Câmbio termina quinta em leve alta, refletindo resistência às medidas fiscais brasileiras, tensões comerciais e geopolíticas globais e inflação americana
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,5435 (+0,1%)
▼ Dollar Index (DXY): ~97,7 pontos (-0,7%)
O mercado de divisas repercutiu o enfraquecimento amplo da moeda americana após indicadores econômicos mais fracos para o país, novas ameaças de tarifas unilaterais pela Casa Branca e temores de um conflito armado entre Israel e Irã. No Brasil, a ameaça do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, barrar as medidas fiscais proposta pelo governo para substituir parte do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Variações | No dia: +0,09% | Na semana: -0,48% | No mês: -3,09% | No ano: -10,27% | Em 12 meses: +2,59%
O aumento de temores fiscais no Brasil prejudicou o real na sessão, mesmo em dia de enfraquecimento amplo da moeda americana.
A taxa de câmbio do real fechou a sessão desta quinta-feira praticamente estável, diferentemente do observado no exterior, onde a moeda americana se depreciou perante a maior parte das moedas mais líquidas. No ambiente doméstico, o cenário fiscal parece ter pesado sobre ativos brasileiros, após o aumento das incertezas com relação à aprovação do pacote fiscal do governo no Congresso.
Por que isso é importante: O aumento das incertezas com relação aos ajustes propostos pelo governo pode impactar os prêmios de riscos exigidos para ativos brasileiros, o que tende a gerar volatilidade para o real.
Panorama geral: O governo federal publicou, ontem à noite, a medida provisória com ações para compensar o recuo realizado no aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
- O aumento do IOF, anunciado de forma inesperada há três semanas, gerou forte resistência entre setores produtivos e lideranças políticas.
- Em reação, parlamentares ameaçaram derrubar a medida caso o Ministério da Fazenda não apresentasse uma alternativa de arrecadação mais “duradoura e consistente”.
- Como solução, o governo articulou um conjunto de medidas para compensar o recuo parcial no aumento do IOF, e a maior parte dessas propostas foi formalizada na medida provisória publicada ontem.
Contudo: Permanece, entretanto, certa cautela de que a medida proposta pelo governo se manterá, já que ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 60 dias.
- Tais temores tem se acentuado ao longo da semana diante da comunicação por parte do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, de que não tem compromisso de aprovar a medida.
- Nesta quinta-feira, Motta decidiu pautar a urgência do projeto de decreto legislativo (PDL) que visa sustar os efeitos da medida, o que aumentou os temores de que ela não avance no Legislativo.
Em resumo: A elevação dos temores em torno de um possível embate entre governo e Congresso com relação ao pacote fiscal pode seguir impactando na percepção de riscos fiscais entre investidores, o que tende a prejudicar o real e demais ativos domésticos.
Dólar recua no exterior em meio a aumento do pessimismo sobre política comercial dos EUA
No mercado internacional, o dólar se enfraqueceu frente à maioria das moedas mais líquidas nesta quinta-feira. O movimento refletiu, em parte, o aumento do pessimismo quanto à possibilidade de flexibilização das barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos.
Panorama geral: Desde a imposição de amplas tarifas de importação pelo governo norte-americano, em 2 de abril, o dólar tem perdido valor frente a diversas moedas pares. Esse movimento tem sido impulsionado por uma estratégia de diversificação por parte dos investidores, que vêm favorecendo tanto moedas consideradas "porto seguro", quanto divisas de países emergentes, como o real.
- Nesta quinta-feira, o enfraquecimento do dólar se intensificou desde as primeiras horas do dia, em meio à crescente percepção de que o governo Trump pode não recuar nas medidas protecionistas.
- O pessimismo ganhou força após a falta de avanços significativos nas conversas entre autoridades dos EUA e da China nesta semana, além da divulgação de indicadores econômicos mais moderados referentes ao mês de maio — com destaque para o Índice de Preços ao Produtor (PPI), divulgado hoje, que mostrou avanço mais contido da inflação.
- Nesse contexto, consolidou-se entre os investidores a percepção de que os Estados Unidos podem sustentar, ao menos no curto prazo, os impactos iniciais da guerra comercial sem sofrer consequências econômicas relevantes. Isso reduz a pressão por concessões nas barreiras tarifárias, frustrando expectativas de alívio por parte de seus parceiros comerciais.
- Ao mesmo tempo, a leitura de uma inflação mais comportada reforça a expectativa de que o Federal Reserve possa ter espaço para cortes de juros no curto prazo — fator que também contribui para a desvalorização da moeda americana.
Aumento das tensões entre Israel e Irã
De acordo com informações divulgadas nesta quinta-feira, o enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, Steve Witkoff, alertou para o risco de uma retaliação iraniana com elevado número de vítimas, caso Israel decida atacar instalações nucleares no Irã.
Panorama geral: Os Estados Unidos se preparam para intermediar a sexta rodada de negociações nucleares com o Irã neste domingo. No entanto, o crescente pessimismo em torno do sucesso das conversas tem elevado as tensões geopolíticas na região, especialmente envolvendo Israel.
- Diante da possibilidade de uma ofensiva israelense caso as negociações fracassem, Witkoff soou o alarme sobre as potenciais consequências de um confronto direto. Segundo ele, uma resposta iraniana poderia sobrecarregar os sistemas de defesa de Israel e causar danos significativos.
- Além disso, o Irã já ameaçou atacar alvos norte-americanos na região caso suas instalações nucleares sejam atingidas. Como medida preventiva, o governo dos EUA iniciou a retirada de diplomatas e familiares de militares que possam estar em áreas de risco.
- O presidente Donald Trump afirmou que ainda busca um acordo com o Irã e que preferiria que Israel evitasse qualquer ação que pudesse comprometer essa possibilidade, enquanto houver espaço para avanços diplomáticos.
Em resumo: O aumento das tensões entre Irã, Israel e Estados Unidos elevou a percepção de risco geopolítico global. Esse cenário pode ter impulsionado a busca por ativos considerados mais seguros, como moedas de países "porto-seguro" e o ouro, podendo ter contribuído para a intensificação das perdas do dólar na sessão.

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

