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Fechamento de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar encerra a quarta em baixa,
cotado a R$ 5,028
 
Leonel Oliveira Mattos
Leonardo Rossetti
Vitor Andrioli
Câmbio reflete a maior alta de juros pelo Fed desde 1994
Após sete dias consecutivos de alta, a taxa de câmbio despencou nesta quarta-feira (15) e encerrou a sessão negociada a R$ 5,028, recuo de 2,1% em relação ao fechamento de terça-feira. Já o dollar index sofreu forte desvalorização e terminou o pregão cotado a 104,7 pontos, variação de -0,8% ante à véspera. O mercado de divisas repercutiu ao sopro de apetite por riscos e otimismo após o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) decidir elevar a taxa básica de juros americana (fed funds rate) em 0,75 ponto percentual, o reajuste mais alto desde novembro de 1994, demonstrando que o Fed “está fortemente comprometido” no combate à inflação no país. Ativos arriscados, como índices acionários, commodities e moedas de países emergentes, apresentaram desempenho positivo, ao passo que a divisa americana e os títulos de juros apresentaram declínio generalizado. No Brasil, investidores ainda aguardam pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), às 18h30min. A expectativa majoritária de analistas é de que o Comitê aumentará a taxa básica de juros (Selic) de 12,75% para 13,25% ao ano.
Variações | No dia: -2,07% | Na semana: +0,77% | No mês: +5,75% | No ano: -9,79% | Em 12 meses: -0,56% |

O dólar negociado no mercado interbancário registrou brusca queda nesta quarta-feira, encerrando o pregão negociado a R$ 5,028, após o Federal Reserve elevar a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, de uma margem de 0,75% a 1,00% a.a. para um faixa entre 1,50% a 1,75% a.a. Este foi o primeiro aumento de 0,75 p.p. desde novembro de 1994. Desde a última sexta-feira, quando a inflação ao consumidor no país superou as expectativas de analistas e atingiu o maior valor em quatro décadas, havia uma expectativa de que a autoridade monetária estadunidense atuasse de forma mais contundente e reafirmasse seu comprometimento com a busca pelo reestabelecimento de preços. Hoje, o Fed mostrou que pode se alinhar às expectativas de mercado rapidamente, algo que agradou investidores.

O FOMC sinalizou que, na reunião de 27 de julho, deve realizar um novo aumento de 0,50 p.p. ou 0,75 p.p., dependendo das leituras dos indicadores econômicos que se apresentarem até lá, porém ressalvou que não deseja tornar comuns altas de 0,75 p.p. Em seu comunicado, o FOMC afirmou que “a inflação permanece elevada, refletindo desequilíbrios entre a oferta e demanda relacionados a pandemia, a preços elevados de energia e a pressões de preços mais amplas. (...) O Comitê está fortemente comprometido a devolver a inflação à sua meta de 2%”. Durante a coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que os integrantes do FOMC perceberam que precisavam atingir de forma mais rápida a taxa de juros neutra, utilizando-se de reajustes mais agressivos no início do processo do aperto monetário.

O Comitê atualizou, também, suas projeções econômicas para os anos de 2022, 2023 e 2024. Embora não tenha se previsto uma recessão, as projeções revelam uma perspectiva de menor crescimento, maior inflação e maior desemprego. A mediana das estimativas para as taxas de crescimento econômico foi reduzida de 2,8% para 1,7%, em 2022, de 2,2% para 1,7%, em 2023, e de 2,0% para 1,9%, em 2024. Já a mediana da previsão para a taxa de desemprego foi elevada de 3,5% para 3,7% no primeiro ano, de 3,5% para 3,9% no segundo, e de 3,6% para 4,1%, no terceiro. A expectativa mediana para o índice de inflação PCE, por sua vez, foi reajustada, respectivamente, de 4,3% para 5,2%, de 2,7% para 2,6% e de 2,3% para 2,2%. Por fim, a mediana da taxa de juros visualizada como apropriada subiu de 1,9% para 3,4% ao fim de 2022, de 2,8% para 3,8% ao fim de 2023 e de 2,8% para 3,4% ao fim de 2024.

Por fim, no Brasil, o Copom decidiu reajustar a taxa básica de juros (Selic) de 12,75% para 13,25% ao ano. Além disso, o BC indicou que "antevê um novo ajuste, de igual ou menor magnitude" para a próxima reunião, sinalizando, no mínimo, mais um aumento para a Selic. O Comitê brasileiro afirma, em comunicado, que “permanecem fatores de riscos para ambas as direções” para a inflação brasileira, e, embora mencione “uma maior persistência das pressões inflacionárias globais e a incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país”, argumenta pela necessidade de “serenidade” na avaliação dos riscos da conjuntura econômica atual. De toda forma, o documento enfatiza que “irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”.

No cenário externo, o dollar index sofreu forte desvalorização e terminou o pregão cotado a 104,7 pontos, variação de -0,8% ante à véspera. Moedas pares do real, como o peso chileno, o peso colombiano, o peso mexicano, a lira turca, o rand sul-africano e o rublo russo também se valorizaram perante a moeda americana, e o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan terminou a sessão cotado a 51,900 pontos, avanço de 0,5% em relação ao término de terça-feira.

  • Moedas

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