Câmbio fecha a terça em queda, refletindo recuos em tarifas de Trump e dados econômicos dos EUA
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,6315 (-0,3%)
▲ Dollar Index (DXY): ~99,2 pontos (+0,3%)
O mercado de divisas reagiu à melhora no humor externo, impulsionada por notícias de que o governo norte-americano pretende mitigar os impactos das tarifas sobre seu setor automotivo. Adicionalmente, o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, anunciou a celebração de um novo acordo comercial com um parceiro estrangeiro, embora sem ainda divulgar o país envolvido. Por outro lado, a divulgação de dados de atividade econômica abaixo das expectativas ao longo do dia acentuou as incertezas quanto aos efeitos concretos do ambiente de instabilidade gerado pela atual administração.
Variações | No dia: -0,31% | Na semana: -1,03% | No mês: -1,32% | No ano: -8,85% | Em 12 meses: +10,09%
Avanço de ativos arriscados A taxa de câmbio do real apresentou tendência de queda ao longo das operações desta terça-feira, consolidando a oitava sessão consecutiva de valorização da moeda brasileira. O real acompanhou o movimento positivo das moedas de países emergentes, que se beneficiaram de um ambiente de menor aversão global ao risco, impulsionado por novas sinalizações de recuo do governo norte-americano em sua política tarifária. Pela manhã, repercutiu entre os investidores a notícia de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto destinado a suavizar os impactos de suas tarifas automotivas, por meio da concessão de créditos e isenções sobre outros materiais. Adicionalmente, no período da tarde, o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, anunciou a celebração de um novo acordo comercial com um parceiro estrangeiro, embora sem revelar o país envolvido. Esses anúncios, ao sugerirem um possível arrefecimento nas tensões comerciais dos Estados Unidos com seus parceiros, favoreceram o desempenho de ativos considerados mais arriscados, como ações, commodities e moedas emergentes, impulsionando o maior apetite por risco nos mercados globais.
Dados econômicos americanos pioram Ao longo do dia, adicionalmente, investidores avaliaram a divulgação de dados de atividade econômica para os EUA, buscando por sinais sobre impactos das medidas propostas pelo novo governo sobre o desempenho econômico do país. Nesse âmbito, o destaque foi o déficit comercial de bens, que se ampliou 9,6% em março e atingiu o recorde de US$ 162 bilhões, impulsionado por uma disparada nas importações, possivelmente em movimento de antecipação de estoques diante da expectativa de anúncios tarifários ao longo de abril. As importações de bens de consumo cresceram 27,5%, com fortes avanços também em veículos e bens de capital. Por sua vez, o relatório JOLTS mostrou que o número de ofertas de emprego recuou em 288 mil em março, para 7,192 milhões de vagas, o menor patamar desde setembro do ano passado, sugerindo possivel arrefecimento na demanda por trabalho. Apesar disso, as taxas de demissões continuaram baixas, indicando que, até o momento, as empresas ainda evitam dispensas em larga escala. Somando-se a esses sinais de fragilidade, o índice de confiança do consumidor, medido pelo Conference Board, caiu 7,9 pontos em abril, para 86,0, o menor nível desde maio de 2020. A pesquisa destacou que as preocupações com tarifas atingiram um recorde histórico nas menções espontâneas dos entrevistados, ampliando a percepção de deterioração no sentimento das famílias em relação à economia e ao mercado de trabalho.




