Câmbio fecha a quinta em alta, refletindo retorno da aversão global a riscos
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,8992 (+0,9%)
▼ Dollar Index (DXY): ~101,2 pontos (-1,8%)
O mercado de divisas repercutiu nova sessão de forte pessimismo e aversão ao risco por conta da escalada do conflito comercial entre Estados Unidos e China, com o governo americano novamente elevando as tarifas de importação sobre o país asiático.
Variações | No dia: +0,89% | Na semana: +1,04% | No mês: +3,38% | No ano: -4,51% | Em 12 meses: +16,16% |
Repercussões das tensões comerciais Em mais um dia de ampla volatilidade, a taxa de câmbio do real apresentou forte tendência de alta, oscilando quase quinze centavos entre a mínima (R$ 5,8172) e a máxima (R$ 5,9550), devolvendo boa parte dos ganhos obtidos na sessão de ontem, quando a decisão do governo dos Estados Unidos manter todas as tarifas de importação (com exceção da China) no patamar mínimo de 10% por 90 dias resultou em intenso otimismo e forte rali de ativos arriscados. O movimento de hoje refletiu uma leitura entre investidores de que a imprevisibilidade e a inconsistência da política comercial americana podem prejudicar o crescimento econômico global. Adicionalmente, o anúncio pela Casa Branca de que as sobretaxas de importação sobre produtos chineses serão de 145%, e não 125% como afirmado pelo presidente americano ontem, aprofundou receios de que a guerra tarifária entre as duas maiores economias globais trará repercussões negativas para todas as nações. Isto impulsionou o desempenho de ativos considerados “portos seguros”, como o euro, o iene japonês e o franco suíço, prejudicando o desempenho do real.
CPI abaixo do esperado Nem mesmo um recuo inesperado do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de março nos EUA foi capaz de gerar otimismo entre investidores. O índice caiu 0,1% no mês, frente a uma projeção mediana de aumento de 0,1%, enquanto o núcleo do indicador, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia, cresceu 0,1% em março, também abaixo da estimativa mediana de 0,3%, resultando em uma alta acumulada em 12 meses de 2,4% no núcleo, menor valor desde março de 2021. Embora o dado indique a inflação nos EUA esteja se estabilizando, investidores avaliaram que o cenário inflacionário pode piorar a partir de abril por conta das repercussões da brusca intensificação das tarifas americanas e se mantiveram pessimistas durante a sessão.




