Câmbio termina quinta em alta, refletindo política comercial entre Brasil e Estados Unidos
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,542 (+0,7%)
▲ Dollar Index (DXY): ~97,6 pontos (+0,1%)
O mercado de divisas deve repercutir o ambiente de preocupação e cautela após o anúncio de alíquotas de importação de 50% a produtos brasileiros pelo governo americano. Apesar da forte alta do dólar na abertura dos mercados, a moeda americana encerrou distante da máxima do dia, o que sugere certa acomodação após o impacto inicial.
Variações | No dia: +0,70% | Na semana: +2,16% | No mês: +1,97% | No ano: -10,29% | Em 12 meses: +2,38% |
Dólar abre em forte alta, mas reverte parte de seu avanço ao longo da sessão
O dólar iniciou a sessão desta quinta-feira em forte alta frente ao real, superando a marca de R$ 5,62 nas primeiras negociações. Ao longo do dia, no entanto, o movimento se reverteu, e a moeda americana encerrou o pregão cotada em cerca de R$ 5,54.
Por que isso é importante: A reversão da valorização indica que os investidores permanecem céticos quanto à magnitude e à durabilidade das tarifas anunciadas por Donald Trump ao Brasil, o que deve ter contribuído, pelo menos parcialmente, com o impacto imediato sobre o câmbio.
Panorama: Ontem, após o horário de pregão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou inesperadamente tarifas de importação de 50% sobre todos os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.
- Trump atribuiu sua decisão aos processos judiciais “injustos” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, às “ordens [judiciais] de censura secretas e ilegais às plataformas de mídia social dos EUA” e por “ataques contínuos aos negócios digitais de empresas americanas”.
- O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, disse que o Brasil vai equiparar qualquer aumento unilateral de tarifas com base na Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada há três meses.
Contudo: Na prática, Trump tem atuado de forma bastante flexível e liberal na aplicação de tarifas de importação e pode, se assim desejar, impor tarifas de qualquer magnitude sobre o Brasil.
- Conforme já mencionado em edições do Panorama Semanal de Câmbio, “a Casa Branca intensifica [a] incerteza e imprevisibilidade [na condução das políticas econômicas americanas] ao promover (...) alterações por meio de atos do poder Executivo, praticamente desacompanhadas de mudanças na legislação, utilizando-se de oito declarações de Estado de Emergência para amparar juridicamente estes atos”.
- Vale lembrar também que, em outras ocasiões, o presidente americano já decidiu recuar em anúncios de aumentos tarifários a outros países, o que contribuiu na criação do termo "TACO", que em inglês significa "Trump Always Chickens Out". Em português, tal termo pode ser traduzido como "Trump sempre volta atrás".

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

