
Abertura de Câmbio
Câmbio deve refletir cenário geopolítico enquanto aguarda pelo Copom

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By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

▲ Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,5798 (+0,1%)
▲ Dollar Index (DXY): ~99,8 pontos (+1,0%)
Em sessão de intensa volatilidade, o mercado de divisas repercutiu o fortalecimento generalizado do dólar após o Federal Reserve adotar uma postura cautelosa em sua decisão de juros, bem como dados mais fortes que o esperado para o mercado de trabalho e a atividade econômica nos EUA.
Variações do dólar comercial | No dia: -0,42% | Na semana: +0,12% | No mês: +2,46% | No ano: -9,86% | Em 12 meses: -1,01% |
A taxa de câmbio do real apresentou forte volatilidade na sessão desta quarta-feira, em um dia de força global do dólar e da formalização das tarifas americanas sobre o Brasil.
• Embora a Casa Branca tenha confirmado a alíquota de 50% sobre importações do Brasil, ela inesperadamente prorrogou o início da taxação para quarta-feira que vem (06) e isentou uma série de produtos
Por que isso foi importante: As isenções inesperadas diminuíram receios de prejuízos das tarifas aos segmentos exportadores brasileiros, enquanto a prorrogação aumentou as esperanças de uma solução negociada entre os dois países.
• Com isso, o real teve um dos melhores desempenhos globais entre as moedas mais líquidas.
Panorama: Na tarde desta quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma Ordem Executiva aumentando a tarifa de importação sobre produtos brasileiros para 50% a partir da próxima quarta-feira (06).
• Ficaram isentos dessa nova tarifa diversos produtos da pauta exportadora brasileira, como suco de laranja, minério de ferro, produtos primários de ferro e aço, fertilizantes, celulose, produtos energéticos e de aviação civil.
• Porém, outros segmentos importantes serão tarifados, como café, carnes e pescado.
O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) manteve sua taxa de juros inalterada, no intervalo entre 4,25% e 4,50% a.a, em decisão largamente antecipada pelos investidores.
• Dois integrantes do Comitê, Michelle Bowman e Christopher Waller, votaram por um corte de juros de 0,25 p.p., o que também era antecipado.
Por que isso foi importante: A postura mais cautelosa do presidente do Fed, Jerome Powell, em sua coletiva de imprensa após a decisão diminuiu apostas de cortes de juros pelos investidores, o que aumentou a perspectiva de rendimentos de títulos americanos e fortaleceu o dólar globalmente.
Panorama: Em sua coletiva, Powell procurou sinalizar que a política monetária americana está bem-posicionada e que não há pressa para voltar a cortar juros.
• Ele afirmou que, embora seja possível que as pressões inflacionárias causadas pelas novas tarifas de importação sejam temporárias, ainda não é possível afastar os riscos de uma pressão mais abrangente e persistente.
• Powell também afirmou que a composição da inflação americana começou a mudar, com preços de serviços se desacelerando enquanto os preços de alguns bens industriais aceleraram.
• Adicionalmente, Powell alertou que os indicadores ainda apontam para um mercado de trabalho saudável e que a inflação está mais distante da meta buscada pelo Fed do que o emprego está de sua meta.


A primeira prévia do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no segundo trimestre apontou crescimento anualizado de 3,0%, após retração de 0,5% no trimestre anterior.
• Em paralelo, o relatório de emprego privado do mês de julho, divulgado pelo instituto ADP, indicou criação de 104 mil novas vagas, superando tanto a expectativa mediana de 77 mil quanto o resultado negativo de junho, quando houve fechamento de 33 mil postos.
Por que isso foi importante: A divulgação de dados mais fortes para o mercado de trabalho e crescimento para o país reforçou a percepção de resiliência da economia americana, o que diminuiu apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve e contribuiu para o fortalecimento global do dólar.
Panorama geral: Apesar da surpresa positiva com o PIB, vale destacar que parte da oscilação entre os trimestres pode estar associada à dinâmica recente das importações no país. O nível de importações impacta diretamente o cálculo do PIB, dado que as importações são descontadas da soma final do Produto.
• O recuo observado no primeiro trimestre refletiu um movimento antecipado de estoques de importados por parte das empresas, que se adiantaram à implementação das tarifas. No segundo trimestre, por sua vez, a queda acentuada das importações favoreceu a recuperação do indicador.
• Nesse contexto, o crescimento anualizado da demanda final doméstica privada americana desacelerou para 1,2% no trimestre, menor taxa desde o quarto trimestre de 2022.
• A demanda final doméstica privada americana exclui as variações de estoque, os gastos do governo e o saldo comercial do Produto Interno Bruto, ou, de outra forma, soma o consumo das famílias e os investimentos produtivos das empresas.
• Essa medida mostra que o crescimento do setor privado americano está desacelerando, o que pode ser um indício de enfraquecimento da atividade produtiva por conta do nível mais alto dos juros do país.

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