O par real/dólar se manteve em baixa durante toda esta quarta-feira (24), encerrando a sessão negociado R$ 4,953, recuo de 0,4% frente ao término de terça-feira. Já o dollar index terminou o pregão cotado a 103,9 pontos, variação de +0,4% ante à véspera. O mercado de divisas contrastou o otimismo de investidores brasileiros após a aprovação por ampla margem de votos do texto-base do novo arcabouço fiscal na Câmara dos Deputados contra o pessimismo e a busca por ativos de qualidade no exterior em meio ao prolongamento do impasse para se elevar o limite de endividamento público nos Estados Unidos e, assim, evitar um possível calote do país.
Variações | No dia: -0,38% | Na semana: -0,83% | No mês: -0,71% | No ano: -6,18% | Em 12 meses: +2,92% |
Arcabouço mais restritivo O dólar negociado no mercado interbancário recuou no Brasil, na contramão do exterior, após aprovação do texto-base do novo arcabouço fiscal. A nova regra foi aprovada após passar por modificações que a tornaram mais rigorosa, o que repercutiu positivamente nos ativos brasileiros durante a sessão. O relator Cláudio Cajado (PP-BA) fez as últimas alterações no texto nessa terça (23) em reunião com Arthur Lira e outros parlamentares, estabelecendo, dentre outras mudanças, que o aumento do gasto público em 2024 deve depender da elevação da arrecadação – diferente do texto anterior, o qual determinava que tal aumento ocorreria de forma automática para o topo do limite de crescimento do gasto, que é de 2,5% – e que fica proibida a exclusão de despesas do cálculo da meta de resultado primário. Hoje, os deputados ainda votarão os destaques ao texto apresentados pelos partidos e, na sequência, o texto final do arcabouço fiscal segue para o Senado, onde deve passar pelas comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). A aprovação de uma versão mais restritiva do arcabouço serviu para impulsionar o apetite dos investidores por ativos brasileiros, porém com impacto reduzido em função do baixo apetite por riscos no exterior.
Impasse nas negociações No exterior, líderes democratas e republicanos retomaram as negociações após um impasse na tarde ontem interromper as conversas entre as partes. O dollar index, que pondera o valor da divisa americana frente a outras seis moedas de economias avançadas, atingiu o maior valor em dois meses, à medida que o prolongamento da indefinição em torno da possibilidade de um calote inédito na dívida do Tesouro americano, que traria consequências catastróficas aos mercados de ativos globais. A secretária do Tesouro estadunidense, Janet Yellen, reforçou que o governo pode esgotar seus recursos para saldar seus compromissos tão logo quanto 01 de junho. Diversos encontros entre aliados do presidente Joe Biden e aliados do líder da Câmara dos Deputados, Kevin McCarthy, não foram capazes de romper a diferença de opiniões entre as partes sobre como resolver o problema do déficit orçamentário e dívida crescente no país, e investidores temem a indefinição se prolongará até os últimos dias do mês, o que seguramente manterá os mercados com elevada volatilidade e elevada aversão ao risco, prejudicando ativos como ações, commodities e moedas de países emergentes.
Mercado de moedas No cenário externo, o dollar index terminou o pregão cotado a 103,9 pontos, variação de +0,4% ante à véspera. Moedas pares do real, como o peso chileno, a lira turca, o rand sul-africano e o rublo russo se desvalorizaram perante a divisa americana, e o Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan terminou a sessão cotado a 50,062 pontos, praticamente estável frente ao término de terça-feira.



