Câmbio fecha a quinta em alta, em linha com mau humor externo
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,6763 (+0,5%)
▲ Dollar Index (DXY): ~103,8 pontos (+0,3%)
O mercado de divisas repercutiu o fortalecimento global do dólar por conta das preocupações com uma desaceleração da economia americana, embora o tom mais conservador do Comitê de Política Monetária (Copom) na sua decisão de ontem tenha contribuído para limitar as perdas do real.
Variações | No dia: +0,49% | Na semana: -1,20% | No mês: -4,05% | No ano: -8,12% | Em 12 meses: +14,12% |
Aversão global ao risco Após taxa de câmbio do real interrompeu uma sequência de sete sessões seguidas de queda ao encerrar a sessão desta quinta-feira em alta, em linha com o movimento externo de fortalecimento do dólar. Esse movimento foi reflexo da preocupação de investidores quanto ao vigor da economia americana, invertendo o otimismo observado ontem após a decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed). Hoje, contudo, o cenário parece ter se modificado em razão de uma maior ênfase dos investidores nos aspectos menos positivos da decisão do FOMC. Entre eles, destaca-se a redução da projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,1% para 1,7% em 2025 e o aumento ligeiro da taxa de desemprego ao final deste mesmo período. A postura mais cautelosa foi reforçada, ainda, por novas declarações da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, que voltou a alertar sobre a possibilidade de desaceleração econômica e elevação da inflação na zona do euro em decorrência da intensificação de conflitos comerciais. A maior aversão global a riscos prejudicou o desempenho de ativos arriscados, como ações, commodities e moedas de países emergentes, como o real.
Copom mais firme Contudo, contribuiu para limitar as perdas do real a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), divulgada ontem após o fechamento do mercado. Em decisão unânime, o Comitê optou por elevar a taxa básica de juros (Selic) de 13,25% ao ano para 14,25% ao ano, em linha com as expectativas de analistas, e sinalizou um novo reajuste, de menor magnitude, para a reunião de maio, embora sem indicar seu tamanho ou indicativos para as etapas subsequentes. De acordo com o colegiado, a continuidade do ciclo de alta se justifica “diante da persistência de um cenário adverso para a convergência da inflação, da elevada incerteza e das defasagens inerentes ao atual ciclo de aperto monetário”. O comunicado oficial voltou a mencionar que os indicadores recentes de atividade econômica e do mercado de trabalho ainda indicam dinamismo, “embora alguns sinais apontem para uma moderação incipiente do crescimento”. A posição mais firme do Copom, sobretudo ao mencionar a possibilidade de outro aumento em maio, reforçou a perspectiva de ampliação do diferencial de juros brasileiro e favoreceu a atração de investimentos externos.
Novo leilão do BC Vale mencionar, por fim, que o Banco Central realizou hoje mais dois leilões de venda de dólares com compromisso de recompra (leilões de linha), cada um com oferta de US$ 1 bilhão, um com data de recompra em 04 de agosto e outro em 03 de setembro, assim como feito ontem. Estas operações foram realizadas para “rolar” outras operação de linha feitas no ano passado: os leilões de ontem foram feitos para substituir a operação feita em 13 de novembro com data de recompra em 02 de abril, enquanto a de hoje substituiu a operação feita em 12 de dezembro e com data de recompra também em 02 de abril. Com estes leilões, o Banco Central busca garantir liquidez ao mercado de moedas e evitar que uma demanda adicional por dólares em 02 de abril pressione a taxa de câmbio nessa data.




