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Fechamento de Câmbio

By: Vitor Andrioli, Market Intelligence Manager - Brazil

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Dólar se fortalece em dia de decisões de juros no Brasil e nos EUA, em meio à intensificação do conflito no Oriente Médio

 Taxa de câmbio (USDBRL): R$ 5,23 (+0,46%) 
 DollarIndex (DXY): 100,2pontos (+0,65%)

Principais tópicos do dia 

  • Federal Reserve mantém juros americanos inalterados;
  • Banco Central deve reduzir a Selic em 0,25% a.a.;
  • Conflito no Oriente médio entra em seu 18º dia e segue gerando volatilidade.

 

Fed mantém juros estáveis na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano

 O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve manteve inalterada a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano na decisão desta quarta‑feira.

  • A decisão não foi unânime. O único voto dissidente foi de Stephen Miran, que defendeu um corte de 0,25 ponto percentual. Miran, escolhido por Donald Trump no ano passado para ocupar uma vaga interina no Federal Reserve, tem reiterado votos a favor de reduções mais agressivas de juros nas últimas reuniões, em linha com o discurso do presidente desde que assumiu a Casa Branca.

 

Por que isso foi importante: A manutenção dos juros e o tom mais cauteloso do Fed quanto à possibilidade de cortes adicionais reforçaram a atratividade relativa dos ativos americanos, fortalecendo o dólar globalmente e elevando a inclinação restritiva da política monetária percebida pelos mercados.

 

Detalhes do "dot plot" e projeções: As Projeções Econômicas Sumarizadas (SEP), divulgadas a cada duas reuniões, voltaram a indicar apenas um corte de juros em 2026 e outro em 2027, antes que a taxa alcance gradualmente o nível de longo prazo, estimado em torno de 3%.

  • A mediana das projeções permaneceu estável em relação a setembro, mas o gráfico apresentou menor dispersão, sugerindo maior alinhamento interno em favor de juros elevados por um período mais prolongado.
  • Para a atividade, o comitê revisou levemente a projeção do PIB real de 2026, de 2,3% para 2,4%.
  • Para a inflação, os formuladores de política esperam que o PCE encerre 2026 em 2,7% tanto no índice cheio quanto no núcleo, permanecendo acima da meta de 2% e reforçando a avaliação de que a dinâmica inflacionária ainda exige prudência.

 

Falas de Jerome Powell: Na entrevista coletiva após a decisão, Jerome Powell buscou afastar temores de estagflação — combinação indesejada de desaceleração econômica com inflação persistentemente elevada.

  • Segundo Powell, “A ampla maioria dos indicadores que acompanhamos permanecem bem ancorados em relação às expectativas de inflação de longo prazo, próximas de 2%. Isso continua sendo o caso.”
  • Ele também enfatizou que o atual ambiente não se assemelha ao dos anos 1970: “Eu reservaria o termo estagflação para circunstâncias muito mais severas. Aquele período foi marcado por inflação realmente alta e um mercado de trabalho muito mais fraco. Não é a situação em que estamos.”

 

Panorama: Os dados mais recentes de atividade econômica, mesmo antes do impacto adicional da eclosão do conflito internacional, já vinham apontando um cenário mais desafiador para a autoridade monetária.

  • A inflação mostra progresso limitado rumo à meta de 2% e investidores avaliam que ela deve permanecer acima desse nível por alguns meses, em ritmo insuficiente para justificar novos cortes.
  • Como resultado, investidores reduziram suas expectativas de cortes consecutivos ao longo deste ano, apesar das pressões públicas de Trump por custos de financiamento menores e da expectativa de David Warsh assumir a presidência do Fed na reunião de 16–17 de junho.
  • Além do corte de 0,25 ponto percentual projetado para dezembro, os mercados futuros agora precificam apenas mais um corte em 2027, ritmo bem mais comedido do que o defendido pela Casa Branca.

Investidores apostam em corte de 0,25 p.p. na Selic

Hoje, após o fechamento dos mercados, o Copom anunciará o novo patamar da taxa básica de juros do Brasil, a Selic.

  • A maior parte dos investidores acredita em um corte de 0,25 p.p. na taxa, mas, nos últimos dias, cresceram também as apostas de que o Banco Central brasileiro optará pela manutenção da Selic no patamar atual, de 15%.
  • No entanto, desde o início do conflito no Oriente Médio, o aumento da aversão ao risco por parte dos investidores tem favorecido a moeda norte-americana.
  • Além disso, rumores sobre uma possível paralisação nacional dos caminhoneiros nesta terça‑feira levantam alertas quanto aos desdobramentos que o conflito pode trazer, ainda que indiretamente, para a inflação doméstica.

 

Por que isso é importante: O diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos aumenta a atratividade do mercado brasileiro, favorecendo a entrada de capital estrangeiro e contribuindo de forma decisiva para a valorização do real frente ao dólar nos últimos meses.

 

Panorama: O conflito no Oriente Médio, vale lembrar, reacendeu os temores de um recrudescimento da inflação e, diante disso, os investidores estarão atentos à sinalização do Banco Central do Brasil.

  • O tom do último comunicado do BC, cabe destacar, levou o mercado a passar a precificar cortes de até 0,5 p.p. nesta reunião. Contudo, com a mudança significativa do cenário internacional após a eclosão do conflito, aumentaram as incertezas sobre qual será, afinal, a decisão do Copom hoje.

 

Variações do dólar comercial

Diária: +0,46% | Semanal: -1,64% | Mensal: +1,88% | Anual: -4,44% | Em 12 meses: -7,78%

Variações do dollar index

Diária: +0,65% | Semanal: -0,24% | Mensal: +2,71% | Anual: +1,94% | Em 12 meses: -2,91%

image 128437​Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
  • Moedas

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