Câmbio termina a terça em queda, refletindo indicadores americanos e ansiedade com tarifas
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,6826 (-0,4%)
= Dollar Index (DXY): ~104,2 pontos (0,0%)
O mercado de moedas repercutiu um ambiente externo de cautela em meio às dúvidas expressivas sobre os detalhes do aguardado anúncio de tarifas de importação pelos EUA amanhã, bem como a dados para indústria e mercado de trabalho no país.
Variações | No dia: -0,42% | Na semana: -1,39% | No mês: -0,42% | No ano: -8,02% | Em 12 meses: +12,33% |
Incerteza e imprevisibilidade das tarifas americanas Após passar a manhã alternando entre perdas e ganhos, a taxa de câmbio do real passou a apresentar tendência de queda ao longo da tarde, em linha com o movimento externo de enfraquecimento global do dólar. O movimento da manhã era reflexo de uma postura cautelosa dos investidores enquanto aguardavam pelo anúncio de amanhã de tarifas de importação pelos EUA. Embora existam dúvidas significativas quanto ao que pode ser anunciado, operadores do mercado financeiro se antecipam para um “choque” tarifário, isto é para uma intensificação significativa e prolongada das barreiras comerciais do país, sem uma visão clara de possível reversão dessa tendência. Este cenário favorece o desempenho de ativos considerados “portos seguros” para momentos de insegurança e estresse, como o ouro, o franco suíço e o iene japonês, o que costuma prejudicar o desempenho do real. Contudo, na sessão de hoje, essa tendência foi amenizada por um movimento de diversificação e diluição de riscos por investidores, que buscam reduzir a exposição de seus portfólios a ativos americanos e que tem favorecido uma busca por alguns ativos arriscados, como ações, commodities e moedas de economias emergentes, como o Brasil.
Receio de estagflação nos EUA A tendência de enfraquecimento do dólar se aprofundou no final da manhã, após a divulgação de dados mais fracos para a economia americana. O Índice Gerente de Compras (PMI) industrial medido pelo instituto ISM recuou em março, puxada pela queda de encomendas e do emprego no setor, enquanto o índice de preços pagos por insumos aumentou fortemente, atingindo a maior marca desde junho de 2022. Já a Pesquisa de Abertura de Vagas e Turnovers (JOLTS) mostrou uma queda maior que o antecipado no número de vagas em aberto, passando de 7,740 milhões em janeiro para 7,568 milhões em fevereiro. Esses números – queda na produção e nas encomendas industriais, preços de insumos mais caros e menor demanda por trabalhadores – reforçaram os temores entre investidores de uma “estagflação” da economia americana e reduziram firmemente os rendimentos dos títulos do tesouro americano (Treasuries), o que, por sua vez, deu um impulso a ativos arriscados, como commodities e moedas de países exportadores de produtos primários, como o real.




