Câmbio encerra a quinta em alta, refletindo mau humor com cenário fiscal brasileiro
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,6611 (+0,3%)
▲ Dollar Index (DXY): ~99,9 pontos (+0,4%)
O mercado de divisas repercutiu a preocupação de investidores com o cenário fiscal brasileiro após notícia de aumento do IOF pelo governo brasileiro, porém sem maiores detalhes a respeito dessas mudanças.
Variações | No dia: +0,35% | Na semana: -0,14% | No mês: -0,26% | No ano: -8,36% | Em 12 meses: +9,86% |
Notícias sobre contas públicas brasileiras provoca forte volatilidade no mercado cambial
Por que isso é importante: O pessimismo e ceticismo de investidores com a condução da política fiscal brasileira provocou forte desvalorização da taxa de câmbio do real em 2024, e o noticiário hoje mostrou que o cenário fiscal mantém seu potencial de provocar oscilações nos mercados financeiros brasileiros.
Panorama geral: Durante a tarde de hoje, a divulgação de que o governo brasileiro faria um congelamento de despesas maior que o inicialmente estimado intensificou o movimento de queda da taxa de câmbio do real, que chegou a cruzar abaixo do nível de R$ 5,60.
- O governo anunciou um contingenciamento de R$ 31,3 bilhões em gastos para cumprir as metas fiscais deste ano, acima das projeções de analistas, que antecipavam entre R$ 10 e R$ 15 bilhões.
- O governo também confirmou a informação de reportagens de que o Imposto sobre Operação Financeiras (IOF) seria aumentado.
- A meta fiscal de 2025 é de resultado primário zero, com intervalo de 0,25 ponto do Produto Interno Bruto (PIB) para mais ou para menos, o equivalente a R$ 30,9 bilhões.
Contudo: Entretanto, o contingenciamento maior foi resultado de uma piora da projeção do governo para o resultado este ano, que passou de superávit primário de R$ 14,6 bilhões para déficit de R$ 51,7 bilhões.
- Com o congelamento de R$ 31,3 bilhões, o Executivo continua mirando o limite mínimo aceitável para a meta fiscal, de -0,25% do PIB, reforçando o ceticismo de investidores com o comprometimento do governo com o equilíbrio fiscal.
- Adicionalmente, mesmo confirmando o aumento do IOF, o governo adiou a divulgação de detalhes sobre essa medida para após o encerramento do mercado.
- O adiamento dos detalhes sobre a elevação do imposto gerou forte estresse entre os operadores do mercado financeiro e levou a receios de que as operações de câmbio pudessem ser afetadas.
Em resumo: A falta de clareza sobre as mudanças para o IOF e a perseguição do limite mínimo aceitável para a meta fiscal pela equipe econômica acabou revertendo o otimismo inicial observado durante a tarde e resultou em forte desvalorização da moeda brasileira.
Aprovação do projeto de Orçamento de Trump na Câmara mantém investidores em alerta com riscos fiscais nos Estados Unidos.
Por que isso é importante: O projeto aprovado, nesta manhã, pela Câmara dos Deputados dos Estados Unidos tende a adicionar trilhões de dólares à dívida pública do país ao longo da próxima década, alimentando a apreensão dos investidores quanto à sustentabilidade das finanças nacionais.
Panorama geral: Investidores manifestam preocupação com o potencial impacto fiscal da medida, que poderá ampliar o déficit do governo e acelerar o ritmo de endividamento público.
- A crescente inquietação quanto à sustentabilidade da dívida americana tem levado investidores a se desfazerem de títulos do Tesouro (Treasuries), pressionando para cima os rendimentos desses papéis e, consequentemente, enfraquecendo o dólar frente a outras moedas.
Em detalhes: A proposta propõe, entre outros tópicos, estender cortes de impostos aplicados durante o primeiro termo de Donald Trump, isentar alguns rendimentos de imposto de renda (como gorjetas e horas extras), financiamentos automotivos, além de aumentar os gastos com defesa e com o reforço da segurança nas fronteiras.
- Por um lado, a Casa Branca e seus aliados argumentam que tais cortes tributários seriam compensados pelo incremento da arrecadação fiscal decorrente de uma eventual aceleração da atividade econômica.
- Por outro, estimativas independentes indicam que o déficit fiscal dos Estados Unidos deverá se agravar, exigindo um ritmo ainda mais intenso de endividamento público.
Contudo: Embora as preocupações de investidores com o endividamento público dos Estados Unidos tenham enfraquecido o dólar durante toda a semana, na sessão de hoje observou-se uma recuperação parcial, possivelmente como movimento de realização de lucros.
Em resumo: Os receios de investidores com a trajetória fiscal e econômica dos Estados Unidos tem resultado em maior aversão global a riscos e favorecido o desempenho de moedas consideradas "portos seguros", como o iene japonês, o euro e o franco suíço. Embora este movimento não tenha se concretizado no pregão de hoje, a tendência é de enfraquecimento adicional da moeda americana.

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

