
Mercado Externo: Argentina deve elevar a competitividade global de grãos
Os futuros dos índices acionários norte-americanos abrem em leve baixa nesta segunda-feira, com o mercado se acomodando após os recordes batidos na semana passada. Passada a euforia do mercado com o corte de juros nos Estados Unidos, o mercado agora observará uma série de dados econômicos, como os PMIs (de serviços e indústria) e o índice PCE na sexta-feira. Esses dados serão um bom indicativo da saúde da economia americana conforme o país entra em um novo ciclo de redução de juros.
Na Ásia, as bolsas fecharam mistas e o grande destaque foi a manutenção das taxas de juros, conforme esperado pelo mercado. O movimento aponta um recuo de uma posição mais expansionista (i.e., uma política econômica de redução de juros), o que fez o mercado reagir com cautela. Na Europa, o sentimento é de estabilidade.
Olhando para o mercado brasileiro, a grande manchete do fim de semana foi o anúncio da injeção de R$ 10 bilhões de reais na Cosan (CSAN3). O movimento será liderado pelo BTG Pactual e pelo fundo Perfin Infra. O grupo, que contém empresas como Raízen (em joint-venture com a Shell) e Rumo, vinha enfrentando um momento delicado, marcado por alto endividamento e desempenho fraco de algumas subsidiárias. Com o novo investimento, o mercado estará atento ao plano estratégico que será adotado pela companhia daqui para frente e se o movimento será suficiente para melhorar a eficiência do negócio.
Na Argentina, o movimento de desvalorização do peso – que já vinha sendo tema deste relatório ao longo da semana passada – levou o governo a adotar medidas mais profundas. Na manhã desta segunda-feira, o país anunciou a zeragem dos impostos de exportação de grãos e derivados até o dia 31 de outubro. A intenção é clara: promover o influxo de dólares na economia argentina neste momento de fraqueza do peso. O fato tenderá a tornar os grãos argentinos mais competitivos internacionalmente, o que pressionará os preços de outras origens, como EUA e Brasil.
Soja em baixa
As pretensões para a soja continuam significativamente pessimistas mediante a ausência da China na pauta de exportações norte-americana. As tratativas entre Trump e Xi-Jinping na última sexta-feira (19) pouco contemplaram a temática agrícola, o que foi desapontador aos produtores e agentes de mercado.
Novas atualizações da safra estadunidense, referentes ao progresso e condição da colheita, são esperadas hoje, o que ajudará a moldar o sentimento do mercado.
A notícia de que a Argentina zerará os impostos de exportação é fortemente negativo para a soja negociada na CBOT. A esperança de alguns agentes do mercado americano era a de que a China teria que recorrer à soja americana em algum momento, devido à falta de soja no Brasil até a colheita da safra 2025/26, no começo do ano que vem. Com a isenção dos impostos de exportação de grãos na argentina, os grãos e derivados do país tornam-se mais competitivos, enfraquecendo a tese de que o mercado americano seria incontornável para os principais importadores.
Milho em baixa
Um comportamento de queda do milho foi apresentado na última sessão.
Condições climáticas chuvosas esperadas para o Corn Belt nos próximos dias fortaleceram a ótica baixista. As estimativas para a safra, apesar das recentes incertezas associadas ao clima, continuam apontando para uma produção excelente. Essas projeções devem proporcionar estímulos para a queda a médio prazo.
Sob uma ótica de suporte, tem-se que os recentes números de exportação acima do esperado proporcionaram alguns respiros aos futuros. Já temos visto alguns negócios vindos da Argentina desde a semana passada. Com a isenção das taxas de exportação anunciadas na manhã desta segunda-feira, esse movimento pode se ampliar, o que poderia significar um programa de exportações um pouco mais lento nos Estados Unidos. De qualquer forma, ainda devemos ver um ano de exportações robustas no país norte-americano.
Trigo em baixa
O trigo encerrou o último pregão noturno em baixa, retomando a tendência de queda que fora brevemente interrompida devido aos volumes de exportação acima do esperado do trigo americano exibidos no último relatório de vendas do USDA.
A dinâmica baixista se baseia na alta oferta do grão e na alta competitividade que permanecem há certo tempo. Outro fator que fortalece as possibilidades de continuidade desse cenário são os avanços no desenvolvimento do trigo de inverno. A cultura deve ser potencializada dadas as recentes chuvas nas planícies e locais de plantio do grão nos EUA.
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.