, a União deverá entrar com R$ 35,2 bilhões em recursos de ressarcimento aos Estados, cifra substancialmente inferior ao estimado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), que aferiu o impacto do PLP 18 em mais de R$ 100 bilhões. Além disso, o Executivo idealiza uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que ainda não foi apresentada oficialmente ao Congresso, que visa zerar os impostos federais (PIS/Confins e Cid) e estaduais (ICMS) sobre os combustíveis após a aprovação da PLP 18. Ontem, em fala a jornalistas, Bezerra havia afirmado que a PEC teria um custo adicional de ressarcimento aos Estados de R$ 29,6 bilhões. Nenhum desses custos considera as perdas de arrecadação em impostos federais, apenas a compensação pela União aos Estados pela queda na sua arrecadação.

No cenário externo, o dollar index terminou o pregão cotado a 103,4 pontos, alta de 0,8% em relação ao fechamento de quarta-feira. Moedas pares do real, como o peso chileno, o peso colombiano, o peso mexicano, o rand sul-africano e a rúpia indiana também se desvalorizaram perante a moeda americana, e o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan terminou a sessão cotado a 52,649 pontos, variação de -0,3% ante à véspera.

  • Moedas

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