
Mercado Externo: Atenção aos rumos da política monetária
Nesse início de segunda-feira, os destaques vão para os acontecimentos relevantes da semana, como as decisões dos bancos centrais acerca da política monetária em diversos países, sobretudo no Brasil e nos Estados Unidos, e as respostas dos mercados acerca do WASDE e dos dados econômicos chineses.
Nos Estados Unidos, é esperado um corte de juros de 0,25 p.p., que recuaria os patamares para a casa dos 4,25% aos 4%. Com menor probabilidade, também está no radar dos investidores um corte de 0,5 p.p., o que colocaria os níveis dos juros numa faixa de 4% aos 3,75%.
O fechamento das bolsas asiáticas se deu de maneira mista nesta segunda-feira. O mercado da Ásia tenta responder aos entraves e às negociações comerciais entre China e EUA, aos dados econômicos chineses que representaram uma desaceleração no crescimento no país e ao iminente corte de juros norte-americano.
O mercado europeu opera em alta nesse primeiro recorte do dia. Com exceção a Londres, que opera em estabilidade, o restante das bolsas europeias apresentam um comportamento crescente em meio a essa semana decisiva quanto às determinações dos bancos centrais, sobretudo do Fed, conforme já comentado.
No Brasil, também são esperadas as determinações monetárias que ocorrerão ao longo da semana. A provável manutenção dos juros nacionais simboliza a incapacidade da economia brasileira em se flexibilizar neste momento.
Outro ponto de destaque foram os depoimentos do governo americano acerca do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Autoridades do governo americano disseram que a condenação consiste em uma “caça às bruxas” ante a oposição, e que o ministro Alexandre de Moraes utiliza da lei como arma política. A corte manifestou indiferença às falas e às potenciais sanções, e se considera preparada para resistir às aplicações da Lei Magnitsky. O presidente Lula enviou uma mensagem a Trump reafirmando que está aberto a negociações e avanços comerciais, mas que revisões no processo de condenação não estão em jogo.
Na ótica cambial, percebe-se a continuação da tendência de queda do dólar frente ao real enquanto os mercados aguardam decisões de juros.
Soja estável
Na última sexta-feira, o relatório de Oferta & Demanda do USDA reportou um cenário no geral baixista para a safra americana, ao contrário do antecipado pelo mercado. Ainda assim, a soja reagiu em alta nas horas seguintes à publicação das novas estimativas.
Apesar do aumento da área plantada no relatório de setembro, o mercado ainda se mantém bastante cético quanto aos rendimentos da safra americana, principalmente frente ao clima mais seco em algumas regiões-chave na reta final do desenvolvimento das lavouras.
No pregão noturno desta segunda-feira, após ter operado em baixa ao longo de boa parte da sessão, devolvendo parte ganhos da sexta-feira, o vencimento para novembro encerrou perto da estabilidade.
Milho em baixa
O relatório de Oferta & Demanda do USDA trouxe uma leve redução para a produtividade de milho dos Estados Unidos, mas que foi mais do que compensada por um aumento de área plantada para o país, resultando em um aumento da produção total na safra 2025/26. Ainda assim, mesmo frustrando as expectativas de queda, o mercado reagiu em alta em sequência à publicação do relatório.
O aumento da estimativa das exportações pressionou os estoques finais, entregando alguma força para os preços. Além disso, a percepção de que a produção pode ser revisada negativamente daqui para frente também entrega suportes no curto prazo.
Nesta segunda, o milho fechou em baixa no pregão noturno em recuo técnico, após superar o patamar dos US¢430/bu na sexta-feira.
Trigo em alta
O mercado de trigo inicia essa segunda feira em alta após um comportamento bastante oscilante nos últimos dias. As atualizações no preço mais recentes estão associadas ao relatório de Oferta & Demanda do USDA, que forneceu resultados mistos para a commodity.
Nos Estados Unidos, apresentaram-se pequenas modificações para as expectativas de exportações, estimadas agora em 24,49 milhões de toneladas (+680 mil toneladas), pressionando os estoques finais para 22,97 milhões de toneladas. Na somatória dos fatores, tratou-se de um relatório altista para o trigo americano.
No cenário global, entretanto, são perceptíveis estímulos baixistas ao preço, uma vez que as estimativas para a produção internacional sofreram um ajuste positivo. A perspectiva de maiores safras é atrelada à Australia, Canadá, Rússia e União Europeia.
Outro indicativo para que um comportamento de baixa dos preços possa ser retomado a curto prazo são os avanços significativos da colheita do trigo de primavera nos Estados Unidos, com cerca de 85% da colheita contabilizada na semana passada.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.