Câmbio encerra a quarta em alta, refletindo avanço global do dólar após decisão do FOMC
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,7444 (+0,6%)
▲ Dollar Index (DXY): ~99,8 pontos (+0,6%)
O mercado de divisas repercutiu o fortalecimento amplo da moeda americana após a decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed), que manteve seus juros estáveis e adotou um tom cauteloso em sua comunicação, alertando para o grau mais elevado de incerteza no panorama econômico.
Variações | No dia: +0,57% | Na semana: +1,57% | No mês: +1,21% | No ano: -7,02% | Em 12 meses: +13,34% |
Decisão do FOMC A taxa de câmbio do real apresentou tendência de alta ao longo da sessão desta quarta-feira, em linha com o movimento externo de fortalecimento do dólar após o tom cauteloso adotado pelo Federal Reserve em sua decisão de política monetária, que manteve os juros americanos estáveis no intervalo entre 4,25% e 4,50% ao ano, em linha com as expectativas de analistas. Em seu comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto avaliou que a economia permanece resiliente, que o mercado de trabalho continua em boa forma e que a inflação continua “um pouco elevada”. Contudo, o Comitê alertou que o grau de incerteza no panorama econômico se elevou desde março, e que tanto os riscos de uma inflação mais persistente como os riscos de uma desaceleração econômica estão mais altos. Em coletiva de imprensa, o presidente do FOMC, Jerome Powell, afirmou que “é apropriado” para o Federal Reserve “esperar e ver” a evolução do cenário econômico em função da incerteza elevada, e que o banco central americano “não precisa ter pressa” para mudar sua política monetária antes de ter “maior clareza” sobre as perspectivas macroeconômicas. A postura conservadora do Federal Reserve em sua decisão reforça as leituras de que os juros americanos se manterão estáveis por mais tempo e que o Fed será cauteloso antes de adotar um novo ciclo de cortes de juros, o que favorece o rendimento de títulos denominados em dólar e fortalece a moeda americana.
Decisão do Copom No Brasil, investidores se mantiveram em compasso de espera pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), cuja expectativa entre analistas é de um aumento de em 0,50 ponto percentual para a taxa básica de juros (Selic), de 14,25% para 14,75% ao ano. Na reunião anterior, o Comitê havia sinalizado a intenção elevar a Selic em magnitude inferior a 1 ponto percentual. Diante desse cenário de previsibilidade, as atenções devem recair sobre as indicações futuras da autoridade monetária (forward guidance), especialmente em relação à duração do ciclo de aperto monetário. Espera-se que o Copom reforce a leitura de piora do quadro inflacionário, o que justificaria a manutenção de uma postura mais restritiva. Por outro lado, a autoridade monetária também deve ressaltar sinais de desaceleração da atividade econômica, o que pode motivar maior cautela nas decisões futuras. Assim, mesmo com uma elevação adicional da Selic, uma eventual sinalização de moderação no ritmo de altas, ou mesmo o encerramento do ciclo, poderia reduzir a expectativa de diferencial de juros frente a economias avançadas, limitando a atratividade dos ativos brasileiros e contribuindo para a desvalorização do real no pregão de amanhã.

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

