Câmbio fecha a quinta em alta, refletindo rumores sobre pacote fiscal no Brasil
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,6803 (+0,8%)
▼ Dollar Index (DXY): ~100,8 pontos (-0,2%)
Em dia de agenda carregada, o mercado de moedas repercutiu reportagens que afirmam que o governo brasileiro prepara um conjunto de medidas para alavancar sua popularidade, bem como indícios de desaceleração do consumo nos EUA.
Variações | No dia: +0,84% | Na semana: +0,46% | No mês: +0,08% | No ano: -8,05% | Em 12 meses: +10,58%
Volta das preocupações fiscais Após passar a maior parte do pregão rondando a estabilidade, a taxa de câmbio do real passou a apresentar tendência de firme alta nas últimas horas de negociação, refletindo a preocupações de investidores com o cenário fiscal brasileiro após reportagens de imprensa afirmarem que o governo brasileiro prepara um conjunto de medidas para alavancar a sua popularidade. Entre as medidas estudadas, estariam um novo Vale Gás, linhas de crédito para entregadores de aplicativo e para reforma de moradias. Na sequência, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, procurou negar a existência dessas medidas, afirmando que qualquer iniciativa do Executivo estará dentro do Orçamento e que o governo estuda algumas medidas para 2025, porém que elas seriam “pontuais” e que buscariam tanto limitar o nível de despesas federais quanto ampliar a base de arrecadação. Entretanto, mesmo com as declarações de Haddad, a notícia resultou em pessimismo entre investidores e elevou as percepções de riscos fiscais para ativos brasileiros, levando o real ao pior desempenho do dia entre as moedas mais líquidas no mercado de divisas.
Desaceleração do varejo nos EUA No cenário externo, o dia foi de divulgações importantes para os Estados Unidos, com destaque para a desaceleração dos dados de vendas no varejo em abril no país. No período, o indicador registrou avanço de 0,1% para o setor, desaceleração considerável em relação à alta de 1,7% observada no mês anterior. O resultado mais moderado preocupa investidores, especialmente considerando que este foi o primeiro resultado após a imposição das diversas tarifas de importação por parte do governo norte-americano. Nesse sentido, enquanto o forte desempenho de março teria sido impulsionado pela antecipação de compras pelos americanos para escapar dos efeitos potenciais de tarifas de importação, essa tendência não se repetiu em abril, o que prejudicou o desempenho do indicador no mês. Dessa forma, a divulgação de números mais fracos para a demanda do consumidor, que foi um dos principais pilares do crescimento econômico no ano passado, eleva os temores entre investidores de uma “estagflação” do país e resulta em maior aversão a riscos, o que pode ter contribuído com o recuo no desempenho de ativos arriscados como ações, commodities e moedas de países emergentes, como o real.

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

