
Mercado Externo: Argentina concede dinamismo às operações
Os índices acionários norte-americanos registraram novo recorde ontem, impulsionados principalmente pelo desempenho das ações de tecnologia após o anúncio de que a Nvidia investirá US$ 100 bilhões na construção de datacenters em parceria com a OpenAI. Hoje, a atenção do mercado se volta às declarações do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, após manifestações divergentes de outras autoridades do banco central norte-americano.
Na Ásia, os mercados operaram próximos da estabilidade. O feriado no Japão reduziu a liquidez na região, enquanto na China as bolsas encerraram em leve queda, refletindo fundamentos domésticos mais frágeis, tendência observada já há algum tempo.
Na Europa, os índices acompanham o movimento positivo vindo dos Estados Unidos. Entretanto, o cenário geopolítico permanece em foco, com a intensificação dos conflitos no leste europeu. A Rússia tem realizado sobrevoos com drones em territórios de países membros da OTAN, aumentando a tensão na região e entregando suporte para o petróleo em função da elevação do prêmio de risco na região.
No Brasil, os investidores monitoram a ata do Copom e o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia da ONU. Ontem, foram anunciados novos alvos brasileiros de sanções no âmbito da Lei Magnitsky. Até o momento, as medidas têm se concentrado em indivíduos, com impacto limitado sobre empresas e produtos. Ainda assim, o mercado permanece cauteloso diante da expectativa de novos anúncios do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, nesta terça-feira.
Na Argentina, o noticiário segue movimentado após a suspensão temporária dos impostos de exportação sobre produtos agrícolas. Além disso, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, declarou que o Tesouro americano está “pronto para fazer o que for necessário para apoiar a Argentina”, o que deu sustentação aos ativos locais e fortaleceu o peso.
Soja em baixa
A soja segue despencando.
A Argentina anunciou ontem (22) que zeraria os impostos de exportação sobre os produtos agrícolas, inclusive dos grãos, como a soja, milho e trigo. Essa determinação faz com que a soja argentina fique 25% mais barata aos compradores mundiais, o que aumentou consideravelmente a competitividade do grão.
A China realizou, após o comunicado, compras de grandes quantidades da soja argentina na noite de ontem.
Com os estoques nacionais e as compras junto à Argentina, a China deve ter suprimento necessário de soja até que a safra brasileira, que está sendo plantada agora, seja colhida no início do ano que vem. Assume-se, desta maneira, uma maior independência chinesa para com o grão estadunidense. A soja de Chicago deverá ser pressionada, e há uma preocupação e pessimismo bastante significativo dos produtores quanto a essa tendência baixista.
O monitoramento de safras do USDA apontou que houve um recuo de 2% na área de soja em boa/excelente condição, o que pode ser considerado um estímulo altista, ainda que a dinâmica de queda tenda a continuar. Apesar do recuo, o índice ainda está 3% acima da média dos últimos anos. A colheita da safra caminha bem, e ocorre de maneira semelhante à média dos últimos anos. Nesta semana, tem-se que 9% da soja já foi colhida, em comparação aos 5% da semana passada.
Milho em alta
O milho encerrou o pregão noturno desta terça-feira em alta.
Ainda que a Argentina tenha retirado as taxações sob a exportação do milho e essa estratégia possua fortes estímulos baixistas para o grão, observou-se uma alta. As exportações norte-americanas estão bastante aquecidas, como revelou o relatório de vendas de exportação do USDA na última quinta-feira e ainda são absorvidos efeitos de suporte aos preços, recuperando-se ligeiramente após as perdas que ocorreram após a determinação do governo argentino.
O consumo global aquecido e estimativas de menores estoques para a safra 2025/2026 também contribuem positivamente aos futuros. O mercado estará atento para o nível de comercialização do milho Chicago, que deve encontrar dificuldades mediante à ampliação da competitividade associada à Argentina.
O progresso da safra, apesar das recentes incertezas climáticas que impactaram negativamente aos preços, ocorre em conformidade com a média dos últimos anos. 11% da colheita já tinha sido realizada até o dia 21, em comparação aos 7% da semana anterior. Quanto à condição da safra, houve uma diminuição de 1% da área de milho em condição boa/excelente, o que pode significar em uma pequena redução nas estimativas de produtividades e proporcionar alguns estímulos altistas aos futuros.
Trigo em alta
Os futuros encerram as operações deste pregão noturno em alta.
O mercado opera em ajustes técnicos enquanto os efeitos da determinação argentina ainda estão sendo absorvidos.
A tendência, apesar da alta do último pregão, continua sendo de queda, dada a alta oferta global do grão, estimativas de grandes safras, sobretudo a produção russa, e a alta competitividade de preços internacionais, potencializada agora para zeragem dos impostos de exportação de produtos agrícolas na Argentina, que possui 8 toneladas de trigo em estoque para ser comercializado.
Nos EUA, o Trigo de Inverno avançou no plantio, que alcançou 20% (9 p.p. a mais do que o observado na semana passada). Os trabalhos de campo estão levemente abaixo da média dos últimos anos para esse momento de desenvolvimento da safra (23%).
O Trigo de Primavera está com a colheita quase finalizada, em 96% (2% de avanço em comparação à semana anterior). A área de trigo em boa/excelente condição teve um recuo percentual de 1 ponto.
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.