Câmbio encerra a quarta em baixa após decisão do Fed e antes do anúncio do Copom
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,6486 (-0,5%)
▲ Dollar Index (DXY): ~103,5 pontos (+0,3%)
O mercado de divisas repercutiu a decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) de manter os juros americanos inalterados, porém sinalizando dois cortes em 2025 em função de uma desaceleração do crescimento econômico. No Brasil, investidores se mantiveram em compasso de espera pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que é divulgada após o encerramento das negociações.
Variações | No dia: -0,47% | Na semana: -1,68% | No mês: -4,52% | No ano: -8,57% | Em 12 meses: +12,27% |
Decisão do FOMC Após abrir a sessão em alta, a taxa de câmbio do real passou a devolver suas perdas ao longo do dia, emendando a sétima queda consecutiva e retornando ao menor valor de encerramento desde 14 de outubro (R$ 5,5827). O principal evento do dia foi a decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto, que manteve os juros americanos inalterados no intervalo entre 4,25% e 4,50% a.a., em linha com as expectativas de analistas. Entretanto, ao contrário do antecipado, o gráfico de dispersão de pontos (“dot plot”) para a taxa de juros continuou apontando para dois cortes de juros em 2025 e 2026, com o Comitê sinalizando uma preocupação com uma possível desaceleração da economia dos Estados Unidos, com a ressalva de que “a incerteza no panorama econômico se elevou”. A decisão reforçou apostas de investidores de que os juros do país se reduzirão mais que o esperado anteriormente, o que prejudicou o desempenho da moeda americana globalmente.
Decisão do Copom Adicionalmente, investidores no Brasil se mantiveram em compasso de espera pela decisão do Comitê de Política Monetária, que deve elevar a taxa básica de juros (Selic) pela quinta vez consecutiva, de 13,25% a.a. para 14,25% a.a. Entretanto, há dúvidas sobre o tom que o Comitê adotará em seu comunicado ou se incluirá sinalização futura (“foward guidance”). Embora indicadores recentes tenham apresentado uma piora do quadro inflacionário brasileiro, o que mantém um pessimismo sobre as expectativas de inflação e tende a pressionar o Copom a adotar um ciclo mais rígido de altas da Selic, eles também apontaram para uma desaceleração da atividade econômica, o que pode estimular o Copom a ser mais cauteloso na condução da política monetária. A projeção mediana do Boletim Focus antecipa mais duas altas após a decisão desta semana, de 0,50 p.p. em maio e de 0,25 p.p. em junho. A possibilidade de desaceleração do ritmo de altas da Selic nos próximos meses, por sua vez, pode prejudicar a perspectiva de rentabilidade dos títulos denominados em reais e dificultar a atração de capitais estrangeiros, enfraquecendo o real.
Leilões de linha do BC Vale mencionar, por fim, que o Banco Central realizou hoje dois leilões de venda de dólares com compromisso de recompra (leilões de linha), cada um com oferta de US$ 1 bilhão, um com data de recompra em 04 de agosto e outro em 03 de setembro deste ano. Estas operações, anunciadas ontem após o encerramento do pregão, foram realizadas para “rolar” outra operação de linha realizada em 13 de novembro e que vence no dia 02 de abril, garantindo liquidez ao mercado de moedas e evitando uma demanda adicional por dólares nessa data, o que poderia pressionar a taxa de câmbio. Adicionalmente, a autoridade monetária fará mais dois leilões de linha amanhã, também com oferta de US$ 1 bilhão cada e com vencimentos em 04 de agosto e em 03 de setembro, desta vez para rolar uma operação realizada em 12 de dezembro e com data de recompra também em 02 de abril.




