Câmbio termina quarta em queda, refletindo inflação americana mais branda e acordo preliminar entre EUA e China
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,5386 (-0,6%)
▼ Dollar Index (DXY): ~98,7 pontos (-0,4%)
O mercado de divisas repercutiu o enfraquecimento amplo da moeda americana após o anúncio de um acordo preliminar entre Estados Unidos e China para remover controles de exportação e uma leitura menor que o esperado para o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) americano de maio.
Variações | No dia: -0,54% | Na semana: -0,57% | No mês: -3,18% | No ano: -10,35% | Em 12 meses: +3,34% |
Inflação americana sobe menos do que o esperado em maio
Medidas de inflação para os Estados Unidos (%)

Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.
O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos desacelerou em maio e cresceu menos que o esperado tanto em seu índice cheio como em seu núcleo, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia.
Por que isso é importante: A leitura mais branda de maio sugere que os preços continuam se estabilizando e, por isso, o Federal Reserve pode ter mais espaço para voltar a cortar juros. Isso, por sua vez, contribuiu para a diminuição do rendimento dos títulos do Tesouro americano e desvalorizou o dólar globalmente.
- Adicionalmente, o número mais baixo reduziu preocupações de que o “choque tarifário” aplicado pela Casa Branca pudesse impulsionar a inflação de segmentos mais expostos à importação, um efeito esperado que não se manifestou até o momento.
Em detalhes: O CPI aumentou 0,1% em maio, abaixo da projeção mediana de 0,2% e da alta de 0,2% de abril, enquanto o núcleo do índice também avançou 0,1%, abaixo da estimativa mediana de 0,3% e do aumento de 0,2% de abril.
- No acumulado em 12 meses, o CPI passou de 2,3% em abril para 2,4% em maio, enquanto o núcleo se manteve em 2,8%, ainda acima da meta de 2% ao ano perseguida pelo Federal Reserve.
Em resumo: A leitura mais moderada para a inflação nos EUA aumentou apostas de investidores de que o Federal Reserve pode realizar novos cortes de juros mais cedo do que o esperado, prejudicando a atração de recursos estrangeiros para os Estados Unidos e enfraquecendo o dólar perante a maior parte das moedas.
Alta dos juros futuros no Brasil reforçam valorização da moeda brasileira
Incertezas quanto às medidas que possam substituir o aumento do Imposto de Operações Financeiras (IOF) e recuperação das apostas de novo aumento para a taxa básica de juros (Selic) elevaram as taxas de juros de contratos futuros na sessão.
Por que isso é importante: a elevação dos rendimentos de títulos brasileiros amplia o diferencial de juros com outras economias e favorece a atração de investimentos externos, o que contribuiu para o fortalecimento do real.
Panorama: Embora ainda seja incerto qual será a decisão do Comitê de Política Monetária na próxima quarta-feira, investidores tem aumentado suas apostas de que a taxa Selic será elevada mais uma vez, em 0,25 p.p.
- Esse movimento foi impulsionado por leituras mais aquecidas que o esperado para o mercado de trabalho brasileiro e para o Produto Interno Bruto (PIB), bem como uma comunicação mais cautelosa de integrantes do Banco Central.
- Adicionalmente, as dúvidas sobre como ficarão as medidas alternativas ao aumento do IOF em sua tramitação pelo Congresso e como ficarão as alíquotas do imposto contribuíram para uma maior exigência de prêmios de riscos pelos agentes do mercado financeiro, elevando os juros dos contratos futuros.
EUA e China fecham “acordo preliminar” para remover controles de exportação
Autoridades americanas e chinesas concordaram com uma estrutura básica para implantar o “Consenso de Genebra” e remover os controles de exportações entre os países.
Por que isso é importante: O acordo sinaliza um progresso contínuo, embora lento, para a suavização das tensões comerciais entre as duas maiores economias globais, o que reduz receios de uma desaceleração mais intensa do crescimento de ambas.
Panorama: Após dois dias de longa negociação, os negociadores dos Estados Unidos e da China anunciaram que “chega[ram] a uma estrutura preliminar para implantar o Consenso de Genebra”, referindo-se ao consenso inicial para redução de tarifas de importação por 90 dias pactuado em 12 de maio, em Genebra.
- Um ponto central das discussões foram os controles de exportações aplicados tanto pelos EUA como pela China. Em particular, Washington havia entendido após as discussões em Genebra que a China permitiria mais exportações de minerais de terras raras.
- Em troca dessas permissões, o governo de Donald Trump se disponibilizou a remover uma série de restrições recentes, como chips avançados, softwares para design de chips, peças para motores a jato, produtos químicos e materiais nucleares
Em resumo: Embora mais detalhes sejam necessários, o aparente progresso nas discussões entre Estados Unidos e China tende a diminuir receios de uma desaceleração econômica em ambos e ampliar o apetite por riscos de investidores, o que contribui para uma queda da taxa de câmbio do real.

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

